Foram oficiais da Marinha que trouxeram o escotismo ao Brasil, em 1912, cinco anos após o movimento nascer na Inglaterra.
Mais de um século depois, a Força Naval decidiu apostar novamente nessa relação: no último dia 3 de setembro, assinou um convênio de 5 anos (com validade até 2031) com a União dos Escoteiros do Brasil para fomentar a chamada “mentalidade marítima” entre os jovens do país.
O que é “mentalidade marítima”
Mentalidade marítima é como a Marinha chama o grau de conscientização da sociedade e dos governantes sobre a importância do Poder Marítimo para a vida da Nação. Ou seja, o entendimento sobre o valor dos recursos disponíveis no mar e nas águas interiores (como rios, lagoas, baías e enseadas) como instrumento militar, fator de desenvolvimento econômico e social, e garantia dos objetivos nacionais.
No acordo de cooperação, a Força Naval enfatiza se tratar de uma oportunidade de “fortalecer a imagem da Marinha perante um público de potencial considerável”.
E o potencial é mesmo grande: com mais de 57 milhões de adeptos ao redor do mundo, o escotismo é considerado o maior movimento de juventude do planeta.
No Brasil, segundo o relatório anual de 2025 dos Escoteiros do Brasil, são 93.674 associados atualmente, concentrados principalmente nas regiões Sudeste (41.305) e Sul (33.746).
Escoteiros do Mar
Os grupos de escoteiros são divididos em três modalidades: básica, do ar e do mar. Para essa última, a Marinha decidiu estabelecer uma distinção especial a ser oferecida, como forma de divulgar a instituição e também expandir a prática do escotismo do mar.
Nos grupos de Escoteiros do Mar, a ênfase está em atividades aquáticas que desenvolvem nos jovens o gosto por:
- Vida náutica
- Artes e técnicas marinheiras
- Navegação à vela e a motor
- Viagens e transportes náuticos
- Pesca
- Estudo da oceanografia
- Esportes náuticos e submarinos
Atualmente, cidades como Maceió (AL), Salvador (BA), João Pessoa (PB), Vitória (ES), Rio de Janeiro (RJ), Recife (PE), Niterói (RJ), Navegantes (SC), Manaus (AM), Belém (PA) e Santos (SP) contam com grupos de Escoteiros do Mar.

Uma peça do Plano Estratégico da Marinha para 2040
O fomento da mentalidade marítima na sociedade brasileira é uma das estratégias previstas no Plano Estratégico da Marinha 2040 (PEM 2040), lançado em 2020 durante o comando do Almirante de Esquadra Ilques Barbosa Junior.
No documento, formulado diretamente pelo Estado-Maior da Armada, a Marinha define a mentalidade marítima como um elemento intangível que deve ser fortalecido na sociedade e entre os atores marítimos, argumentando que o senso de pertencimento das pessoas à comunidade marítima brasileira favorece a ampliação desse poder em prol dos interesses nacionais.
Para os próximos 14 anos, o PEM 2040 prevê ações como:
- Interação com órgãos públicos, universidades e escolas
- Atuação proativa junto à comunidade marítima e a organismos nacionais e internacionais
- Aperfeiçoamento do Ensino Profissional Marítimo
- Apoio à presença brasileira na Antártica
- Fortalecimento da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar