O Brasil autorizou a entrada de 14 aeronaves militares argentinas, incluindo nove helicópteros, para o exercício Arandú 2026, no Rio Grande do Sul. Mas um detalhe nos documentos oficiais chama atenção: enquanto Brasília liberou a participação de 350 militares argentinos, o governo de Javier Milei prevê um contingente de até 405 integrantes.
A diferença de 55 militares aparece em autorizações publicadas pelos dois países em outubro. Além disso, a Receita Federal brasileira identificou os modelos e as matrículas das 14 aeronaves, autorizadas a entrar e sair do território nacional entre 9 e 17 de outubro.
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Os detalhes constam do Ato Declaratório Executivo ALF/URA nº 6, de 7 de outubro de 2026, publicado no Diário Oficial da União e reproduzido pelo FiscoScan. O documento estabelece a Base Aérea de Santa Maria (RS) como ponto autorizado de entrada e saída das aeronaves militares argentinas.
Brasil libera entrada de 9 helicópteros e 5 aviões militares argentinos
A autorização reúne seis helicópteros Bell UH-1H II Huey II, dois Agusta Bell AB206B1 Jet Ranger e um Bell 407 GXi.
Esses nove helicópteros representam a maior parte do componente aéreo argentino. Os modelos possuem capacidades de transporte, ligação e apoio a operações terrestres, diretamente relacionadas ao treinamento combinado.
A lista também inclui cinco aviões: um CASA C-212 Aviocar, três Cessna 208 Grand Caravan EX e um Cessna Citation Bravo C550.
A Receita Federal registrou individualmente as matrículas dos equipamentos. O documento identifica cada aeronave autorizada, mas não comprova que todas tenham efetivamente ingressado no Brasil.
Outro ato aduaneiro, de nº 7, também autorizou o Grand Caravan AE-225 a utilizar o Aeroporto Internacional Rubem Berta, em Uruguaiana (RS).
Assim, o mesmo avião recebeu autorização para entrar e sair do país por dois aeroportos gaúchos, sem representar uma aeronave adicional às 14 relacionadas no primeiro documento.
Brasil autoriza 350 militares, mas Argentina prevê até 405
A diferença entre os contingentes aparece em dois decretos presidenciais publicados com apenas três dias de intervalo.
Em 6 de outubro, Luiz Inácio Lula da Silva assinou o Decreto nº 13.132/2026, autorizando a entrada e permanência temporária de 350 militares argentinos no Brasil.
A medida também abrange aeronaves, veículos, armamentos, munições, sensores e equipamentos de comunicação necessários ao exercício.
Já o presidente Javier Milei assinou, em 8 de outubro, o Decreto de Necessidade e Urgência nº 1157/2026, publicado no dia seguinte.
O planejamento argentino prevê a participação de até 405 militares e 99 veículos, incluindo tanques e blindados de transporte de pessoal.
Portanto, o número máximo previsto por Buenos Aires supera em 55 militares o contingente expressamente autorizado pelo governo brasileiro.
Isso não significa, porém, que a Argentina tenha enviado tropas acima do limite permitido. Os documentos tratam de autorizações distintas, e a diferença não comprova uma entrada irregular de militares no território brasileiro.
Exercício Arandú movimenta blindados e aeronaves no Rio Grande do Sul
O Arandú 2026 ocorre entre 10 e 17 de outubro, com atividades concentradas no Campo de Instrução Barão de São Borja, em Rosário do Sul.
O treinamento reúne capacidades aeromóveis, aerotransportadas, blindadas e de operações especiais dos Exércitos brasileiro e argentino.
Comboios militares argentinos também atravessaram o Rio Grande do Sul em direção às áreas de treinamento, ampliando a movimentação de tropas e equipamentos na região.
Conforme registrado em uma reportagem sobre a mobilização argentina no Rio Grande do Sul, o próprio governo argentino reconheceu, na justificativa oficial para participar do Arandú, a maior experiência e trajetória regional do Exército Brasileiro.
Com nove helicópteros e cinco aviões autorizados a operar no Rio Grande do Sul, o Arandú 2026 amplia a dimensão aérea do treinamento conjunto entre os Exércitos brasileiro e argentino.