O Brasil encomendou 28 aviões militares KC-390 em 2014, mas reduziu o contrato até chegar a apenas 18 unidades. Hoje, a Força Aérea Brasileira recebeu oito aeronaves, enquanto outras oito já foram entregues pela Embraer a países estrangeiros, segundo levantamento publicado nesta segunda-feira (26) pelo portal especializado Asian Military Review.
Os números mostram uma situação curiosa para o país que financiou o desenvolvimento do cargueiro e se tornou seu primeiro operador. Enquanto a FAB ainda aguarda dez unidades do contrato atual, o avião brasileiro já entrou em serviço em forças aéreas da Europa e da Ásia Central.
O balanço foi divulgado em uma reportagem baseada em entrevista com Frederico Lemos, diretor comercial da Embraer Defesa & Segurança. Segundo a publicação, 16 aeronaves da família KC-390/C-390 Millennium já foram entregues mundialmente, divididas igualmente entre o Brasil e os compradores internacionais.
A expansão das exportações acontece depois de sucessivas renegociações entre a fabricante e a Aeronáutica. Desde o contrato original, assinado há 12 anos, a encomenda brasileira perdeu dez unidades.
Brasil começou com 28 aviões KC-390, mas reduziu encomenda três vezes
O KC-390 foi desenvolvido pela Embraer em parceria com a Força Aérea Brasileira para substituir gradualmente os antigos cargueiros C-130 Hercules e ampliar a capacidade de transporte militar do país.
Em 2014, a Aeronáutica firmou um contrato de aproximadamente R$ 7,2 bilhões, em valores da época, para adquirir 28 aeronaves. A primeira foi entregue à FAB em setembro de 2019, cinco anos depois da assinatura.
Os planos de aquisição, entretanto, passaram por mudanças conforme a situação orçamentária da Força Aérea.
A primeira redução contratual foi formalizada em fevereiro de 2022, quando a FAB e a Embraer chegaram a um acordo para diminuir a encomenda de 28 para 22 aeronaves.
A negociação ocorreu após um período de divergências. No ano anterior, a Aeronáutica havia anunciado a intenção de reduzir o pedido para apenas 15 unidades, proposta que encontrou resistência da fabricante.
O acordo de 22 aviões também não durou muito. Em outubro de 2022, as partes assinaram um novo aditivo, diminuindo a encomenda para 19 KC-390.
A redução mais recente aconteceu em agosto de 2025, quando outro entendimento entre a Embraer e a FAB retirou uma aeronave do contrato.
Com isso, o Brasil passou de 28 para 18 cargueiros, uma diminuição de dez unidades, equivalente a aproximadamente 35,7% da encomenda original.
Enquanto FAB recebeu 8 aeronaves, Portugal, Hungria, República Tcheca e Uzbequistão também operam o cargueiro brasileiro
A evolução das entregas internacionais ajuda a dimensionar o crescimento do KC-390 fora do Brasil.
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De acordo com o levantamento da Asian Military Review, publicado em 26 de outubro, a Embraer já entregou 16 aeronaves da família Millennium.
Desse total, oito foram destinadas à Força Aérea Brasileira. As outras oito estão distribuídas entre quatro operadores estrangeiros: Portugal recebeu quatro, a Hungria duas, a República Tcheca uma e o Uzbequistão uma.
Portugal concentra metade das entregas internacionais realizadas até agora. O quarto avião destinado à Força Aérea Portuguesa chegou ao país em janeiro de 2026, acompanhado de equipamentos para reabastecimento aéreo.
A República Tcheca recebeu sua primeira unidade em julho, aproximadamente 20 meses depois da assinatura do contrato com a fabricante brasileira.
O avanço mais recente ocorreu em setembro, quando a Embraer entregou o primeiro C-390 à Força Aérea do Uzbequistão, tornando o país o primeiro operador do modelo na Ásia Central.
A presença do cargueiro em diferentes continentes representa uma expansão importante para a indústria brasileira de defesa. Para a FAB, contudo, o crescimento internacional acontece enquanto mais da metade das aeronaves previstas no contrato atual ainda precisa ser recebida.
