Revista Sociedade Militar, todos os direitos reservados.

Brasil discutia comprar dois submarinos franceses em 1894, vinte anos antes de criar sua primeira flotilha com embarcações construídas na Itália

Thaís Souza
Por Thaís Souza 21/10/2026 às 18:33
Compartilhar
Brasil discutia comprar dois submarinos franceses em 1894, vinte anos antes de criar sua primeira flotilha com embarcações construídas na Itália
Submarino pioneiro na Baía de Guanabara, 1914.

A proposta de Júlio César de Noronha previa submarinos do tipo Goubet. A formação da força brasileira avançou depois com um programa naval, fiscalização de obras na Europa e a chegada dos primeiros modelos italianos.

O almirante Júlio César de Noronha apresentou, em 1894, uma proposta para obter dois submarinos franceses do tipo Goubet. A ideia integrou um programa mínimo de construção naval submetido ao Almirantado, duas décadas antes da criação da primeira flotilha brasileira.

O registro aparece no artigo “Breve histórico e reflexões sobre a Força de Submarinos”, do contra-almirante Adalberto Casaes Júnior, publicado na Revista Marítima Brasileira, periódico da Marinha dedicado a assuntos navais, no quarto trimestre de 2006. Naquele momento de 1894, Noronha exercia a chefia do Estado-Maior Geral da Armada.

A formação da flotilha ocorreu em 17 de julho de 1914, com três embarcações encomendadas à Itália. Entre a sugestão dos modelos franceses e a chegada dos primeiros submarinos, o Brasil passou pela discussão pública sobre a nova arma, pela aprovação de um programa naval e pelo acompanhamento da construção no exterior.

A proposta de submarinos franceses chegou ao planejamento naval em 1894

A escolha sugerida por Noronha apontava para duas unidades do tipo Goubet, de origem francesa. No relato da Revista Marítima Brasileira, a obtenção desses meios fazia parte das alternativas consideradas para equipar a Armada no fim do século XIX.

Esse antecedente situa o interesse brasileiro pela navegação submarina ainda no período de desenvolvimento inicial desse tipo de embarcação. A trajetória registrada pela Marinha inclui tanto experiências com protótipos quanto a atuação de oficiais que defendiam sua aquisição.

Felinto Perry levou a defesa dos submarinos aos jornais

Em 1891, o então primeiro-tenente Felinto Perry iniciou uma campanha pela compra de submarinos para o Brasil. Seus textos circularam nos periódicos da época e estimularam a discussão entre o público e a administração naval, segundo o histórico do Comando da Força de Submarinos.

Perry vinculava a adoção da arma à defesa das fronteiras marítimas. Sua participação atravessaria diferentes etapas do processo: da divulgação da ideia na imprensa ao acompanhamento dos navios que seriam construídos para a Marinha brasileira.

Programa de 1904 incluiu três submersíveis

Em 1904, Noronha ocupava o Ministério dos Negócios da Marinha e incluiu três submersíveis no Programa de Construção Naval. O histórico institucional atribui ao parlamentar Laurindo Pitta participação na tramitação e aprovação da proposta pelo Congresso Nacional.

A etapa de fiscalização das obras ganhou uma estrutura própria em 1911. O ministro da Marinha, vice-almirante Joaquim Marques Baptista de Leão, criou uma Subcomissão Naval em La Spezia, na Itália, para acompanhar a construção das três embarcações. Felinto Perry foi designado para chefiá-la.

Primeiros submarinos brasileiros vieram de um estaleiro italiano

As unidades que deram início à operação brasileira foram F1, F3 e F5. Projetadas pelo engenheiro italiano Cesare Laurenti, foram construídas no estaleiro Fiat-San Giorgio, em La Spezia. A quilha do F1, etapa inicial da montagem do casco, foi batida em março de 1912, conforme o artigo da Revista Marítima Brasileira.

Primeiros submarinos brasileiros vieram de um estaleiro italiano
Primeiros submarinos brasileiros vieram de um estaleiro italiano (Fonte: RMB4T/2006)

O livro comemorativo dos cem anos da Força de Submarinos registra a entrega do F1 na Itália em 11 de julho de 1913. Para chegar ao Brasil, a embarcação viajou a bordo de um navio francês preparado para transportar submarinos por grandes distâncias.

A chegada ao Rio de Janeiro ocorreu em 4 de julho de 1914. Menos de duas semanas depois, a criação da flotilha estabeleceria a organização responsável por esses primeiros meios submarinos.

Flotilha começou em Mocanguê e teve Perry como primeiro comandante

A Flotilha de Submersíveis foi criada com sede na Ilha de Mocanguê Grande, em Niterói, subordinada ao Comando da Defesa Móvel. Seu primeiro comandante foi Felinto Perry, o mesmo oficial que havia defendido a aquisição nos jornais e fiscalizado a construção na Itália.

Receba nossas notícias independentemente dos algorítimos das redes sociais, entre no nosso grupo agora

Entrar no grupo agora

A denominação acompanhou as mudanças da organização. Em 1928, passou a ser Flotilha de Submarinos. Em 1963, recebeu o nome de Força de Submarinos, conforme a retrospectiva publicada pela Marinha em 2018.

O percurso iniciado nas propostas do século XIX desembocou, assim, na operação dos modelos italianos e na formação de uma organização com comando e base próprios. A compra de embarcações avançou junto com o acompanhamento técnico de sua construção.

Os Goubet permaneceram como referência da proposta francesa apresentada por Noronha. Coube aos F1, F3 e F5 inaugurar a flotilha que deu origem à estrutura brasileira de submarinos.

Qual etapa dessa trajetória merece ser mais conhecida: os primeiros projetos, a atuação de Felinto Perry ou a chegada dos submarinos italianos? Conte nos comentários qual delas você gostaria de conhecer em maior profundidade.

guest
0 Comentários