A Argentina autorizou uma licitação de R$ 622 milhões para construir um cais militar em Ushuaia, em meio à escalada de tensões pelas Ilhas Malvinas. A decisão do governo de Javier Milei ocorre enquanto Buenos Aires enfrenta o Reino Unido pela exploração de petróleo no arquipélago e uma nova controvérsia marítima envolve o Chile.
A obra ampliará a infraestrutura da Base Naval Integrada de Ushuaia, no extremo sul da América do Sul, às margens do Canal de Beagle. A localização oferece acesso estratégico às rotas do Atlântico Sul e às operações na Antártida, em uma região marcada por disputas territoriais e interesses militares.
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A medida consta na Resolução 704/2026 do Ministério da Defesa argentino, publicada em 9 de outubro. O documento autoriza uma licitação de 189,3 bilhões de pesos argentinos, equivalentes a aproximadamente R$ 622 milhões na cotação daquela data.
Argentina prepara novo cais militar com obra prevista para 36 meses
O projeto prevê a construção de um cais para apoiar embarcações militares, além de infraestrutura complementar e equipamentos operacionais.
A Armada Argentina pretende melhorar o apoio logístico aos seus navios e fortalecer as operações no extremo sul. A instalação também poderá ampliar a capacidade de abastecimento e apoio às missões antárticas.
O governo estabeleceu um prazo de 36 meses para a execução da obra e prevê recursos orçamentários argentinos até 2029.
A construção ainda não começou. A Marinha precisa concluir a licitação e contratar a empresa responsável.
Petróleo nas Malvinas acirra disputa entre Argentina e Reino Unido
O investimento avança justamente quando Buenos Aires intensifica sua ofensiva diplomática contra Londres.
O principal foco é o projeto petrolífero Sea Lion, nas águas próximas às Malvinas, arquipélago administrado pelo Reino Unido e reivindicado pela Argentina.
Em 28 de setembro, o governo Milei anunciou um procedimento de arbitragem internacional para contestar atividades relacionadas à exploração de petróleo na região.
O Reino Unido rejeita as medidas argentinas e defende o direito dos habitantes das ilhas de explorar seus recursos naturais.
Buenos Aires não vinculou oficialmente a obra à disputa. Ainda assim, o novo cais ampliará a infraestrutura naval argentina em uma área de importância estratégica para os dois países.
Navio chileno de 72 metros provoca novo alerta no extremo sul
A disputa pelas Malvinas também ganhou um componente envolvendo o Chile.
Em 8 de outubro, uma investigação do portal BioBioChile revelou preocupações de fontes de inteligência chilenas com uma possível interceptação do cargueiro Danstar, de 72 metros.
A embarcação pretende estabelecer uma rota comercial entre Punta Arenas e as Malvinas para abastecer as ilhas.
Segundo a investigação, uma eventual intervenção argentina poderia provocar um incidente diplomático. O caso já mobilizou parlamentares chilenos e reacendeu a discussão sobre a liberdade de navegação.
Até agora, não há registro confirmado de interceptação. O episódio, porém, mostra como as rotas marítimas próximas às Malvinas também se tornaram um ponto de atrito regional.
Estados Unidos já discutiram o futuro da base de Ushuaia
Em abril de 2024, Milei visitou Ushuaia acompanhado da então comandante do Comando Sul dos Estados Unidos, general Laura Richardson.
Posteriormente, o governo argentino buscou financiamento americano para desenvolver a instalação. As negociações envolvendo Washington e o projeto naval ampliaram o debate sobre a importância estratégica da região.
Entretanto, a nova licitação prevê recursos argentinos. Não há financiamento americano confirmado para essa contratação.
Por que Ushuaia ocupa uma posição tão importante no Atlântico Sul?
Ushuaia fica próxima ao Cabo Horn e à passagem de Drake, referências fundamentais para a navegação entre os oceanos Atlântico e Pacífico.
A cidade também funciona como ponto de apoio para operações em direção à Antártida, onde Argentina, Brasil e outros países mantêm atividades científicas e logísticas.
Com um cais militar mais moderno, a Armada Argentina poderá melhorar o apoio às embarcações e ampliar sua capacidade de sustentar missões prolongadas.
Para o Brasil, que considera o Atlântico Sul uma área estratégica para sua defesa e mantém presença na Antártida, a ampliação da infraestrutura naval de países vizinhos também tem relevância.
Com a nova licitação, a Argentina avança na ampliação de sua infraestrutura naval em Ushuaia. O projeto ganha força enquanto petróleo, soberania e rotas marítimas mantêm Buenos Aires, Londres e Santiago atentos ao futuro do Atlântico Sul.