Uma grande operação realizada na fronteira entre Brasil e Peru mobilizou a Polícia Federal brasileira, a Polícia Nacional do Peru e as Forças Armadas peruanas contra estruturas utilizadas pelo narcotráfico no coração da Amazônia.
O balanço divulgado pela Polícia Federal mostra uma dimensão maior do que a inicialmente conhecida: foram 15 laboratórios clandestinos inutilizados, quatro pistas de pouso destruídas e 11.961 quilos de sulfato de cocaína em estado líquido eliminados.
A Operação Amazonía 2026 ocorreu na província de Mariscal Ramón Castilla, na região peruana de Loreto, próxima à fronteira brasileira.
Segundo a Polícia Federal, o objetivo foi atacar a infraestrutura utilizada por organizações criminosas transnacionais para produzir e transportar drogas pela região amazônica.
As forças realizaram 18 ações conjuntas, utilizando meios aéreos e fluviais para alcançar áreas de difícil acesso.
Quatro pessoas foram detidas sob suspeita de envolvimento com o tráfico de drogas.
Quase 12 toneladas de sulfato de cocaína foram destruídas
O volume de materiais encontrados revela a dimensão da estrutura clandestina instalada na região.
De acordo com o balanço oficial da PF, as equipes destruíram aproximadamente 11.961 quilos de sulfato de cocaína em estado líquido.
Também foram inutilizados 53.862 quilos de insumos químicos fiscalizados e outros 28.096 quilos de produtos químicos não fiscalizados utilizados na fabricação de entorpecentes.
Somados, são mais de 81 toneladas de insumos químicos encontrados durante a operação.
As equipes ainda localizaram 9,4 toneladas de folhas de coca, considerando material fresco e seco.
Parte dessas estruturas funcionava em laboratórios improvisados instalados em regiões isoladas da floresta, onde a vegetação e as dificuldades de acesso ajudam organizações criminosas a esconder instalações de processamento.
Ao final das ações, 15 laboratórios clandestinos e cinco acampamentos foram inutilizados.
Pistas clandestinas serviam ao transporte de drogas
A operação não mirou apenas a produção.
Outro alvo foi a cadeia logística necessária para retirar drogas da região e movimentar pessoas, equipamentos e insumos.
As forças localizaram e inutilizaram quatro pistas de pouso clandestinas, estruturas utilizadas para operações aéreas fora do controle regular das autoridades.
Também foram destruídas 18 embarcações, uma motocicleta e uma draga que, segundo a PF, era empregada em atividade de mineração ilegal.
O uso simultâneo de rios e pistas clandestinas mostra como a logística do crime organizado na Amazônia depende de diferentes modalidades de transporte para superar as enormes distâncias e a ausência de estradas em grande parte da região.
Para permitir que as equipes operassem nesses locais, o Brasil forneceu apoio logístico significativo.
Foram disponibilizados 24.578 litros de combustível para aeronaves e outros 4 mil litros destinados às embarcações mobilizadas na missão.
19 armas e centenas de munições
As equipes também encontraram armamento associado às estruturas investigadas.
O balanço final registra a apreensão de 19 armas de fogo e 235 munições, além de 12 equipamentos de comunicação.
Entre os dispositivos estavam celulares, rádios e equipamentos capazes de fornecer acesso à internet via satélite.
Em um balanço anterior, divulgado pela própria PF em 31 de agosto, a corporação já havia informado a localização de um fuzil tipo AR-15/M4, pistolas, revólveres, espingardas e até uma arma artesanal semelhante a uma submetralhadora equipada com silenciador.
Naquela etapa da operação, quatro laboratórios haviam sido contabilizados e aproximadamente 6,2 toneladas de sulfato de cocaína já tinham sido destruídas.
Os números posteriores mostram que as ações continuaram e ampliaram significativamente os resultados.
Operação reuniu Brasil e Peru contra grupos transnacionais
A participação brasileira ocorreu por meio da Polícia Federal, enquanto a Polícia Nacional do Peru atuou através de sua Direção Antidrogas, a DIRANDRO, com apoio das Forças Armadas peruanas.
A atuação conjunta se concentrou no território peruano de Mariscal Ramón Castilla, em Loreto, região próxima ao Amazonas e inserida em uma das principais áreas de fronteira da Amazônia ocidental.
A cooperação também incluiu troca de material técnico entre os dois países.
Segundo a PF, 65 amostras georreferenciadas de folhas de coca foram encaminhadas ao Brasil, enquanto dois materiais de referência certificados foram enviados ao Peru.
A Polícia Federal afirma que a Operação Amazonía 2026 integra uma estratégia de cooperação internacional voltada ao combate ao tráfico de drogas e ao crime organizado transnacional na fronteira entre Brasil e Peru.