A proposta de Júlio César de Noronha previa submarinos do tipo Goubet. A formação da força brasileira avançou depois com um programa naval, fiscalização de obras na Europa e a chegada dos primeiros modelos italianos.
O almirante Júlio César de Noronha apresentou, em 1894, uma proposta para obter dois submarinos franceses do tipo Goubet. A ideia integrou um programa mínimo de construção naval submetido ao Almirantado, duas décadas antes da criação da primeira flotilha brasileira.
O registro aparece no artigo “Breve histórico e reflexões sobre a Força de Submarinos”, do contra-almirante Adalberto Casaes Júnior, publicado na Revista Marítima Brasileira, periódico da Marinha dedicado a assuntos navais, no quarto trimestre de 2006. Naquele momento de 1894, Noronha exercia a chefia do Estado-Maior Geral da Armada.
A formação da flotilha ocorreu em 17 de julho de 1914, com três embarcações encomendadas à Itália. Entre a sugestão dos modelos franceses e a chegada dos primeiros submarinos, o Brasil passou pela discussão pública sobre a nova arma, pela aprovação de um programa naval e pelo acompanhamento da construção no exterior.
A proposta de submarinos franceses chegou ao planejamento naval em 1894
A escolha sugerida por Noronha apontava para duas unidades do tipo Goubet, de origem francesa. No relato da Revista Marítima Brasileira, a obtenção desses meios fazia parte das alternativas consideradas para equipar a Armada no fim do século XIX.
Esse antecedente situa o interesse brasileiro pela navegação submarina ainda no período de desenvolvimento inicial desse tipo de embarcação. A trajetória registrada pela Marinha inclui tanto experiências com protótipos quanto a atuação de oficiais que defendiam sua aquisição.
Felinto Perry levou a defesa dos submarinos aos jornais
Em 1891, o então primeiro-tenente Felinto Perry iniciou uma campanha pela compra de submarinos para o Brasil. Seus textos circularam nos periódicos da época e estimularam a discussão entre o público e a administração naval, segundo o histórico do Comando da Força de Submarinos.
Perry vinculava a adoção da arma à defesa das fronteiras marítimas. Sua participação atravessaria diferentes etapas do processo: da divulgação da ideia na imprensa ao acompanhamento dos navios que seriam construídos para a Marinha brasileira.
Programa de 1904 incluiu três submersíveis
Em 1904, Noronha ocupava o Ministério dos Negócios da Marinha e incluiu três submersíveis no Programa de Construção Naval. O histórico institucional atribui ao parlamentar Laurindo Pitta participação na tramitação e aprovação da proposta pelo Congresso Nacional.
A etapa de fiscalização das obras ganhou uma estrutura própria em 1911. O ministro da Marinha, vice-almirante Joaquim Marques Baptista de Leão, criou uma Subcomissão Naval em La Spezia, na Itália, para acompanhar a construção das três embarcações. Felinto Perry foi designado para chefiá-la.
Primeiros submarinos brasileiros vieram de um estaleiro italiano
As unidades que deram início à operação brasileira foram F1, F3 e F5. Projetadas pelo engenheiro italiano Cesare Laurenti, foram construídas no estaleiro Fiat-San Giorgio, em La Spezia. A quilha do F1, etapa inicial da montagem do casco, foi batida em março de 1912, conforme o artigo da Revista Marítima Brasileira.

O livro comemorativo dos cem anos da Força de Submarinos registra a entrega do F1 na Itália em 11 de julho de 1913. Para chegar ao Brasil, a embarcação viajou a bordo de um navio francês preparado para transportar submarinos por grandes distâncias.
A chegada ao Rio de Janeiro ocorreu em 4 de julho de 1914. Menos de duas semanas depois, a criação da flotilha estabeleceria a organização responsável por esses primeiros meios submarinos.
Flotilha começou em Mocanguê e teve Perry como primeiro comandante
A Flotilha de Submersíveis foi criada com sede na Ilha de Mocanguê Grande, em Niterói, subordinada ao Comando da Defesa Móvel. Seu primeiro comandante foi Felinto Perry, o mesmo oficial que havia defendido a aquisição nos jornais e fiscalizado a construção na Itália.
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A denominação acompanhou as mudanças da organização. Em 1928, passou a ser Flotilha de Submarinos. Em 1963, recebeu o nome de Força de Submarinos, conforme a retrospectiva publicada pela Marinha em 2018.
O percurso iniciado nas propostas do século XIX desembocou, assim, na operação dos modelos italianos e na formação de uma organização com comando e base próprios. A compra de embarcações avançou junto com o acompanhamento técnico de sua construção.
Os Goubet permaneceram como referência da proposta francesa apresentada por Noronha. Coube aos F1, F3 e F5 inaugurar a flotilha que deu origem à estrutura brasileira de submarinos.
Qual etapa dessa trajetória merece ser mais conhecida: os primeiros projetos, a atuação de Felinto Perry ou a chegada dos submarinos italianos? Conte nos comentários qual delas você gostaria de conhecer em maior profundidade.