Embraer confirmou que redução da encomenda brasileira abriu espaço para clientes internacionais
Um comunicado oficial da Embraer, divulgado em outubro de 2025, oferece uma informação importante para compreender a relação entre os cortes brasileiros e a expansão das exportações.
Ao apresentar os resultados do terceiro trimestre daquele ano, a fabricante confirmou que a redução de 19 para 18 aviões havia sido negociada com a Força Aérea Brasileira em agosto.
Segundo a empresa, o acordo estava alinhado à estratégia de aumentar a disponibilidade de aeronaves no curto prazo para clientes internacionais.
A informação mostra que a última renegociação não envolveu apenas uma mudança na quantidade adquirida pela FAB. Ela também fazia parte do planejamento comercial da fabricante para atender outros compradores.
Isso não significa que os oito aviões já entregues ao exterior tenham sido retirados da encomenda brasileira. As aeronaves estrangeiras atendem contratos próprios, com configurações e cronogramas negociados com cada cliente.
O que os números mostram é que a produção brasileira passou a atender simultaneamente a FAB e um mercado internacional em expansão, enquanto o pedido do primeiro operador foi sendo reduzido.
A indústria nacional ganhou novos compradores, mas a Força Aérea Brasileira permaneceu com uma frota menor do que aquela originalmente planejada para modernizar sua aviação de transporte.
KC-390 é usado pelo Brasil em missões militares, resgates e ajuda humanitária
A quantidade de aeronaves disponíveis ganha importância quando se considera a variedade de operações realizadas pela FAB.
O KC-390 não foi desenvolvido apenas para transportar cargas entre bases militares. O avião também pode deslocar tropas, lançar paraquedistas, realizar evacuações médicas e atuar em missões de reabastecimento em voo, quando equipado para essa função.
Em junho de 2026, por exemplo, um KC-390 do Primeiro Grupo de Transporte de Tropa, conhecido como Esquadrão Zeus, foi empregado no envio de ajuda humanitária à Venezuela após terremotos registrados no país.
A missão transportou 36 bombeiros, seis cães de busca e aproximadamente 12 toneladas de equipamentos e materiais de apoio, além de integrantes de outros órgãos brasileiros.
A mesma aeronave havia participado anteriormente de uma operação humanitária na Bolívia, demonstrando como a frota também é utilizada em situações de emergência fora do território nacional.
No planejamento militar brasileiro, cargueiros dessa categoria são importantes para movimentar pessoal e equipamentos, apoiar unidades distantes e responder rapidamente a desastres.
A FAB possui oito KC-390 entregues até outubro de 2026, mas esse número não representa necessariamente oito aeronaves disponíveis simultaneamente. Inspeções, manutenção e outras atividades técnicas fazem parte da rotina de qualquer frota militar.
Com dez unidades ainda previstas no contrato atual, as próximas entregas continuarão determinantes para a ampliação da capacidade brasileira de transporte e apoio aéreo.
Embraer pretende acelerar produção do KC-390 e chegar a 10 aeronaves por ano até 2030
Enquanto o Brasil aguarda os cargueiros restantes, a Embraer trabalha para aumentar o ritmo de fabricação do Millennium.
Na entrevista publicada pela Asian Military Review, Frederico Lemos afirmou que o KC-390 vem recebendo avaliações positivas de operadores internacionais, especialmente pela flexibilidade de emprego e pela disponibilidade operacional.
Segundo o executivo, a fabricante observa uma demanda crescente por aviões capazes de combinar transporte de cargas e tropas, reabastecimento aéreo, evacuação médica e outras missões em uma única plataforma.
A Embraer entregou três aeronaves da família Millennium em 2025 e trabalha com a previsão de entregar seis ao longo de 2026.
Entre as entregas planejadas para este ano está também a primeira aeronave destinada à Força Aérea da Coreia do Sul, outro país que escolheu o cargueiro brasileiro para modernizar sua frota.
O planejamento industrial é ainda mais ambicioso para os próximos anos. Até 2030, a Embraer pretende alcançar capacidade de produção de dez KC-390/C-390 por ano, ampliando o atendimento aos clientes internacionais e aos contratos que permanecem em execução.