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Exército recebe 2º lote de míssil anticarro brasileiro em menos de 4 meses e avança com arma guiada a laser para viaturas militares

Exército Brasileiro recebe segundo lote do míssil anticarro MAX 1.2 AC, desenvolvido no país, enquanto programa avança para produção seriada, treinamento de operadores e integração futura em viaturas militares com capacidade de atingir blindados a mais de três quilômetros.

Alisson Ficher
Por Alisson Ficher 06/09/2026 às 23:55
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Exército recebe 2º lote de míssil anticarro brasileiro em menos de 4 meses e avança com arma guiada a laser para viaturas militares
Exército recebe segundo lote do míssil anticarro MAX 1.2 AC, produzido no Brasil e preparado para integração em viaturas militares. - Imagem: Reprodução

O Exército Brasileiro recebeu um segundo lote de munições do sistema anticarro MAX 1.2 AC, míssil desenvolvido no Brasil para atingir blindados e outros alvos terrestres a quilômetros de distância e que agora avança em sua fase de produção e fornecimento à Força Terrestre.

A entrega ocorreu em 3 de setembro, menos de quatro meses depois da chegada do primeiro lote de produção, recebido em maio.

Segundo a própria SIATT, o material foi entregue ao Comando Logístico do Exército (COLOG) no Centro de Logística de Mísseis e Foguetes, no Forte Santa Bárbara, em Formosa, Goiás.

A própria fabricante SIATT confirmou a nova remessa e informou que o contrato firmado com o Exército não envolve apenas munições.

O pacote também contempla unidades de tiro, simuladores e adaptações destinadas à instalação do sistema em viaturas leves.

A quantidade de mísseis incluída no segundo lote, entretanto, não foi divulgada.

Também permanecem sem divulgação pública o valor dessa etapa do fornecimento e o cronograma detalhado das próximas entregas.

Segundo lote chega poucos meses depois do primeiro

A velocidade entre as duas entregas chama atenção porque o MAX 1.2 AC acaba de entrar em uma nova etapa de sua longa trajetória de desenvolvimento.

O primeiro lote produzido em série foi concluído e entregue ao Exército em maio de 2026, com fabricação realizada pela SIATT em sua estrutura industrial no interior de São Paulo.

Agora, com uma segunda remessa recebida em setembro, o sistema começa a avançar da fase de desenvolvimento, homologação e pequenos lotes para uma estrutura de fornecimento destinada às unidades da Força Terrestre.

Isso não significa, entretanto, que o número de armas já disponível seja conhecido.

Nem o Exército nem a SIATT divulgaram publicamente quantas munições compõem as duas entregas mais recentes.

Míssil brasileiro usa laser para atingir blindados

Desenvolvido pela SIATT em parceria com o Centro Tecnológico do Exército (CTEx), o MAX 1.2 AC é um míssil superfície-superfície destinado principalmente ao combate contra veículos blindados.

O sistema emprega guiamento por feixe laser, tecnologia conhecida como beam riding.

Nesse método, a unidade de tiro direciona o feixe para a linha de visada do alvo e o míssil utiliza essa referência durante seu deslocamento.

A tecnologia foi adotada justamente para proporcionar precisão sem depender de sinais de GPS e aumentar a resistência do armamento a determinadas formas de interferência eletrônica.

O sistema pode ser empregado por tropas em solo e também instalado em plataformas terrestres.

Fontes especializadas apontam alcance operacional superior a 3 quilômetros nas versões atuais do sistema.

Além de carros de combate e outros blindados, o MAX foi concebido para enfrentar posições fortificadas e outros alvos terrestres considerados de alto valor.

Exército levou anos testando a arma

Antes de chegar à produção seriada, o míssil passou por uma extensa campanha de desenvolvimento e avaliação.

Em junho de 2024, o Centro de Avaliações do Exército (CAEx) concluiu a avaliação operacional do então chamado MSS 1.2 AC.

Os testes envolveram tropas de diferentes organizações militares e avaliaram o sistema contra alvos fixos e móveis em cenários destinados a reproduzir condições de combate.

O Departamento de Ciência e Tecnologia homologou posteriormente o relatório de avaliação por meio da Portaria nº 029, de 26 de junho de 2024.

Em setembro daquele mesmo ano, Exército e SIATT assinaram o contrato de licenciamento para produção e comercialização do sistema.

Foi também nessa etapa que a antiga denominação MSS 1.2 AC foi oficialmente substituída por MAX 1.2 AC.

Míssil já apareceu instalado no Guaicurus

O próximo salto do programa pode estar justamente na mobilidade.

Em julho de 2026, o CTEx apresentou uma Viatura Blindada Multitarefa 4×4 Guaicurus equipada com o MAX 1.2 AC.

A integração experimental utilizou a estrutura da torre manual REMAN e mostrou que o míssil pode ser instalado em uma plataforma que já faz parte do processo de modernização do Exército Brasileiro.

No mesmo período, apareceu uma configuração ainda mais incomum.

Um veículo terrestre não tripulado, ou UGV, foi apresentado carregando um lançador duplo com dois MAX 1.2 AC, permitindo que o disparo seja comandado remotamente e reduzindo a exposição direta de militares durante determinadas operações.

Essas demonstrações, porém, devem ser separadas do contrato já confirmado.

A SIATT informa oficialmente que o fornecimento contempla adaptações para viaturas leves, mas não anunciou até agora uma encomenda operacional específica da configuração do Guaicurus ou do veículo não tripulado.

Brasil amplia produção de míssil nacional

O segundo lote também chega em um momento de expansão industrial da própria SIATT.

A empresa colocou em operação em agosto a primeira fase de sua nova unidade em Caçapava, São Paulo, preparada para desenvolver, fabricar, integrar e testar mísseis, foguetes guiados, motores-foguete e outros sistemas destinados aos setores de Defesa e Espaço.

Para o MAX 1.2 AC, a mudança significa ampliar a infraestrutura disponível justamente quando o míssil passa da etapa de desenvolvimento para fornecimentos regulares ao Exército.

Com dois lotes entregues em menos de quatro meses, simuladores previstos no contrato e estudos para levar o armamento a diferentes viaturas, o programa avança para uma fase em que o principal desafio deixa de ser provar que o míssil funciona e passa a ser ampliar sua presença nas unidades da Força Terrestre.

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