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Exército polonês alista urso como soldado na Segunda Guerra, dá patente e pagamento em comida e animal vira lenda carregando munição em Monte Cassino

Urso Wojtek foi incorporado ao Exército polonês durante a Segunda Guerra Mundial, recebeu patente, documentos e duas rações como pagamento, acompanhou tropas à Itália e ficou conhecido por relatos de transporte de munição durante a histórica batalha de Monte Cassino.

Alisson Ficher
Por Alisson Ficher Atualizado em 16/09/2026 às 00:11·publicado em 15/09/2026
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Exército polonês alista urso como soldado na Segunda Guerra, dá patente e pagamento em comida e animal vira lenda carregando munição em Monte Cassino
Wojtek entrou no Exército polonês, recebeu patente e duas rações e ficou conhecido por relatos de transporte de munição em Monte Cassino. - Imagem: Reprodução

Um urso-pardo-sírio entrou oficialmente para os registros de uma unidade militar polonesa durante a Segunda Guerra Mundial, recebeu patente de soldado, documentação própria, número de registro e pagamento equivalente a duas rações de comida.

O episódio parece uma lenda criada décadas depois da guerra, mas parte central da história de Wojtek está documentada pelo Instituto da Memória Nacional da Polônia.

A própria crônica da unidade registra a chegada do pequeno urso em 22 de agosto de 1942.

Wojtek acabaria acompanhando soldados poloneses por milhares de quilômetros, atravessando Oriente Médio e Europa até chegar à campanha da Itália.

Dois anos depois, durante a Batalha de Monte Cassino, relatos preservados pelas instituições polonesas afirmam que o animal ajudou a transportar caixas de munição e chegou a puxar um carrinho de suprimentos.

A história foi tão marcante para a tropa que a imagem de um urso carregando um projétil de artilharia acabou transformada no emblema da unidade.

Urso recebeu documentação militar e patente

Wojtek foi encontrado ainda filhote no Irã.

Segundo o IPN, militares e refugiados poloneses encontraram um jovem persa carregando o animal em abril de 1942. A mãe do filhote provavelmente havia sido morta por caçadores.

Durante alguns meses, Wojtek permaneceu sob cuidados civis.

Posteriormente, foi entregue à unidade que acabaria conhecida como 22ª Companhia de Suprimento de Artilharia, pertencente ao 2º Corpo Polonês comandado pelo general Władysław Anders.

O documento educativo do IPN registra um detalhe incomum.

Wojtek não era apenas um mascote mantido informalmente pelos soldados.

Foram emitidos documentos militares para o animal, que recebeu a patente de soldado raso, entrou no registro oficial com número próprio e passou a receber como pagamento duas rações de comida.

Seu cuidador principal passou a ser o cabo Piotr Prendysz.

O urso convivia diretamente com os militares, dormia próximo deles e acompanhava a rotina da companhia.

História do embarque virou uma das partes mais repetidas

Uma das versões mais conhecidas da história afirma que os poloneses tiveram de transformar Wojtek oficialmente em soldado porque animais não poderiam embarcar junto com as tropas rumo à Itália.

Essa explicação aparece frequentemente em reportagens, livros e relatos populares.

Depois de entrar para a companhia, Wojtek percorreu com os militares uma rota que passou por Irã, Iraque, Síria, Palestina, Egito e Itália, chegando posteriormente à Grã-Bretanha.

Wojtek foi para a guerra na Itália

Em 1944, a unidade participou da campanha italiana.

Um de seus episódios mais conhecidos ocorreu durante a Batalha de Monte Cassino, confronto decisivo na tentativa dos Aliados de romper as posições alemãs e avançar pela Itália.

Foi justamente nesse cenário que surgiu a parte mais famosa da trajetória de Wojtek.

O Instituto da Memória Nacional afirma que o urso carregou caixas de munição e puxou um carrinho de abastecimento durante a batalha.

O Imperial War Museum britânico adota uma formulação ligeiramente mais cautelosa, registrando que Wojtek “é relatado” como tendo ajudado a movimentar munição de artilharia em Monte Cassino.

Essa distinção é importante.

O alistamento, a documentação militar e a presença de Wojtek junto à companhia estão amparados por registros administrativos.

Já sua participação física no transporte de munições é sustentada principalmente por testemunhos e memórias dos soldados que serviram com ele.

Urso carregando projétil virou símbolo militar

A história ganhou tamanho peso dentro da unidade que sua imagem foi incorporada oficialmente à identidade da companhia.

O símbolo mostrava um urso em pé carregando um grande projétil de artilharia.

A figura passou a aparecer em veículos e outros materiais da unidade.

Wojtek também foi posteriormente promovido a cabo, segundo o IPN.

O emblema sobreviveu à própria guerra e se tornou uma das imagens mais conhecidas associadas às forças polonesas que combateram no exterior durante o conflito.

O Imperial War Museum preserva inclusive uma placa dedicada ao animal, representando exatamente Wojtek com o projétil nas patas.

Guerra terminou, mas Wojtek continuou com os soldados

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, Wojtek não foi imediatamente separado da tropa.

Ele acompanhou os soldados poloneses até a Escócia, onde parte das forças foi instalada depois dos combates.

A separação definitiva ocorreu somente em 15 de novembro de 1947.

Com a desmobilização, Wojtek foi entregue ao Zoológico de Edimburgo.

A mudança encerrou aproximadamente cinco anos de convivência direta com militares.

Antigos integrantes da companhia continuaram visitando o animal.

Segundo o IPN, alguns chegavam a entrar em seu recinto, para preocupação dos funcionários do zoológico.

Wojtek permaneceu em Edimburgo por cerca de 16 anos e morreu em 1963.

Décadas depois, sua história continua preservada em monumentos, museus e documentos militares.

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