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FAB pagou US$ 9,6 milhões por 12 P-3A guardados no deserto dos EUA: nove viraram P-3AM, três foram desmontados para peças e a frota segue ativa no Brasil décadas depois

Comprados por US$ 800 mil cada, 12 P-3A vieram do estoque da Marinha dos EUA em Tucson. Nove foram modernizados para a FAB, três viraram fonte de peças e parte da frota recebeu novas asas até 2025 para seguir operando.

Noel Budeguer
Por Noel Budeguer 21/09/2026 às 07:13
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FAB pagou US$ 9,6 milhões por 12 P-3A guardados no deserto dos EUA: nove viraram P-3AM, três foram desmontados para peças e a frota segue ativa no Brasil décadas depois
Aeronaves P-3 Orion armazenadas no deserto do Arizona, nos Estados Unidos, em uma área de preservação de aeronaves militares. O cenário ajuda a ilustrar de onde vieram as células usadas adquiridas pelo Brasil para formar a frota de P-3AM da Força Aérea Brasileira.

A Força Aérea Brasileira pagou US$ 9,6 milhões por 12 aeronaves P-3A Orion que estavam armazenadas nos Estados Unidos, ao custo de US$ 800 mil por célula. A compra, feita no início dos anos 2000, tinha um detalhe pouco comum: apenas nove aviões seriam transformados em patrulheiros P-3AM capazes de cumprir missões no Brasil. Os outros três já tinham um destino definido, seriam desmontados para fornecer peças às aeronaves que voltariam a voar.

Mais de duas décadas depois, o programa continua aparecendo nos planos da FAB. Um documento logístico de 2026 confirma que as células FAB 7200 a 7208 foram destinadas à modernização, enquanto as FAB 7209, 7210 e 7211 ficaram reservadas para canibalização de componentes. O mesmo plano registra que três P-3AM receberam asas revitalizadas de P-3C e que a última dessas entregas ocorreu em outubro de 2025.

Doze P-3A saíram do estoque americano, mas só nove foram preparados para voltar ao ar

Os P-3A haviam pertencido à Marinha dos Estados Unidos e estavam armazenados em Tucson, no Arizona. O preço das células usadas foi baixo para aeronaves de grande porte e longo alcance: US$ 800 mil por unidade, totalizando US$ 9,6 milhões pelo lote de 12.

A compra das células, porém, era apenas a primeira etapa. A FAB buscava recuperar uma capacidade de patrulha marítima de longo alcance que exigia muito mais do que colocar aviões antigos novamente em operação. A modernização foi contratada separadamente e envolveu sistemas eletrônicos, sensores e mudanças estruturais que transformaram os P-3A adquiridos no padrão P-3AM empregado pelo Brasil.

P-3AM Orion da Força Aérea Brasileira em voo sobre o mar durante missão de patrulha marítima. A aeronave integra a frota empregada pela FAB em vigilância, reconhecimento, busca e salvamento e guerra antissubmarino.
P-3AM Orion da Força Aérea Brasileira em voo sobre o mar durante missão de patrulha marítima. A aeronave integra a frota empregada pela FAB em vigilância, reconhecimento, busca e salvamento e guerra antissubmarino.

Três aeronaves foram compradas para servir de fonte de peças à nova frota

A divisão do lote aparece de forma objetiva no planejamento da Aeronáutica. As células de matrícula FAB 7200 a 7208 seguiram para modernização. Já as FAB 7209, 7210 e 7211 foram destinadas à desmontagem e ao fornecimento de peças sobressalentes.

Essa escolha permitia criar um estoque de componentes a partir de aeronaves do mesmo modelo em uma frota que, desde o começo, dependeria de suporte especializado. Em vez de preparar todas as 12 células para voo, a FAB concentrou recursos em nove aviões e manteve três como reserva logística.

Modernização mexeu em aviônicos, missão, motores, estrutura e armamentos

O salto do P-3A para o P-3AM foi muito maior do que uma reforma cosmética. O plano logístico da FAB registra atualizações em aviônicos, sistema de missão, comandos de voo, propulsão, estruturas e armamentos. As aeronaves modernizadas foram recebidas pela Força entre julho de 2011 e julho de 2014.

Com o P-3AM, a Aviação de Patrulha voltou a operar um vetor de grande autonomia para vigilância marítima. O modelo pode atuar em missões de patrulha, busca e salvamento, inteligência, reconhecimento e guerra antissubmarino, ampliando a capacidade de acompanhar áreas marítimas muito distantes da costa.

