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Navio de guerra chinês aparece a apenas 10 milhas de um exercício naval com 11 embarcações de oito países, ignora chamado pelo rádio e transforma manobra no Mar do Sul da China em uma cena de tensão militar

Um navio de guerra chinês apareceu perto de uma formação de 11 embarcações de oito países no Mar do Sul da China. A Marinha das Filipinas chamou pelo rádio e o convidou a participar, mas não recebeu resposta.

Noel Budeguer
Por Noel Budeguer 25/09/2026 às 19:02
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Navio de guerra chinês aparece a apenas 10 milhas de um exercício naval com 11 embarcações de oito países, ignora chamado pelo rádio e transforma manobra no Mar do Sul da China em uma cena de tensão militar
Navios de guerra navegam em formação durante exercício naval multinacional no Mar do Sul da China. Imagem ilustrativa.

Um navio de guerra chinês apareceu a cerca de 10 milhas náuticas de uma formação militar que reunia 11 embarcações de oito países durante um exercício no Mar do Sul da China em 23 de setembro. A aproximação ocorreu quando o grupo seguia para uma área de treinamento a aproximadamente 45 milhas náuticas do Scarborough Shoal, região disputada e chamada pelas Filipinas de Bajo de Masinloc.

A reação da Marinha das Filipinas saiu do roteiro habitual. A fragata BRP Jose Rizal, que liderava a formação, chamou o navio chinês pelo rádio e, além de estabelecer contato, fez um convite para que ele entrasse no exercício. O motivo: a China também integra o ADMM-Plus, fórum regional de defesa que organizava a atividade.

O navio da Marinha do Exército de Libertação Popular não respondeu ao chamado e permaneceu fora da formação. Segundo o comandante da força-tarefa combinada, capitão Miljun Peñaflorida, a presença chinesa não interrompeu as manobras planejadas.

BRP Jose Rizal chamou pelo rádio e transformou a abordagem em convite

O contato ocorreu durante a fase marítima do ASEAN Defense Ministers’ Meeting-Plus Experts’ Working Group on Maritime Security. Onze navios avançavam em direção à área de exercício quando a embarcação chinesa foi detectada nas proximidades.

Peñaflorida explicou a jornalistas a bordo da BRP Jose Rizal que o contato não servia apenas para identificar ou advertir a embarcação. Como a China faz parte do ADMM-Plus, a Marinha filipina também estava preparada para recebê-la dentro da formação caso houvesse resposta positiva.

A resposta não veio. A embarcação chinesa continuou fora da área reservada para as atividades, enquanto a força multinacional prosseguiu com o exercício.

Navios de guerra navegam em formação durante exercício militar conjunto no Mar do Sul da China, região marcada por disputas territoriais e intensa presença naval. Crédito: divulgação.
Navios de guerra navegam em formação durante exercício militar conjunto no Mar do Sul da China, região marcada por disputas territoriais e intensa presença naval. Crédito: divulgação.

Navio chinês ficou a cerca de 10 milhas e o exercício estava a 45 milhas de Scarborough

Segundo a cobertura da ABS-CBN News, o navio chinês foi visto a aproximadamente 10 milhas náuticas dos participantes. O grupo seguia para uma área de treinamento situada a cerca de 45 milhas náuticas de Scarborough Shoal.

Scarborough é um ponto sensível das disputas marítimas na região. As Filipinas usam o nome Bajo de Masinloc e incluem a área em seu discurso sobre o chamado Mar Ocidental das Filipinas, enquanto a China mantém reivindicações próprias no Mar do Sul da China.

As fontes consultadas não identificaram uma tentativa do navio chinês de entrar na formação. O relato filipino descreveu a embarcação como próxima do grupo e acompanhando a atividade à distância. A Marinha filipina afirmou que sua prioridade era manter o navio fora da caixa de exercício enquanto as manobras eram realizadas.

Onze navios de oito países formaram o grupo multinacional

A fase no mar reuniu forças de Filipinas, Estados Unidos, Austrália, Japão, Índia, Nova Zelândia, Singapura e Brunei. A BRP Jose Rizal ficou à frente da formação, acompanhada pelo navio de desembarque BRP Tarlac.

Os Estados Unidos participaram com o littoral combat ship USS Canberra e também empregaram um P-8A Poseidon. O Japão enviou o destróier porta-helicópteros JS Ise; a Índia levou a fragata INS Sahyadri e a corveta INS Kulish; a Austrália participou com a HMAS Perth.

Nova Zelândia, Singapura e Brunei completaram o grupo com a HMNZS Te Mana, o navio de apoio HMNZS Aotearoa, o RSS Justice e o patrulheiro KDB Darussalam.

Três navios militares navegam no mar enquanto uma aeronave sobrevoa a formação durante o exercício ADMM-Plus nas Filipinas.
Navios de diferentes países e uma aeronave participam da fase marítima do ADMM-Plus nas Filipinas em 23 de setembro de 2026. Crédito: U.S. Navy / Mass Communication Specialist 1st Class Dakota David.

Simulações incluíram evacuação médica, busca e salvamento e manobras em formação

O exercício foi além de uma simples navegação conjunta. A Marinha filipina informou que os navios executaram formações coordenadas, simulações operacionais e um exercício fotográfico para treinar manobra e comunicação entre forças de diferentes países.

Um helicóptero AW-159 da Marinha das Filipinas participou de uma evacuação médica simulada. A aeronave transportou uma vítima fictícia do JS Ise para a BRP Jose Rizal, onde o paciente seria recebido para avaliação e tratamento.

Também houve atividades voltadas a busca e salvamento, assistência a embarcações em dificuldade e operações de reabastecimento no mar. A proposta oficial do ADMM-Plus era aumentar interoperabilidade, troca de informações e capacidade de resposta conjunta a crises marítimas e desastres.

China esteve representada na abertura, mas não entrou na fase no mar

A programação começou em 20 de setembro e foi coorganizada por Filipinas e Japão. A cerimônia de abertura ocorreu no dia 21, em Olongapo City, com participação do secretário filipino de Defesa, Gilberto Teodoro Jr.

Representantes chineses estiveram presentes na abertura, segundo a cobertura filipina, mas a China não colocou um navio dentro da formação da fase marítima. Dois dias depois, uma embarcação militar chinesa apareceu próxima do grupo que navegava em direção à zona de treinamento.

O episódio criou uma cena incomum: um navio de um país integrante do mesmo mecanismo regional acompanhou a atividade do lado de fora, enquanto a Marinha anfitriã usava o rádio para convidá-lo a entrar.

Exercício continuou sem interrupção após o silêncio no rádio

Peñaflorida afirmou que a presença chinesa não provocou problema operacional e que as séries de treinamento previstas foram concluídas. O grupo continuou suas manobras depois que o navio chinês deixou o convite sem resposta.

O ADMM-Plus reúne os países da ASEAN e parceiros de diálogo para cooperação em segurança e defesa. Nesta edição, as atividades marítimas ocorreram entre 20 e 26 de setembro, com foco em segurança marítima, resposta a desastres e coordenação entre forças navais.

A aparição do navio chinês ocorreu em uma área marcada por disputas marítimas e presença militar frequente de diferentes países. Desta vez, o contato terminou sem confronto e sem alteração do exercício multinacional.

Você acha que o convite por rádio foi uma boa forma de lidar com a presença do navio chinês? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a matéria com quem acompanha os movimentos militares no Indo-Pacífico.

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