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José Vicente de Alvarenga, o brasileiro que pousou um TA-4J Skyhawk no porta-aviões nuclear USS George Washington e depois ajudou a levar o AF-1 Skyhawk da Marinha do Brasil de volta aos porta-aviões brasileiro

José Vicente de Alvarenga qualificou-se no TA-4J a bordo do USS George Washington em 1999, foi o último aluno do VT-7 brevetado no Skyhawk e depois participou dos marcos que recolocaram o AF-1 Skyhawk da Marinha em operações embarcadas.

Flavia Marinho
Por Flavia Marinho 16/09/2026 às 22:09
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José Vicente de Alvarenga, o brasileiro que pousou um TA-4J Skyhawk no porta-aviões nuclear USS George Washington e depois ajudou a levar o AF-1 Skyhawk da Marinha do Brasil de volta aos porta-aviões brasileiro
José Vicente de Alvarenga, o brasileiro que pousou um TA-4J Skyhawk no porta-aviões nuclear USS George Washington e depois ajudou a levar o AF-1 Skyhawk da Marinha do Brasil de volta aos porta-aviões brasileiro

Em 30 de setembro de 1999, o brasileiro José Vicente de Alvarenga pousou um TA-4J Skyhawk no porta-aviões nuclear USS George Washington (CVN-73) e concluiu uma etapa que também encerrava uma era na aviação naval dos Estados Unidos. O oficial da Marinha do Brasil foi o último aluno do esquadrão de treinamento VT-7 a realizar um pouso enganchado no TA-4J em um navio americano e, dias depois, tornou-se o último aluno do Skyhawk daquela unidade a receber as asas. A trajetória logo o colocaria também no centro da retomada do AF-1 Skyhawk da Marinha no Brasil.

Natural de Belo Horizonte e formado pela Escola Naval em 1990, Alvarenga foi enviado aos Estados Unidos para treinamento avançado de ataque em Meridian, no Mississippi. Enquanto ele se preparava para operar jatos a partir de navios, a Marinha brasileira reconstruía uma capacidade que havia ficado décadas fora de suas mãos: manter aeronaves de asa fixa próprias e colocá-las novamente em operações embarcadas.

O intervalo entre os dois marcos foi curto. Em maio de 2000, já de volta ao Brasil, Alvarenga fez o primeiro voo solo de um AF-1 por um aviador naval brasileiro. Em setembro do mesmo ano, cinco AF-1 participaram das primeiras operações embarcadas no NAeL Minas Gerais, com mais de 90 passes realizados em poucos dias.

AF-1 Skyhawk da Marinha do Brasil no convés de um porta-aviões
AF-1 Skyhawk da Marinha do Brasil em convés de porta-aviões. Crédito: Rob Schleiffert / Wikimedia Commons, GFDL 1.2.

Alvarenga fechou a era do TA-4J no VT-7 em 1999

O VT-7, unidade de treinamento da Marinha dos Estados Unidos, usou o TA-4J Skyhawk durante décadas na formação avançada de pilotos de ataque. Em 1999, o esquadrão estava deixando o modelo para adotar o T-45C Goshawk, mudança que transformou a turma daquele ano na última a concluir a formação no velho Skyhawk.

Alvarenga chegou justamente nessa transição. Segundo o histórico da Skyhawk Association, ele se qualificou para operações embarcadas no USS George Washington em 30 de setembro de 1999. O voo entrou para a cronologia do VT-7 porque foi o último pouso enganchado de um aluno no TA-4J em um navio dos Estados Unidos.

A sequência terminou com a entrega das asas ao brasileiro. O histórico da unidade registra 1999 como o ano da formação do último aviador naval treinado pelo VT-7 no TA-4J, enquanto a documentação da associação identifica Alvarenga como o último aluno do Skyhawk do esquadrão a ser brevetado. A partir dali, o T-45C assumiria a formação dos novos pilotos.

Marinha comprou 23 Skyhawks por cerca de US$ 70 milhões e criou o VF-1

No Brasil, outra mudança estava em curso. Em abril de 1998, a Marinha voltou a ter autorização para operar aeronaves de asa fixa próprias. Poucas semanas depois, fechou a compra de 23 aeronaves A-4KU provenientes do Kuwait, em um negócio de aproximadamente US$ 70 milhões.

