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Lula diz ter visto militares “mais leves” no 7 de Setembro, relata acenos durante desfile e contrasta postura das tropas com o clima de 2023

Felipe Alves da Silva
Por Felipe Alves da Silva 08/09/2026 às 10:44
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Lula diz ter visto militares “mais leves” no 7 de Setembro, relata acenos durante desfile e contrasta postura das tropas com o clima de 2023
Militares participam do desfile de 7 de Setembro em Brasília; Lula disse a aliados ter percebido uma postura “mais leve” das tropas em comparação com 2023.

Presidente comparou o ambiente encontrado entre integrantes das Forças Armadas em 2026 com aquele observado no primeiro 7 de Setembro de seu atual mandato, realizado meses após a saída de Jair Bolsonaro do Planalto.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu do desfile de 7 de Setembro de 2026, em Brasília, com uma impressão particular sobre os homens e mulheres das Forças Armadas que passaram pela Esplanada dos Ministérios: na avaliação relatada por ele a aliados, os militares estavam “mais leves” do que no início de seu terceiro mandato.

A comparação feita pelo presidente voltou diretamente a 2023.

Segundo informações publicadas pela coluna de Milena Teixeira, do Metrópoles, Lula comentou nos bastidores que percebeu uma mudança na postura dos militares durante o desfile deste ano. O presidente teria chamado a atenção principalmente para o comportamento demonstrado pelas tropas ao passarem diante da tribuna das autoridades.

Alguns militares chegaram a acenar em direção ao espaço onde Lula estava, acompanhado da primeira-dama Janja, ministros e representantes dos demais Poderes.

Foi esse tipo de comportamento que levou o presidente, segundo os relatos obtidos pela coluna, a fazer a comparação com quatro anos atrás.

Lula voltou a 2023 para explicar a diferença que percebeu

O desfile de 2023 ocupava uma posição completamente diferente no calendário político e, principalmente, na relação entre o Palácio do Planalto e o meio militar.

Era o primeiro 7 de Setembro do terceiro governo Lula e havia sido realizado poucos meses depois de Jair Bolsonaro deixar a Presidência.

Ao comentar o desfile deste ano, Lula teria utilizado justamente aquela cerimônia como referência para avaliar a mudança que acredita ter ocorrido desde então.

O Metrópoles relata que, na percepção do presidente, os integrantes das Forças Armadas demonstraram em 2026 estar “mais leves”. A reportagem não atribui aos militares participantes uma declaração coletiva sobre essa mudança de comportamento; trata-se da avaliação feita por Lula e relatada por interlocutores à coluna.

Essa distinção é importante.

Um aceno durante uma cerimônia militar não permite, isoladamente, medir a relação institucional entre governo e Forças Armadas. O episódio chama atenção justamente porque foi o próprio presidente quem associou esses pequenos sinais públicos a uma mudança em relação ao ambiente que encontrou em 2023.

Mulheres militares também chamaram a atenção de aliados do presidente

Outro elemento destacado nos relatos foi a participação feminina.

Aliados de Lula ouvidos pela coluna chamaram atenção especialmente para o comportamento das mulheres militares que desfilaram pela Esplanada. A participação delas também estava ligada à própria construção temática da cerimônia deste ano.

O desfile de 2026 foi estruturado em torno de três eixos: soberania nacional, enfrentamento à violência contra as mulheres e Copa do Mundo Feminina de 2027.

Além da apresentação tradicional das tropas da Marinha, do Exército e da Força Aérea, a programação reservou espaço para elementos relacionados à competição feminina que será realizada no Brasil no próximo ano.

O lema escolhido para a celebração foi “Soberania: A Força que Une o Brasil”.

Assim, a presença feminina não apareceu apenas na formação das tropas. Ela fazia parte de um dos eixos políticos e simbólicos escolhidos pelo governo para a celebração da Independência.

Fachin, Motta e Alcolumbre acompanharam Lula na tribuna

A fotografia política da cerimônia também foi relevante.

Lula participou do desfile ao lado do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e do presidente da Câmara, Hugo Motta.

Fachin foi o único ministro do STF presente na cerimônia, segundo o Metrópoles.

A participação ocorreu em um momento especialmente delicado dentro do Supremo, marcado pelo embate envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master.

Nenhum dos dois participou do desfile.

A CNN Brasil informou ainda que Lula havia atuado para estimular a presença dos presidentes dos demais Poderes, defendendo que o comparecimento seria importante diante do momento de crise no Judiciário.

A cena produzida na tribuna, portanto, acabou reunindo simultaneamente dois movimentos: demonstração de unidade institucional entre os chefes dos Poderes e a percepção, relatada por Lula, de uma relação diferente com os militares.

De um ambiente considerado tenso em 2023 aos acenos de 2026

É justamente nesse ponto que a comparação feita pelo presidente ganha peso político.

Lula não relatou uma nova política formal das Forças Armadas nem anunciou qualquer mudança institucional decorrente do desfile. O que apareceu nos bastidores foi algo muito mais subjetivo: uma mudança de ambiente percebida pelo próprio presidente.

Em 2023, o petista havia acabado de retornar ao Planalto depois de quatro anos de governo Bolsonaro.

Em 2026, Lula observou militares passarem diante da tribuna e interpretou gestos como os acenos e a postura das tropas como sinais de um ambiente menos carregado.

São quatro anos de diferença entre as duas imagens utilizadas pelo próprio presidente como referência.

Do ponto de vista militar, talvez o aspecto mais interessante seja exatamente esse: o desfile é uma cerimônia protocolar, mas pequenos gestos de seus participantes podem ganhar interpretação política quando vistos da tribuna presidencial.

E, pelo relato dos bastidores, Lula viu mais do que continência e marcha na Esplanada.

Viu uma mudança de clima.

Resta saber até onde essa percepção corresponde a uma transformação mais profunda na relação entre o governo e as Forças Armadas ou se o 7 de Setembro simplesmente cumpriu sua missão mais antiga: todo mundo marchar na mesma direção por algumas horas — pelo menos até acabar o desfile.

Os militares podem até estar “mais leves” aos olhos de Lula — mas, com soldo apertado e relatos de quem precisa fazer Uber, trabalhar como garçom ou vigia para fechar o mês, será que o sorriso no desfile também vem com adicional?

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