Em Regência, Caboclo Bernardo alcançou o Imperial Marinheiro após sucessivas tentativas e participou de um resgate coletivo; décadas depois, a Marinha entregou uma réplica de sua medalha à cidade.
O pescador Bernardo José dos Santos, conhecido como Caboclo Bernardo, nadou até um navio da Marinha Imperial que naufragava no litoral do Espírito Santo e levou o cabo usado para organizar o salvamento. A operação, com a participação de moradores e militares, terminou com 128 tripulantes salvos.
O fato ocorreu na madrugada de 7 de setembro de 1887, próximo ao povoado de Regência, em Linhares. O cruzador Imperial Marinheiro enfrentava uma tempestade quando se chocou contra o pontal sul da barra do Rio Doce.
A história é preservada pela Prefeitura de Linhares, município capixaba onde fica Regência, que registrou tanto a atuação do pescador quanto o esforço dos demais envolvidos no socorro.
Imperial Marinheiro naufragou durante viagem para Abrolhos
O cruzador seguia em uma missão de sondagem para Abrolhos, na Bahia. O acidente aconteceu a cerca de 120 metros da praia, mas o mar revolto dificultava a passagem entre a embarcação e a costa.
Na tentativa de buscar ajuda, foi colocado na água um escaler, pequeno barco de serviço, com 12 tripulantes. Apenas oito conseguiram chegar à praia.
Em terra, a população de Regência se mobilizou para auxiliar quem permanecia a bordo. As ondas, porém, limitavam as possibilidades de aproximação. Foi nesse cenário que Bernardo se dispôs a tentar alcançar o cruzador a nado ao amanhecer.
Caboclo Bernardo chegou ao navio na quinta tentativa
A travessia exigiu sucessivas investidas. Quatro vezes, Bernardo entrou no mar e foi lançado de volta à terra pelas ondas. Na quinta tentativa, conseguiu chegar à embarcação.
Ele levava um cabo de espia, uma corda resistente que seria fixada ao navio para estabelecer uma ligação com a praia. Essa passagem permitiu organizar a retirada dos náufragos.

Alcançar o casco era apenas uma etapa do socorro. Com o cabo amarrado, ainda seria necessário conduzir os sobreviventes pelo trecho de mar que separava o cruzador da comunidade pesqueira.
Pescador e marinheiros trabalharam juntos na retirada dos náufragos
Bernardo continuou no resgate ao lado de três marinheiros do próprio navio. Eles acompanharam os náufragos até a praia em um pequeno bote preso ao cabo.
O procedimento utilizava a ligação estabelecida entre a embarcação e a costa para auxiliar a travessia. Enquanto o pescador e os militares atuavam no transporte, a mobilização dos moradores integrava o esforço de socorro em terra.
O trabalho durou cerca de cinco horas. Dos 142 tripulantes, 128 sobreviveram e 14 morreram. A chegada de Bernardo ao cruzador foi decisiva para viabilizar a passagem, seguida por uma operação que dependeu da atuação conjunta dos socorristas.
Marinha entregou réplica da medalha durante homenagem em Linhares
O reconhecimento ao pescador atravessou gerações. Em 31 de maio de 2014, durante as comemorações do centenário de sua memória, a Marinha do Brasil entregou à Prefeitura de Linhares uma réplica da medalha de ouro recebida por Bernardo pelo salvamento.
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A Prefeitura de Linhares registrou a entrega como parte das homenagens ao personagem ligado à história de Regência. A cerimônia voltou a aproximar a instituição naval da comunidade onde o resgate ocorreu.
A medalha preserva a lembrança do pescador que conseguiu estabelecer uma passagem entre o navio em perigo e a praia. Sua atuação permanece ligada à dos marinheiros e moradores que participaram da retirada dos sobreviventes.
Em Regência, a memória do naufrágio também guarda esse encontro: uma tripulação militar precisou de socorro, e uma comunidade pesqueira participou da resposta.
Que outros civis que ajudaram militares em situações de risco merecem ter suas histórias mais conhecidas? Conte nos comentários qual episódio deveria ser lembrado pelo RSM.