Depois de sete anos como sargento no Exército Brasileiro, Viviane Vivaz Milhomem Spieldenner precisou voltar à formação básica para vestir outra farda. Natural de Marabá, no Pará, ela encerrou seu período de serviço no Brasil em 2024, mudou-se para os Estados Unidos, obteve o Green Card e ingressou no US Army em outubro de 2025.
A trajetória foi detalhada pelo Correio de Carajás em 15 de outubro de 2026. Na ocasião, a brasileira já havia passado pelo treinamento básico em Fort Jackson, na Carolina do Sul, e frequentava uma segunda etapa de formação militar na Virgínia. O caso revela uma diferença importante: experiência adquirida em um Exército não significa transferência automática para outro.
Da administração militar às atividades de engenharia no Pará
Viviane serviu no 1º Grupo de Artilharia de Campanha, em Marabá, entre 2017 e 2024. Nos primeiros cinco anos, trabalhou com licitações, contratos e processos de contratação, inclusive na função de pregoeira. Nos dois últimos, passou a atuar na área de engenharia.
Ela é formada em Engenharia Civil e Ciências Contábeis, além de possuir pós-graduação em Direito Público, com ênfase em contratos e licitações. Embora suas principais responsabilidades estivessem relacionadas a atividades técnicas e administrativas, a rotina também incluiu treinamentos militares fora dos quartéis.

Seis dias na selva amazônica e treinamento de sobrevivência
Na 23ª Brigada de Infantaria de Selva, Viviane participou de atividades de adaptação à floresta amazônica. Em entrevista ao UOL, publicada em janeiro de 2025, descreveu a exigência física e emocional da experiência:
“Essas práticas exigiram preparo físico, equilíbrio emocional e a capacidade de se adaptar a condições extremas, proporcionando aprendizado único.”
A declaração se refere a seis dias de imersão na selva, com instruções para construir abrigos, buscar água potável, obter alimentos e orientar-se na mata. A formação também incluiu caminhadas e marchas de resistência. Segundo seu relato, houve contato com animais como serpentes, jacarés e onças.
Green Card abriu caminho, mas não dispensou processo seletivo
Ao se estabelecer nos Estados Unidos, Viviane obteve a residência permanente legal, comprovada pelo Green Card. Esse documento é uma das condições para que estrangeiros possam se alistar no Exército americano sem já possuir a cidadania do país.
Conforme as regras oficiais do US Army, o candidato também precisa cumprir critérios de escolaridade, saúde e aptidão, além de realizar o exame ASVAB, aplicado em inglês. A pontuação ajuda a definir as funções militares para as quais pode ser selecionado. Ter servido no Brasil não substitui essas exigências.
A Revista Sociedade Militar já explicou quais são as regras de ingresso de brasileiros nas Forças Armadas dos EUA, incluindo as condições migratórias e a diferença entre residência permanente e naturalização.
Ex-sargento explica por que teve de começar novamente

Viviane afirmou que a vivência no Exército Brasileiro foi útil para enfrentar a adaptação, mas não lhe deu o direito de ingressar diretamente em uma graduação equivalente na nova força. Em vídeo mencionado pelo Correio de Carajás, ela esclareceu:
“Eu acredito que a experiência de ter servido no Exército Brasileiro me ajudou de alguma forma, mas ela não me transfere, ela apenas me prepara.”
A fala distingue duas situações que podem ser confundidas: participar de um curso no exterior enquanto se permanece vinculado ao Exército Brasileiro e encerrar esse vínculo para alistar-se em uma força estrangeira. No segundo caso, o ingresso depende das regras do país que recebe o candidato.
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Formação básica na Carolina do Sul e especialização na Virgínia
Após ser aceita pelo US Army, Viviane cumpriu a formação básica em Fort Jackson, com instruções de disciplina, condicionamento físico e conhecimentos militares. Essa etapa dura normalmente cerca de dez semanas.
Em seguida, foi para Fort Lee, na Virgínia, onde realizava o Advanced Individual Training (AIT) quando a reportagem foi publicada. Segundo o Exército americano, essa fase prepara o militar para sua especialidade e pode durar de quatro a 52 semanas, conforme a função. Não foi divulgada a especialidade escolhida por Viviane nem a graduação que ocupava naquele momento.
Nova carreira também trouxe distância da família e de Marabá
Nas redes sociais, onde mantém conteúdos sob o nome ViviFlix, a brasileira compartilha aspectos do cotidiano e responde a dúvidas sobre a vida no Exército americano. Ao Correio de Carajás, declarou orgulho de sua origem e de levar o nome de Marabá para outros lugares.
Mas também relatou o custo pessoal da mudança. Perto de completar dois anos sem visitar o Brasil, falou sobre a saudade da família, os abraços adiados e os acontecimentos que não pôde acompanhar de perto. No relato, reconheceu que realizar um sonho envolve perdas que nem sempre aparecem nas redes sociais.
Em outubro de 2026, Viviane permanecia em formação avançada nos Estados Unidos. Sete anos de experiência no Brasil ajudaram sua preparação, mas não eliminaram as exigências para começar uma nova carreira militar em outro país.
Essa turma de “patriotas” tem de perder a cidadania brasileira, se não depois vêem pra cá por isso cavalos de Tróia….