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Argentina surpreende ao divulgar três fragatas FREMM e dois submarinos Tipo 209NG em plano naval de US$ 3,5 bilhões, mas orçamento prevê quantidades diferentes e compra segue indefinida

Felipe Alves da Silva
Por Felipe Alves da Silva 31/10/2026 às 13:35
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Argentina surpreende ao divulgar três fragatas FREMM e dois submarinos Tipo 209NG em plano naval de US$ 3,5 bilhões, mas orçamento prevê quantidades diferentes e compra segue indefinida
Fragata da classe FREMM, desenvolvida para missões de guerra antissubmarino, defesa aérea e combate de superfície, é um dos modelos apresentados no plano de modernização naval da Argentina. Crédito: Foto: Marina Militare Italiana / Reprodução.

Publicação do partido de Javier Milei apresenta modelos de fragatas e submarinos para modernizar a Armada Argentina, mas expõe divergência com o Orçamento de 2027. França e Alemanha continuam na disputa por contratos bilionários.

A Argentina colocou as fragatas FREMM e os submarinos Tipo 209 Next Generation no centro de seu plano de modernização naval, estimado em US$ 3,5 bilhões. Os equipamentos apareceram em uma publicação oficial do partido La Libertad Avanza, do presidente Javier Milei, em 30 de outubro de 2026, numa campanha de divulgação dos investimentos realizados e projetados para as Forças Armadas.

A novidade chamou atenção por dois motivos. Pela primeira vez nessa comunicação partidária, foram apresentados modelos específicos para os futuros navios de guerra. Mas os números divulgados também entraram em conflito com o projeto de Orçamento de 2027, que tramita no Congresso argentino.

Segundo o portal especializado Zona Militar, o partido apresentou três fragatas FREMM e dois submarinos Tipo 209NG, embora o planejamento financeiro encaminhado pelo governo preveja justamente o contrário: três submarinos e duas fragatas.

Três fragatas ou três submarinos? A diferença que apareceu no plano de US$ 3,5 bilhões

O projeto de Orçamento argentino para 2027 prevê autorizações de endividamento destinadas à renovação da frota da Armada. Os valores foram detalhados pelo jornal La Nación, em setembro.

A distribuição prevista é a seguinte:

EquipamentoProjeto de Orçamento 2027Divulgação partidária
Submarinos3 unidades — US$ 2,3 bilhões2 Tipo 209NG
Fragatas2 unidades — US$ 1,2 bilhão3 FREMM
TotalUS$ 3,5 bilhões em crédito previstoSem detalhamento financeiro correspondente

A diferença ultrapassa uma simples troca de números. Submarinos e fragatas exigem contratos industriais, sistemas de armas, treinamento de tripulações, manutenção e infraestrutura próprios.

A autorização financeira também não significa que os recursos tenham sido desembolsados. Trata-se de uma previsão legal para o governo negociar operações de crédito, condicionada à tramitação legislativa e às etapas posteriores de contratação.

O detalhe mais importante é que a Argentina divulgou nomes de equipamentos que ainda não foram oficialmente escolhidos. A mensagem partidária antecipa uma definição que os processos de aquisição ainda não confirmaram.

FREMM e Tipo 209NG entram em cena, mas franceses e alemães continuam disputando contratos

Submarino Tipo 209 – Imagem: Divulgação

A divulgação ocorre quando a Argentina analisa propostas internacionais para reconstruir sua capacidade naval.

Na área submarina, a concorrência envolve a empresa francesa Naval Group, com o Scorpène, e a alemã TKMS, associada ao Tipo 209NG. Em outubro, surgiram informações sobre propostas de financiamento integral para a aquisição de submarinos, mostrando a importância das condições financeiras na escolha do fornecedor.

A situação das fragatas também permanece aberta. A Armada Argentina avalia alternativas industriais e diferentes projetos de navios multimissão.

A publicação de 30 de outubro, portanto, representa uma novidade na comunicação política do governo Milei, e não a confirmação de uma vitória comercial das empresas ligadas aos modelos apresentados.

O Brasil já desenvolve seus próprios programas Tamandaré e Riachuelo no Atlântico Sul

Fragata Tamandaré com o numeral F200 no casco, em cerimônia de lançamento no estaleiro
A fragata Tamandaré (F200) na cerimônia de lançamento ao mar, antes da incorporação à Esquadra. Foto: Ministério da Defesa, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0).

A discussão argentina ganha outra dimensão quando comparada à modernização da Marinha do Brasil.

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Enquanto Buenos Aires busca definir os fornecedores de seus futuros navios, o Brasil investe em programas que já avançaram pelas etapas de construção e incorporação.

As fragatas da classe Tamandaré representam a renovação dos meios de superfície brasileiros, com construção nacional e participação de empresas internacionais. No segmento submarino, a classe Riachuelo utiliza tecnologia derivada da família francesa Scorpène, dentro do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB).

São estratégias de aquisição distintas. O Brasil mantém programas industriais estruturados há anos, enquanto a Argentina procura recuperar capacidades perdidas e encontrar financiamento para novas embarcações.

Para a indústria naval, o interesse argentino representa uma oportunidade de contratos de grande porte. Para a Armada, representa a possibilidade de reconstruir uma frota que enfrenta dificuldades de renovação há décadas.

O contraste mais relevante está no estágio dos projetos: o Brasil já dispõe de submarinos modernos incorporados à sua força naval, enquanto a Argentina ainda precisa transformar suas intenções de compra em contratos e entregas efetivas.

A diferença pode ser medida por entregas concretas. Em abril de 2026, a fragata Tamandaré (F200) foi incorporada à Esquadra brasileira, segundo a Agência Marinha de Notícias. O país também já incorporou os submarinos Riachuelo, Humaitá e Tonelero, da nova geração de submarinos convencionais.

A Argentina tenta recuperar uma capacidade submarina perdida em 2017

A necessidade de novos submarinos está diretamente relacionada à situação operacional da Armada Argentina.

Desde a perda do ARA San Juan, em novembro de 2017, o país deixou de contar com uma capacidade submarina operacional. A tragédia também aprofundou os questionamentos sobre o envelhecimento dos equipamentos e a dificuldade de financiar programas de modernização.

Os US$ 2,3 bilhões previstos para submarinos representam, assim, muito mais do que uma possível encomenda internacional. O investimento poderia permitir à Argentina reconstruir uma capacidade estratégica ausente há quase nove anos.

A eventual aquisição de fragatas multimissão também atenderia à necessidade de substituir meios de superfície envelhecidos, fortalecendo as possibilidades de patrulhamento, escolta e defesa naval.

Agora, a decisão está no Congresso argentino e nas negociações com os fabricantes

A próxima etapa será o andamento do Orçamento de 2027 no Congresso argentino. A autorização para contratar financiamentos precisa superar o processo legislativo antes que o governo possa avançar na estruturação das operações.

Mesmo com essa aprovação, a administração de Javier Milei ainda terá de escolher os fabricantes, negociar contratos e estabelecer condições de financiamento e entrega.

O anúncio de três fragatas FREMM e dois submarinos Tipo 209NG ganhou relevância por colocar nomes concretos no debate sobre a modernização naval argentina. Mas também criou uma contradição pública com o próprio planejamento financeiro apresentado pelo governo.

O que está em jogo não é apenas quais navios a Argentina pretende comprar, mas se o país conseguirá transformar US$ 3,5 bilhões em autorizações de endividamento em uma frota efetivamente renovada.

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