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Em meio a discursos de soberania, empresa dos EUA compra produtora brasileira de terras raras por R$ 14 bilhões e americanos garantem 100% da produção inicial por 15 anos

Negócio foi concluído um dia depois de o Senado aprovar uma política para ampliar a industrialização de minerais estratégicos no Brasil. O Departamento de Guerra dos EUA também destinou US$ 750 milhões a uma estrutura voltada à compra desses minerais, considerados essenciais para sistemas militares.

Miguel Ángel Scovenna Rivero y Hornos
Por Miguel Ángel Scovenna Rivero y Hornos Atualizado em 08/09/2026 às 05:53·publicado em 08/09/2026
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Em meio a discursos de soberania, empresa dos EUA compra produtora brasileira de terras raras por R$ 14 bilhões e americanos garantem 100% da produção inicial por 15 anos
Instalações da Serra Verde em Goiás, produtora brasileira de terras raras adquirida pela USA Rare Earth em operação avaliada em cerca de R$ 14 bilhões. A produção inicial está vinculada a um acordo de compra de 15 anos com o governo dos Estados Unidos. Imagem: Serra Verde / Divulgação

A norte-americana USA Rare Earth concluiu em 3 de setembro a aquisição da Serra Verde, produtora de terras raras instalada em Goiás, em uma operação avaliada em aproximadamente US$ 2,8 bilhões, cerca de R$ 14 bilhões. Paralelamente, um acordo de 15 anos com o governo dos EUA garante a compra de 100% da produção inicial da operação brasileira.

O momento chama atenção. Em 2 de setembro, um dia antes da conclusão do negócio, o Senado aprovou uma política para ampliar o processamento e a industrialização de minerais estratégicos dentro do Brasil.

A operação também alcança diretamente o setor de defesa: o Departamento de Guerra dos EUA destinou US$ 750 milhões à estrutura que comprará a produção e relacionou esses minerais a caças, mísseis, submarinos nucleares, navios de combate e drones.

Empresa americana conclui compra de Serra Verde

A aquisição deixou de ser apenas um acordo anunciado em abril. Em 4 de setembro, a USA Rare Earth confirmou a conclusão da combinação com a Serra Verde, efetivada no dia anterior.

Documentos apresentados à SEC detalham uma operação composta por US$ 300 milhões em dinheiro e 126,8 milhões de ações da companhia norte-americana.

A Serra Verde opera o projeto Pela Ema, em Minaçu, Goiás, onde produz neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. Esses elementos são utilizados na fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho.

Segundo a própria companhia, a Serra Verde é a única operação fora da Ásia que produz comercialmente os quatro elementos magnéticos em escala.

A RSM já acompanhava o negócio em abril, quando noticiou o acordo bilionário para a aquisição da produtora brasileira de terras raras.

Governo dos EUA garante produção por 15 anos

O controle empresarial não é o único movimento americano sobre a operação brasileira.

A Serra Verde também mantém um contrato de 15 anos com o governo dos Estados Unidos para 100% da produção da Fase I.

Segundo a documentação apresentada à SEC, o acordo estabelece preços mínimos para neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. As primeiras entregas são previstas para o quarto trimestre de 2026.

O percentual de 100% se refere à produção inicial da Serra Verde, e não às reservas brasileiras ou a futuras expansões da mina.

Departamento de Guerra liga minerais a caças e mísseis

A ligação com a defesa foi apresentada pelo próprio governo americano.

Em agosto, o Departamento de Guerra dos EUA anunciou um aporte de US$ 750 milhões na estrutura criada para comprar a produção da Serra Verde.

Washington considera terras raras desse tipo necessárias para sistemas como caças, submarinos nucleares, mísseis guiados, navios de combate, satélites e drones.

O aporte integra uma estrutura de até US$ 1,55 bilhão, que inclui financiamento bancário e um compromisso governamental de aquisição de pelo menos US$ 300 milhões em produtos de terras raras durante cinco anos.

O objetivo declarado pelos Estados Unidos é reduzir a dependência de cadeias dominadas pela China, hoje central no processamento mundial desses materiais.

Senado aprova política um dia antes da compra

A sequência de datas coloca o negócio no centro do debate brasileiro sobre soberania mineral.

Em julho, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o Brasil não abrirá mão da soberania sobre seus minerais estratégicos e defendeu maior industrialização e agregação de valor dentro do país.

Em 2 de setembro, o Senado aprovou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, voltada, entre outros objetivos, ao processamento e à transformação desses recursos no Brasil.

Em 3 de setembro, a USA Rare Earth concluiu a aquisição da Serra Verde.

Em 4 de setembro, a companhia anunciou oficialmente a conclusão da operação.

A soberania jurídica sobre os recursos minerais brasileiros permanece inalterada: eles pertencem à União e sua exploração continua sujeita às regras nacionais.

A questão industrial é diferente. A USA Rare Earth pretende integrar a produção de Goiás a uma cadeia que avança da separação dos elementos à fabricação de metais e ímãs permanentes.

É justamente nessas etapas de maior valor tecnológico que o Brasil tenta ampliar sua presença com a nova política de minerais estratégicos.

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