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Após problemas com fornecedor estrangeiro, Brasil desenvolve propelente para míssil anticarro e Exército fecha novo acordo para fabricar componente dominado por poucos países

Alisson Ficher
Por Alisson Ficher 11/10/2026 às 23:50
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Após problemas com fornecedor estrangeiro, Brasil desenvolve propelente para míssil anticarro e Exército fecha novo acordo para fabricar componente dominado por poucos países
Militar brasileiro realiza disparo do míssil anticarro MAX 1.2 AC, desenvolvido no país e utilizado pelo Exército Brasileiro. Créditos: Foto: Reprodução / Infodefensa.

Um atraso envolvendo um fornecedor estrangeiro acabou abrindo espaço para a indústria militar brasileira dentro de um de seus principais programas de armamentos. A IMBEL desenvolveu um propelente destinado ao míssil anticarro MAX 1.2 AC e afirma que o produto já está sendo comercializado. A novidade aparece em um momento em que o Exército também avança na fabricação nacional de outro componente importante do sistema, uma fonte de energia desenvolvida no Brasil e cuja tecnologia é dominada por um grupo restrito de países.

Os dois movimentos envolvem partes diferentes do mesmo armamento e mostram como a produção de um míssil depende de uma cadeia industrial que vai muito além da montagem de sua estrutura externa.

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De um lado está o propelente, responsável por fornecer a energia necessária ao movimento do foguete. Do outro, uma pilha térmica, utilizada para alimentar circuitos eletrônicos durante o funcionamento de determinados sistemas militares.

A novidade sobre o propelente foi apresentada pela tenente-coronel Marília Vilas Boas, assessora de Relações Institucionais da Indústria de Material Bélico do Brasil (IMBEL), durante entrevista ao ABIMDE Cast.

Segundo reportagem publicada pela LRCA Defense Consulting em 9 de outubro, a representante explicou que a aproximação com o programa MAX ocorreu após dificuldades provocadas pelo atraso de um fornecedor internacional.

A estatal brasileira desenvolveu uma solução própria e passou a comercializar o produto.

IMBEL entra na cadeia de produção do míssil brasileiro

O MAX 1.2 AC é um míssil anticarro desenvolvido no Brasil para emprego contra veículos blindados e outros alvos terrestres.

O projeto envolve o Centro Tecnológico do Exército (CTEx) e a empresa brasileira SIATT, responsável pela fabricação e integração do sistema.

O armamento já começou a chegar às unidades militares.

Em maio de 2026, a SIATT realizou a entrega do primeiro lote de produção ao Exército Brasileiro, em Formosa, Goiás. Uma segunda remessa foi entregue em setembro, dentro de um contrato que também contempla equipamentos de lançamento, simuladores e adaptações para viaturas.

Segundo o portal Defesa em Foco, o contrato de fornecimento do sistema de armas MAX 1.2 AC tem valor aproximado de R$ 54,1 milhões, conforme informações do Portal da Transparência.

É nesse programa que a IMBEL passou a atuar com seu propelente.

O produto está ligado a uma das etapas fundamentais do funcionamento do míssil. A fabricação de materiais energéticos exige capacidade industrial especializada e controle rigoroso dos processos de produção.

A IMBEL já possui experiência nesse setor por meio de suas unidades industriais, incluindo a Fábrica Presidente Vargas, em Piquete, no interior de São Paulo.

A entrada no programa MAX amplia a utilização dessa estrutura em projetos de armamentos guiados desenvolvidos no país.

A entrevista, entretanto, não informou quantidades comercializadas, valores contratuais ou quais lotes do míssil já utilizam o propelente apresentado pela estatal.

Exército firma acordo para produzir outra tecnologia estratégica

Enquanto a IMBEL amplia sua participação no fornecimento de propelentes, o Exército trabalha para levar outro componente brasileiro à produção industrial.

Em 7 de outubro de 2026, o Centro Tecnológico do Exército e a SIATT formalizaram um Acordo de Parceria para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação voltado à fabricação de pilhas térmicas, conforme informações divulgadas pelo GBN Defense.

A tecnologia foi desenvolvida pelo Laboratório de Química Militar do CTEx e possui aplicação prevista no mesmo míssil anticarro MAX 1.2 AC.

O diferencial dessas pilhas está na capacidade de permanecer armazenadas por longos períodos e fornecer energia quando acionadas.

Durante o armazenamento, elas permanecem inativas. No momento de utilização, um processo térmico permite que seus componentes internos passem a conduzir energia elétrica, alimentando os circuitos necessários ao funcionamento do equipamento.

Essa característica é importante em determinados armamentos militares que precisam permanecer estocados durante anos e funcionar quando forem empregados.

O desenvolvimento brasileiro não começou agora.

A pesquisa é resultado de trabalhos realizados ao longo de décadas pelo Exército, e o avanço anunciado em outubro representa a passagem para uma nova etapa: transformar o conhecimento tecnológico acumulado nos laboratórios em uma capacidade de fabricação industrial.

A parceria com a SIATT busca justamente aproximar essas duas áreas.

Produção nacional busca diminuir dependência de fornecedores externos

A fabricação de componentes especializados sempre foi uma das dificuldades enfrentadas por países que desenvolvem seus próprios sistemas de armas.

Mesmo quando possuem capacidade para projetar e montar equipamentos militares, as indústrias podem continuar dependendo de fornecedores internacionais para determinadas peças, matérias-primas e tecnologias.

Essa dependência ganha importância quando aparecem atrasos comerciais, restrições à transferência de tecnologia ou dificuldades de fornecimento.

O caso relatado pela IMBEL mostra uma situação concreta desse tipo: um problema na entrega de um componente estrangeiro levou à participação da empresa brasileira no desenvolvimento de um novo produto.

Já a parceria entre o CTEx e a SIATT busca transformar uma tecnologia pesquisada dentro do Exército em um componente fabricado nacionalmente.

O acordo de outubro ainda não estabelece uma data pública para o início da produção em série das pilhas térmicas. Também não foram divulgados o investimento necessário, a capacidade anual prevista ou a localização da futura fabricação.

A iniciativa abre, porém, uma nova etapa para um projeto que já possui demanda militar.

MAX já está sendo entregue ao Exército e pode receber novos componentes brasileiros

A SIATT mantém instalações industriais em São José dos Campos e Caçapava, no interior paulista, onde desenvolve e produz sistemas militares, incluindo o MAX 1.2 AC.

Em outubro, representantes do Exército também visitaram as instalações da fabricante para conhecer suas capacidades de produção e integração de armamentos.

A agenda aconteceu depois das entregas dos dois primeiros lotes do míssil anticarro, dentro do contrato que segue em execução.

O desenvolvimento das pilhas térmicas poderá beneficiar não apenas o MAX, mas também futuros sistemas militares que utilizem fontes de energia com características semelhantes.

Por enquanto, a prioridade identificada no acordo é o míssil anticarro brasileiro.

A próxima etapa será avançar da parceria tecnológica para a fabricação e qualificação industrial das pilhas. Já no caso do propelente apresentado pela IMBEL, a expectativa é que novas informações sobre os produtos comercializados e outros projetos da estatal sejam divulgadas durante a 9ª Mostra BID Brasil, programada para os dias 24 a 26 de novembro, em Brasília.

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