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Com R$ 800 bilhões para a Defesa, Brasil poderia ter 114 caças, 8 submarinos e 2.000 drones de ataque, revela estudo

Estudo de modernização militar detalha como distribuir R$ 800 bilhões em investimentos na defesa brasileira ao longo de 15 anos. A proposta prevê novas capacidades de combate, produção nacional de armamentos e uma transformação das Forças Armadas até 2041.

Com R$ 800 bilhões para a Defesa, Brasil poderia ter 114 caças, 8 submarinos e 2.000 drones de ataque, revela estudo
Presidente Lula ao lado de militar da FAB diante de um caça F-39 Gripen. Novo estudo propõe R$ 800 bilhões em investimentos na Defesa brasileira até 2041. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Uma estimativa de R$ 800 bilhões apresentada pelos comandantes militares ao governo Lula, em janeiro de 2026, serviu de referência para um novo estudo que busca responder a uma questão: que Forças Armadas o Brasil poderia construir com esse dinheiro ao longo de 15 anos?

A resposta envolve uma transformação das capacidades de defesa do país, com maior poder aéreo, reforço da presença naval no Atlântico Sul, proteção contra ataques e produção nacional de armamentos de longo alcance.

O cenário foi detalhado pelo Forças de Defesa — Núcleo de Estudos Estratégicos, em análise publicada nesta segunda-feira (19) no Poder Naval. O documento projeta investimentos entre 2027 e 2041, mas não representa um programa de aquisições aprovado pelo governo brasileiro.

Brasil poderia reunir 114 caças, incluindo 12 para a Marinha

Caça F-39 Gripen da Força Aérea Brasileira em voo, com bandeira do Brasil na cauda e trem de pouso acionado
Caça F-39 Gripen da Força Aérea Brasileira. Estudo de modernização da Defesa propõe uma força de 114 caças, incluindo 102 para a FAB e 12 para a Aviação Naval.

A Força Aérea Brasileira receberia R$ 268 bilhões, com uma das principais mudanças concentrada na aviação de combate.

A proposta prevê uma frota de 66 Gripen E/F e outros 36 caças com requisitos de quinta geração, escolhidos entre alternativas como o sul-coreano KF-21 Block III, o chinês J-35A e o turco KAAN.

A conta de 114 aeronaves inclui 102 caças para a FAB e outros 12 Gripen E destinados à Aviação Naval, que operariam a partir de bases terrestres.

Além de ampliar a frota, o objetivo seria fortalecer a capacidade de interceptação, vigilância e ataque, acompanhada de radares, sistemas de comunicação e infraestrutura para manter os aviões operacionais.

Marinha receberia R$ 271 bilhões para submarinos nucleares e novas fragatas

Submarino e navios de guerra da Marinha do Brasil atracados em porto militar de Mar del Plata
Submarino e navios de guerra da Marinha do Brasil. Estudo propõe R$ 271 bilhões para ampliar as capacidades navais do país, incluindo submarinos e novas fragatas.

A maior fatia dos investimentos ficaria com a Marinha, responsável por proteger uma extensa área marítima onde se concentram rotas comerciais, recursos energéticos e interesses estratégicos do Brasil.

O estudo projeta uma força de oito submarinos modernos, sendo seis convencionais e dois de propulsão nuclear, além de 12 fragatas.

A futura esquadra reuniria oito embarcações da classe Tamandaré e quatro fragatas FREMM EVO, ampliando a capacidade de vigilância, defesa e combate no Atlântico Sul.

Os números incluem unidades de programas existentes e novas aquisições propostas, não apenas equipamentos adicionais aos atualmente previstos.

Exército teria 2.000 drones de ataque, mísseis e novos blindados

Blindado de combate Centauro II 8x8 equipado com canhão de 120 mm durante deslocamento em terreno irregular
Blindado Centauro II equipado com canhão de 120 mm. O veículo ilustra a modernização das forças terrestres, tema de estudo que propõe R$ 148 bilhões em investimentos para o Exército Brasileiro.

Em terra, a prioridade seria combinar maior poder de ataque com proteção contra aeronaves, mísseis e drones inimigos.

O Exército receberia R$ 148 bilhões para modernização de suas capacidades, incluindo sistemas de defesa antiaérea, 400 novas viaturas Guarani, 80 blindados CV90120 e uma meta de 400 mísseis táticos de cruzeiro para o sistema ASTROS.

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Um dos projetos mais ambiciosos envolve o desenvolvimento de uma família brasileira de 2.000 drones de ataque unidirecional de longo alcance.

O estudo reserva recursos para pesquisa, desenvolvimento e produção nacional dessas aeronaves não tripuladas, com o objetivo de permitir ataques a alvos distantes sem expor diretamente tripulações.

As 2.000 unidades representam uma meta acumulada ao longo de 15 anos, incluindo reposições, e não um estoque necessariamente disponível de uma só vez.

Marinha e FAB concentrariam 67% dos R$ 800 bilhões destinados à Defesa

A distribuição dos recursos revela uma prioridade: reforçar a capacidade brasileira de controlar seu espaço aéreo e proteger o Atlântico Sul.

Juntas, Marinha e Aeronáutica absorveriam R$ 539 bilhões, aproximadamente 67% de todo o investimento previsto.

Outros R$ 60 bilhões seriam destinados a capacidades conjuntas, incluindo satélites, comunicações e infraestrutura tecnológica. Os R$ 53 bilhões restantes formariam uma reserva para contingências.

O planejamento equivale a uma média de R$ 53,3 bilhões anuais, em valores de 2026, incluindo compromissos de programas já existentes. A quantia não representa integralmente recursos adicionais ao orçamento atual.

A dimensão do desafio ganha perspectiva diante dos gastos anteriores. Conforme levantamento publicado pela Revista Sociedade Militar em março de 2026, o Brasil acumulou quase R$ 1 trilhão em despesas de defesa ao longo da década anterior. Aquele valor abrange gastos históricos mais amplos, enquanto o novo estudo apresenta uma proposta específica de modernização para os próximos 15 anos.

O que falta para transformar os R$ 800 bilhões em poder militar?

A proposta apresenta um cenário de modernização da defesa brasileira, mas sua execução dependeria de decisões políticas, disponibilidade orçamentária, contratos e continuidade dos investimentos ao longo de diferentes governos.

Há também incertezas importantes nos custos de tecnologias ainda em desenvolvimento, particularmente nos futuros caças, drones e submarinos nucleares.

O desafio vai além de comprar novos equipamentos. Envolve fortalecer a indústria nacional de defesa, obter acesso a tecnologias estratégicas e garantir que os armamentos possam ser mantidos e operados ao longo de décadas.

A escolha de uma nova geração de caças, a construção de um segundo submarino nuclear e o desenvolvimento de drones brasileiros de longo alcance representam caminhos distintos para ampliar o poder militar do país.

O estudo apresenta os números de uma possível transformação. Mas são as escolhas por trás de cada armamento, os obstáculos para produzi-lo e sua capacidade real de entrar em operação que determinarão que tipo de poder militar o Brasil poderá ter em 2041.

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