Um ex-capitão do Exército do Chile defendeu a invasão da Argentina para tomar o controle de campos de petróleo e garantir o abastecimento energético chileno. O alvo seria Vaca Muerta, uma das principais regiões produtoras de petróleo e gás da América do Sul.
O protagonista é José Miguel Pizarro Ovalle, ex-militar que já foi condenado pela Justiça chilena por recrutar homens para serviços de segurança durante a guerra do Iraque. Suas declarações, feitas anteriormente em vídeo, ganharam nova repercussão na imprensa argentina em outubro de 2026.
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A proposta não representa uma decisão do governo chileno. Segundo reportagem publicada pelo portal argentino Bardeo em 11 de outubro, Pizarro defendeu uma intervenção militar caso a Argentina interrompesse o fornecimento de petróleo e gás ao país vizinho.
Ex-capitão propõe invadir a Argentina e ocupar campos de petróleo
Pizarro apresentou um cenário no qual a Argentina poderia suspender suas exportações de energia para o Chile.
Diante dessa hipótese, defendeu uma operação militar rápida para capturar instalações petrolíferas e assegurar a continuidade do abastecimento.
A proposta envolveria a entrada de forças terrestres chilenas em território argentino, seguida pela ocupação de áreas produtoras de petróleo.
Ocupação poderia durar anos e provocar guerra regional
O próprio ex-capitão reconheceu que uma operação desse tipo exigiria muito mais do que conquistar os poços.
Seria necessário manter tropas, combustível, munições e suprimentos durante um período prolongado.
Pizarro também mencionou a possibilidade de um efeito dominó de conflitos na América do Sul, especialmente diante de eventuais reações do Peru.
Entretanto, admitiu que o Chile não possui atualmente todos os recursos logísticos e militares necessários para sustentar uma ocupação dessa dimensão.
As declarações já circulavam no primeiro semestre de 2026. Portanto, não constituem o anúncio de uma nova operação militar chilena.
Separadamente, outra controvérsia passou a marcar as relações entre Chile e Argentina em outubro. O navio chileno Danstar, que pretende navegar até as Malvinas, provocou alertas sobre uma possível abordagem argentina. Os dois episódios têm origens distintas e não há evidências de uma ligação operacional entre eles.
Quem é o ex-capitão que recrutou homens para a guerra do Iraque?
José Miguel Pizarro Ovalle ganhou notoriedade por sua participação no recrutamento de chilenos para trabalhar em serviços de segurança privada no Iraque.
Sua atuação estava ligada à empresa Red Táctica, que selecionava candidatos com experiência militar para trabalhar no país durante o conflito.
O recrutamento chamou a atenção das autoridades chilenas e acabou sendo investigado pela Justiça.
Corte Suprema confirmou condenação em 2011
Em janeiro de 2011, a Corte Suprema do Chile confirmou a condenação de Pizarro por infringir a legislação sobre vigilantes privados.
A sentença estabeleceu 61 dias de prisão com remissão condicional da pena e multa de 200 unidades tributárias mensais.
Segundo a reportagem publicada pelo Emol sobre a decisão judicial, a Justiça confirmou irregularidades no recrutamento de chilenos para atividades de vigilância no Iraque.
A condenação não foi especificamente pelo crime de recrutamento de mercenários, mas por violações da legislação chilena de segurança privada.
Chile assinou acordo de US$ 12 bilhões para comprar petróleo argentino
A importância estratégica do petróleo argentino para o Chile vai muito além das declarações de Pizarro.
Em dezembro de 2025, a estatal chilena ENAP anunciou contratos de aproximadamente US$ 12 bilhões com YPF, Vista Energy, Shell Argentina e Equinor.
Os acordos preveem o fornecimento de petróleo proveniente de Vaca Muerta até junho de 2033.
Segundo o comunicado oficial da ENAP, o volume contratado deverá representar cerca de 35% da demanda anual de petróleo bruto da companhia.
O valor corresponde à projeção dos contratos ao longo de vários anos, não a um pagamento único.
Oleoduto atravessa os Andes para abastecer o Chile
O petróleo argentino chega ao Chile por meio do Oleoduto Trasandino, que possui mais de 400 quilômetros de extensão.
A infraestrutura liga a região argentina de Neuquén às instalações da ENAP em Hualpén, no Chile.
Depois de 17 anos de inatividade, o oleoduto voltou a operar em 2023.
Essa ligação ajuda a explicar por que Vaca Muerta ocupa uma posição importante na segurança energética chilena.
Chile teria capacidade militar para ocupar Vaca Muerta?
Uma eventual invasão enfrentaria obstáculos consideráveis.
Vaca Muerta não é um único poço, mas uma extensa formação geológica com instalações petrolíferas distribuídas principalmente pela província argentina de Neuquén.
O controle prolongado dessas instalações exigiria logística permanente, proteção de infraestrutura e capacidade de enfrentar uma eventual reação das forças argentinas.
A proteção de recursos naturais também faz parte de exercícios militares na região. No Arandú 2026, Brasil e Argentina mobilizam tanques, blindados e tropas em um cenário fictício de defesa de recursos estratégicos, conforme documentos oficiais dos dois países.
Além das dificuldades militares, uma invasão representaria uma grave violação da soberania argentina e poderia desencadear uma crise diplomática regional.
Não há evidências de que o governo ou as Forças Armadas do Chile tenham adotado a proposta de Pizarro.
Enquanto o ex-capitão defende a hipótese de ocupar militarmente campos petrolíferos argentinos, o Chile aposta em contratos bilionários para garantir o fornecimento de petróleo de Vaca Muerta.
A proposta individual contrasta com a cooperação energética que os dois países mantêm por meio de empresas, acordos comerciais e infraestrutura compartilhada.