Os aviões chegaram ao país em setembro de 1998. Em 2 de outubro daquele ano, a Marinha ativou o 1º Esquadrão de Aviões de Interceptação e Ataque, o VF-1, que passaria a operar os caças sob a designação brasileira AF-1. A preparação dos pilotos incluía formação no exterior e treinamento para que a nova frota pudesse trabalhar a partir do NAeL Minas Gerais.

AF-1 e AF-1A Skyhawk da Marinha do Brasil alinhados no convés de porta-aviões
Aeronaves AF-1 e AF-1A da Marinha do Brasil no convés do NAe São Paulo, com equipe de voo. Crédito: Marinha do Brasil / Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0.

O programa brasileiro e o fim da era do TA-4J americano se cruzaram na carreira de Alvarenga. O oficial saiu do treinamento no VT-7 com experiência de operação embarcada justamente quando o Brasil recebia seus Skyhawks e precisava formar uma nova geração de aviadores para o VF-1.

Em 26 de maio de 2000, o AF-1 Skyhawk da Marinha voltou às mãos de um aviador naval brasileiro

Em 26 de maio de 2000, Alvarenga decolou sozinho em um AF-1 do VF-1 e se tornou o primeiro piloto da Marinha do Brasil a realizar um voo solo no novo caça. A marca abriu uma etapa concreta da retomada dos jatos de asa fixa na Aviação Naval brasileira.

A aeronave derivava do A-4 Skyhawk, projeto americano compacto criado para operar em porta-aviões. A compra dos exemplares do Kuwait permitiu que a Marinha reconstruísse não apenas uma frota de ataque, mas também todo o ciclo de formação, manutenção e operação necessário para colocar esses aviões no mar.

O treinamento feito nos Estados Unidos ganhou utilidade imediata. Poucos meses depois do primeiro solo, o VF-1 avançou para a fase que exigia sincronizar pilotos, equipe de convés, navio e aeronaves em uma rotina que o Brasil havia deixado de executar com aviões de asa fixa próprios.

Cinco AF-1 fizeram mais de 90 passes no Minas Gerais em quatro dias

Entre 11 e 14 de setembro de 2000, cinco AF-1 participaram das primeiras operações embarcadas no NAeL Minas Gerais. A Marinha registra mais de 90 passes no período, uma sequência usada para desenvolver procedimentos, aproximar pilotos do convés e preparar a unidade para o emprego regular a partir de porta-aviões.

Alvarenga estava entre os nomes ligados a essa fase inicial. Menos de um ano antes, ele havia concluído sua qualificação no USS George Washington como o último aluno do VT-7 no TA-4J; agora participava do processo brasileiro de devolver o Skyhawk ao ambiente para o qual o avião havia sido concebido.

A cronologia reúne duas mudanças que aconteceram quase ao mesmo tempo em lados diferentes do continente. Nos Estados Unidos, o TA-4J saía do treinamento avançado e dava lugar ao T-45C. No Brasil, os A-4 adquiridos do Kuwait começavam uma nova carreira como AF-1, com o VF-1 construindo experiência para operar jatos a partir de navios da Marinha.

Um fim de era nos Estados Unidos virou parte da retomada brasileira

A passagem de José Vicente de Alvarenga pelo VT-7 terminou com um “último” registrado na história do Skyhawk americano e foi seguida por um “primeiro” na Aviação Naval brasileira. A distância entre a qualificação no USS George Washington e o primeiro solo de AF-1 no Brasil foi de menos de oito meses.

Em setembro de 2000, a etapa seguinte já ocorria no mar, com os AF-1 executando dezenas de passes sobre o Minas Gerais. A sequência mostra como treinamento, compra de aeronaves e preparação embarcada se encaixaram rapidamente para reconstruir uma capacidade que a Marinha pretendia recuperar desde a autorização de 1998.

Você conhecia a história do brasileiro que fechou a era do TA-4J no VT-7 e depois participou dos primeiros passos do AF-1 no Brasil? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta matéria com quem acompanha a história da Aviação Naval.

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