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Marinha desenvolveu minas navais no Brasil com influência acústica e magnética e sistema modular para lançamento por embarcações de superfície

Thaís Souza
Por Thaís Souza 21/10/2026 às 19:11
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Marinha desenvolveu minas navais no Brasil com influência acústica e magnética e sistema modular para lançamento por embarcações de superfície
Marinha desenvolveu minas navais no Brasil.

Minas navais brasileiras desenvolvidas pelo Instituto de Pesquisas da Marinha aparecem em registros de 2010 e em exposição de 2022, com projetos de contato, de influência acústica e magnética e de fundo.

A Marinha do Brasil desenvolveu minas navais de fabricação nacional, entre elas a Mina de Fundeio de Influência Acústica e Magnética, identificada pela sigla MFI. O projeto integra uma linha de pesquisa em armamentos submarinos do Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM), instituição dedicada ao desenvolvimento de sistemas e tecnologias para a Força.

O desenvolvimento brasileiro está registrado na Revista Marítima Brasileira, publicação especializada da Marinha. Em artigo da edição do primeiro trimestre de 2010, Andrei Brilhante Silva Costa identificou a MFI e a Mina de Fundeio de Contato (MFC) como exemplos de minas nacionais desenvolvidas pelo instituto.

A MFI também esteve entre os projetos apresentados a jornalistas durante uma visita ao Complexo Naval da Ribeira, na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, em 22 de março de 2022. O comunicado do Centro Tecnológico da Marinha no Rio de Janeiro (CTMRJ), publicado dois dias depois, identificou expressamente suas modalidades de influência acústica e magnética.

Minas navais brasileiras incluem projetos de contato e de influência

As denominações dos projetos distinguem características do armamento. O termo fundeio se refere à manutenção da mina presa a um ponto por um sistema de ancoragem. Já as expressões contato e influência indicam diferentes formas de acionamento.

Na mina de contato, o encontro físico com o alvo está associado ao disparo. Na modalidade de influência acústica e magnética, entram em cena sinais relacionados ao som e ao campo magnético de uma embarcação. A tecnologia envolve sensores e eletrônica para reconhecer esses estímulos.

A documentação de pesquisa disponível no acervo da Marinha descreve a MFI como um desenvolvimento do IPqM que incorporou sensores acústicos e magnéticos a um cabeçote eletrônico. Esse conjunto diferencia o projeto da versão de contato e permite trabalhar com características dos alvos a serem identificados.

Defesa de portos aparece como finalidade no estudo de 2010

O artigo da Revista Marítima Brasileira relaciona os esforços nacionais na área à busca de independência tecnológica e à defesa de portos e áreas marítimas restritas. Seu autor, então capitão de corveta, exercia a função de encarregado da Divisão de Minagem do Grupo de Avaliação e Adestramento de Guerra de Minas.

O estudo também aborda a relação entre a mina e o meio empregado para transportá-la e lançá-la. A escolha da plataforma influencia a quantidade de armamentos transportados, a rapidez da operação e as condições de emprego. Assim, o desenvolvimento do artefato acompanha uma discussão sobre sua integração aos meios navais.

Sistema modular acompanhou a concepção das minas nacionais

Uma das soluções associadas aos projetos brasileiros foi o Sistema de Lançamento Modular (SLM). Segundo o estudo de 2010, a empresa Consub concebeu o equipamento por solicitação da Marinha durante o desenvolvimento das minas MFC e MFI.

Sistema modular acompanhou a concepção das minas nacionais
Sistema modular acompanhou a concepção das minas nacionais.

A proposta permitia considerar o uso de embarcações com espaço disponível no convés para receber o sistema. O artigo situava essa solução dentro de uma abordagem modular, na qual um navio poderia receber equipamentos para cumprir tarefas de minagem e também desempenhar outras missões.

Ao tratar dos antecedentes, o autor localizou o início do projeto da MFC na década de 1980, período em que a Marinha já considerava essa forma de integração.

Exposição de 2022 apresentou três projetos de minas

Na visita de março de 2022, o CTMRJ, centro responsável por projetos científicos e tecnológicos da Marinha, apresentou a jornalistas trabalhos das instituições subordinadas. A programação incluiu uma palestra sobre o setor tecnológico e uma passagem pelo parque de exposições instalado no IPqM.

Na área de sistemas de armas, o comunicado relacionou a MFI, a MFC e a Mina de Fundo (MF). A apresentação também abrangeu projetos de navegação inercial e veículos submarinos autônomos, situando as minas entre diferentes linhas de desenvolvimento naval.

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O CTMRJ vinculou a programação à capacidade tecnológica autônoma e ao desenvolvimento de equipamentos com aquisição restrita no exterior. O fortalecimento da Base Industrial e Tecnológica de Defesa também apareceu entre os objetivos institucionais apresentados naquela ocasião.

Sensores, processamento de sinais e simulações integram a pesquisa

A página institucional do Grupo de Sistemas de Armas do IPqM inclui a guerra de minas entre suas linhas de pesquisa. Entre as competências descritas estão o desenvolvimento de sensores acústicos, magnéticos, elétricos e de pressão, além de algoritmos para processamento de sinais aplicados às minas.

O trabalho abrange software embarcado, instrumentação eletrônica e simulação computacional de sistemas de armas. Também contempla ensaios nos quais equipamentos físicos recebem estímulos simulados, permitindo estudar seu comportamento em condições controladas.

A Carta de Serviços ao Cidadão do instituto registra uma família mais ampla de desenvolvimentos: minas submarinas de fundeio de contato, de influência, de casco e de fundo. O documento também inclui um sistema de aquisição de dados acústicos, magnéticos, de pressão e de campo elétrico.

Os registros mostram uma trajetória brasileira que envolve o armamento, os sensores, a eletrônica e os equipamentos associados ao lançamento. A MFI ocupa um lugar nessa trajetória como projeto de mina de fundeio com influência acústica e magnética.

Documentada na literatura naval de 2010 e apresentada entre os projetos expostos em 2022, essa tecnologia integra o histórico de desenvolvimento de sistemas submarinos do IPqM.

Na pesquisa brasileira de guerra de minas, qual área deveria receber mais atenção: os sensores dos armamentos ou os sistemas capazes de localizar e neutralizar minas? Explique sua escolha nos comentários.

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