Um navio de guerra chinês apareceu a cerca de 10 milhas náuticas de uma formação militar que reunia 11 embarcações de oito países durante um exercício no Mar do Sul da China em 23 de setembro. A aproximação ocorreu quando o grupo seguia para uma área de treinamento a aproximadamente 45 milhas náuticas do Scarborough Shoal, região disputada e chamada pelas Filipinas de Bajo de Masinloc.
A reação da Marinha das Filipinas saiu do roteiro habitual. A fragata BRP Jose Rizal, que liderava a formação, chamou o navio chinês pelo rádio e, além de estabelecer contato, fez um convite para que ele entrasse no exercício. O motivo: a China também integra o ADMM-Plus, fórum regional de defesa que organizava a atividade.
O navio da Marinha do Exército de Libertação Popular não respondeu ao chamado e permaneceu fora da formação. Segundo o comandante da força-tarefa combinada, capitão Miljun Peñaflorida, a presença chinesa não interrompeu as manobras planejadas.
BRP Jose Rizal chamou pelo rádio e transformou a abordagem em convite
O contato ocorreu durante a fase marítima do ASEAN Defense Ministers’ Meeting-Plus Experts’ Working Group on Maritime Security. Onze navios avançavam em direção à área de exercício quando a embarcação chinesa foi detectada nas proximidades.
Peñaflorida explicou a jornalistas a bordo da BRP Jose Rizal que o contato não servia apenas para identificar ou advertir a embarcação. Como a China faz parte do ADMM-Plus, a Marinha filipina também estava preparada para recebê-la dentro da formação caso houvesse resposta positiva.
A resposta não veio. A embarcação chinesa continuou fora da área reservada para as atividades, enquanto a força multinacional prosseguiu com o exercício.

Navio chinês ficou a cerca de 10 milhas e o exercício estava a 45 milhas de Scarborough
Segundo a cobertura da ABS-CBN News, o navio chinês foi visto a aproximadamente 10 milhas náuticas dos participantes. O grupo seguia para uma área de treinamento situada a cerca de 45 milhas náuticas de Scarborough Shoal.
Scarborough é um ponto sensível das disputas marítimas na região. As Filipinas usam o nome Bajo de Masinloc e incluem a área em seu discurso sobre o chamado Mar Ocidental das Filipinas, enquanto a China mantém reivindicações próprias no Mar do Sul da China.
As fontes consultadas não identificaram uma tentativa do navio chinês de entrar na formação. O relato filipino descreveu a embarcação como próxima do grupo e acompanhando a atividade à distância. A Marinha filipina afirmou que sua prioridade era manter o navio fora da caixa de exercício enquanto as manobras eram realizadas.
Onze navios de oito países formaram o grupo multinacional
A fase no mar reuniu forças de Filipinas, Estados Unidos, Austrália, Japão, Índia, Nova Zelândia, Singapura e Brunei. A BRP Jose Rizal ficou à frente da formação, acompanhada pelo navio de desembarque BRP Tarlac.
Os Estados Unidos participaram com o littoral combat ship USS Canberra e também empregaram um P-8A Poseidon. O Japão enviou o destróier porta-helicópteros JS Ise; a Índia levou a fragata INS Sahyadri e a corveta INS Kulish; a Austrália participou com a HMAS Perth.
Nova Zelândia, Singapura e Brunei completaram o grupo com a HMNZS Te Mana, o navio de apoio HMNZS Aotearoa, o RSS Justice e o patrulheiro KDB Darussalam.

Simulações incluíram evacuação médica, busca e salvamento e manobras em formação
O exercício foi além de uma simples navegação conjunta. A Marinha filipina informou que os navios executaram formações coordenadas, simulações operacionais e um exercício fotográfico para treinar manobra e comunicação entre forças de diferentes países.
Um helicóptero AW-159 da Marinha das Filipinas participou de uma evacuação médica simulada. A aeronave transportou uma vítima fictícia do JS Ise para a BRP Jose Rizal, onde o paciente seria recebido para avaliação e tratamento.
Também houve atividades voltadas a busca e salvamento, assistência a embarcações em dificuldade e operações de reabastecimento no mar. A proposta oficial do ADMM-Plus era aumentar interoperabilidade, troca de informações e capacidade de resposta conjunta a crises marítimas e desastres.
China esteve representada na abertura, mas não entrou na fase no mar
A programação começou em 20 de setembro e foi coorganizada por Filipinas e Japão. A cerimônia de abertura ocorreu no dia 21, em Olongapo City, com participação do secretário filipino de Defesa, Gilberto Teodoro Jr.
Representantes chineses estiveram presentes na abertura, segundo a cobertura filipina, mas a China não colocou um navio dentro da formação da fase marítima. Dois dias depois, uma embarcação militar chinesa apareceu próxima do grupo que navegava em direção à zona de treinamento.
O episódio criou uma cena incomum: um navio de um país integrante do mesmo mecanismo regional acompanhou a atividade do lado de fora, enquanto a Marinha anfitriã usava o rádio para convidá-lo a entrar.
Exercício continuou sem interrupção após o silêncio no rádio
Peñaflorida afirmou que a presença chinesa não provocou problema operacional e que as séries de treinamento previstas foram concluídas. O grupo continuou suas manobras depois que o navio chinês deixou o convite sem resposta.
O ADMM-Plus reúne os países da ASEAN e parceiros de diálogo para cooperação em segurança e defesa. Nesta edição, as atividades marítimas ocorreram entre 20 e 26 de setembro, com foco em segurança marítima, resposta a desastres e coordenação entre forças navais.
A aparição do navio chinês ocorreu em uma área marcada por disputas marítimas e presença militar frequente de diferentes países. Desta vez, o contato terminou sem confronto e sem alteração do exercício multinacional.
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