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Marinha do Brasil acompanha barco-robô português que varre o fundo do mar com sonar sem ninguém a bordo e leva experiência para aprimorar seu sistema de embarcações autônomas

Militares do CASNAV acompanharam em Portugal o barco não tripulado Trator do Mar, controlado de outra localidade. A experiência deve apoiar o PRISMA, sistema brasileiro que permite operar embarcações a distância

Bassani
Por Bassani 20/10/2026 às 00:20
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Marinha do Brasil acompanha barco-robô português que varre o fundo do mar com sonar sem ninguém a bordo e leva experiência para aprimorar seu sistema de embarcações autônomas
Militares do CASNAV acompanharam em Portugal o barco não tripulado Trator do Mar, controlado de outra localidade. A experiência deve apoiar o PRISMA, sistema brasileiro que permite operar embarcações a distância

A Marinha do Brasil acompanhou, em Portugal, a operação remota do barco-robô Trator do Mar durante o exercício REPMUS 2026. Sem tripulantes a bordo, a embarcação realizou varreduras do fundo do mar com sonar na região de Sesimbra, enquanto era controlada por operadores instalados em Troia. A participação de militares do Centro de Análises de Sistemas Navais (CASNAV) ocorreu entre 14 e 21 de setembro.

Segundo relato divulgado em 19 de outubro, a experiência reuniu informações que poderão contribuir para o aperfeiçoamento do PRISMA, sistema brasileiro destinado ao controle remoto de embarcações não tripuladas.

O barco fica na superfície; o sonar olha para baixo

O nome chama atenção, mas a tarefa não tem relação com remover terra. A embarcação carrega equipamentos capazes de investigar o que existe debaixo d’água sem depender de uma câmera para enxergar o fundo.

O sonar multifeixe funciona emitindo vários pulsos de som em forma de leque. Eles atingem o fundo ou objetos submersos e retornam como ecos. O tempo dessa viagem ajuda a calcular profundidades; o conjunto das medições permite construir mapas do relevo submarino.

É como trocar uma única linha de medição por uma faixa de observação. Segundo a agência oceanográfica americana NOAA, o sistema alcança a área sob a embarcação e também as laterais. A tecnologia auxilia na elaboração de cartas náuticas e na identificação de obstáculos à navegação.

O Brasil já controla barcos sem precisar de um piloto a bordo

O interesse brasileiro não começa do zero. Desenvolvido pelo CASNAV, o PRISMA, sigla de Plataforma Remota de Interface para Sistemas Marítimos Autônomos, permite converter embarcações convencionais em veículos de superfície não tripulados.

Em setembro, uma demonstração apresentada a representantes do Exército utilizou uma van adaptada como estação de controle. A embarcação navegou de forma autônoma e depois recebeu comandos remotos do general de brigada Pablo José Lira de Almeida, diretor de Material de Engenharia do Exército.

A diferença é importante: sem tripulação não significa necessariamente sem intervenção humana. No controle remoto, alguém conduz o veículo à distância. Já o modo autônomo permite executar a navegação por meio dos sistemas embarcados. Uma mesma plataforma pode trabalhar com diferentes níveis de participação do operador.

Naquela apresentação, o Exército avaliava o possível uso da tecnologia para vigilância e reconhecimento em rios da região Norte. Era uma avaliação de emprego, não o anúncio de uma frota nova em operação na Amazônia.

Controlar o barco é só uma parte do desafio do Centro de Análises de Sistemas Navais

O CASNAV observou recursos para coordenar vários veículos, integrar sensores e transportar estações de controle. A experiência interessa ao planejamento de missões e ao acompanhamento dos equipamentos do PRISMA.

Em uma operação com vários robôs, não basta cada um navegar sozinho. É preciso compartilhar informações e fazer os equipamentos da Marinha do Brasil trabalharem em conjunto. Essa foi uma das prioridades do REPMUS 2026, de acordo com a OTAN.

O exercício reuniu mais de 1.500 participantes, incluindo militares, pesquisadores e empresas. A programação completa ocorreu de 31 de agosto a 25 de setembro, sob liderança da Marinha Portuguesa, e incluiu veículos aéreos, de superfície e submarinos. A equipe brasileira acompanhou parte desse período.

A inteligência artificial entra como ajuda para navegação

Outra frente brasileira procura dar ao operador mais informação sobre o que está ao redor da embarcação. Em junho, o CASNAV recebeu pesquisadores da Universidade de Brasília e do Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás, além de representantes da DGS Defense.

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O objetivo da cooperação é integrar ao PRISMA um módulo capaz de identificar, classificar e acompanhar embarcações e obstáculos. A proposta também prevê sugestões de manobra para ajudar a evitar colisões. Trata-se de uma capacidade em desenvolvimento, conforme o comunicado oficial.

Na mesma visita, o sistema controlou uma embarcação virtual em simulador. Isso abre espaço para testar mudanças antes de levar o equipamento ao mar, reduzindo a necessidade de ensaios reais em cada etapa.

A vantagem de retirar a tripulação de uma embarcação não se resume ao aspecto tecnológico. Em missões de risco, o objetivo é reduzir a exposição dos militares, como destaca a Marinha ao apresentar o PRISMA. A decisão humana continua importante, mesmo quando o operador está longe do casco.

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