P-3AM Orion da Força Aérea Brasileira em voo, com o trem de pouso baixado. A aeronave integra a aviação de patrulha da FAB e é empregada em missões de vigilância marítima, reconhecimento, busca e salvamento e guerra antissubmarino. Crédito: Força Aérea Brasileira.
P-3AM Orion da Força Aérea Brasileira em voo, com o trem de pouso baixado. A aeronave integra a aviação de patrulha da FAB e é empregada em missões de vigilância marítima, reconhecimento, busca e salvamento e guerra antissubmarino. Crédito: Força Aérea Brasileira.

As células custaram US$ 9,6 milhões, mas transformar aviões estocados em P-3AM exigiu um programa muito maior

O número de US$ 9,6 milhões corresponde à aquisição das 12 células usadas dos Estados Unidos. A modernização foi negociada em outro contrato e representou uma parcela muito maior do programa. Reportagem da época registrou que o projeto com a então EADS CASA envolvia centenas de milhões de dólares para modernizar os aviões e reconstituir a capacidade de patrulha de longo alcance.

A diferença entre o preço das células e o custo de colocá-las em padrão operacional ajuda a entender a lógica da compra. O Brasil adquiriu estruturas disponíveis a baixo custo, mas precisou investir em sensores, eletrônica, sistemas de missão, recuperação estrutural, treinamento e suporte para transformar o lote em uma frota capaz de cumprir missões militares modernas.

Três P-3AM receberam asas de P-3C revitalizadas e a última voltou em outubro de 2025

Conjunto de asas do P-3AM Orion durante o processo de revitalização estrutural. O trabalho incluiu intervenções em componentes primários da asa para prolongar a vida útil das aeronaves de patrulha marítima da Força Aérea Brasileira. Crédito: Grupo Akaer.
Conjunto de asas do P-3AM Orion durante o processo de revitalização estrutural. O trabalho incluiu intervenções em componentes primários da asa para prolongar a vida útil das aeronaves de patrulha marítima da Força Aérea Brasileira. Crédito: Grupo Akaer.

O envelhecimento estrutural criou outra etapa importante anos depois da incorporação. Em 2018, a FAB decidiu revitalizar as asas de três P-3AM usando estruturas reformadas provenientes de P-3C. O trabalho alcançou as aeronaves FAB 7205, FAB 7204 e FAB 7206.

A última entrega desse ciclo foi concluída em outubro de 2025. O dado mostra como um lote comprado no começo do século continuou exigindo investimento técnico para preservar a capacidade operacional. A vida útil de uma aeronave de patrulha desse porte depende de inspeções profundas, peças específicas e intervenções estruturais que vão muito além da manutenção rotineira.

Plano de 2026 ainda aponta dificuldade para encontrar peças e serviços especializados

O planejamento logístico mais recente da Aeronáutica mantém o P-3AM entre os sistemas que exigem atenção específica. A FAB registra desafios provocados pela particularidade da frota e pela disponibilidade limitada de determinados serviços e componentes no mercado.

Esse problema ajuda a explicar por que três P-3A foram separados desde o início para fornecer peças. A decisão tomada na compra continua ligada à sustentação de aeronaves que chegaram ao Brasil entre 2011 e 2014 e que ainda aparecem em exercícios, missões de vigilância e planejamento logístico.

Compra barata de células usadas virou uma capacidade que atravessou mais de duas décadas

O lote começou com 12 aviões retirados do estoque americano por US$ 9,6 milhões. Nove receberam modernização, três foram desmontados, e parte das aeronaves operacionais precisou de novas asas muitos anos depois. A sequência mostra que o preço inicial das células foi apenas uma fração da história do P-3AM no Brasil.

Em 2026, a FAB ainda trabalha para sustentar os Orion enquanto administra uma cadeia de peças e serviços cada vez mais específica. Para a Aviação de Patrulha, aqueles P-3A que estavam guardados no Arizona acabaram formando uma capacidade de vigilância marítima de longo alcance que permanece ligada à proteção das águas de interesse do país.

Você considera que a compra das células usadas foi uma boa solução para recuperar a patrulha marítima brasileira? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a matéria com quem acompanha a aviação militar.

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3 Comentários
Nilton César
Nilton César
21/09/2026 10:51

Outra vergonha da FAB, Helicópteros adquiridos da Rússia, o Esquadrão Poty na Base Aérea de Porto Velho. Um projeto totalmente político e hoje desativado pelos altos custos operacionais. Os elefantes brancos. Agora a diminuição das quantidades adquiridas do KC-390 e do Gripen e o imbróglio do C-30.

Ivan Barroso
Ivan Barroso
21/09/2026 10:48

Boa semana. Ainda temos bandeirantes em atividade?

Nilton César
Nilton César
21/09/2026 10:46

Hoje apenas uma anv P3 da FAB disponível voando na Base Aérea de Santa Cruz. Uma vergonha.