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Militares brasileiros enviados à Colômbia em meio a ataques de drones e escalada da violência: segurança das instalações e treinamento na Adidância de Defesa do Brasil em Bogotá, “sem hospitalidade”.

Portaria do EMCFA autoriza tenente-coronel do Exército e suboficial da Marinha a inspecionar segurança orgânica e criptografia em Bogotá, enquanto a Colômbia soma 97 massacres e 318 ataques de drones em 2026.

Robson Augusto
Por Robson Augusto 15/10/2026 às 19:03
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Militares brasileiros enviados à  Colômbia em meio a ataques de drones e escalada da violência: segurança das instalações e treinamento na Adidância de Defesa do Brasil em Bogotá, “sem hospitalidade”.
Militares do Exército Brasileiro em frante a embaixada do Brasil e adidância militar na Colômbia - imagem ilustrativa

O Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA) autorizou o envio de dois militares a Bogotá para uma inspeção de Segurança Orgânica, Recursos Criptográficos e Treinamento de Pessoal na Adidância de Defesa do Brasil na Colômbia. A medida consta da Portaria EMCFA-MD nº 5.207, de 13 de outubro de 2026, publicada no Diário Oficial da União.

A missão ocorrerá entre 9 e 13 de novembro, num momento em que a Colômbia atravessa uma das fases mais violentas da última década, com escalada de ataques de grupos armados, massacres e operações militares em várias regiões do país.

O que diz a portaria do Ministério da Defesa

O ato, assinado pelo almirante de esquadra Guilherme da Silva Costa, como chefe substituto do EMCFA, autoriza o afastamento do país do tenente-coronel do Exército Tiago Fantini Felicetti e do suboficial da Marinha Marcelo Monteiro de Araújo Santos, ambos lotados no próprio Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas.

O período de 9 a 13 de novembro inclui o trânsito. A viagem será custeada pelo Ministério da Defesa e o documento destaca que não hávera oferta de hospitalidade no país anfitrião.

Segurança orgânica e criptografia no foco da inspeção

As três frentes citadas no documento têm escopo bem definido no meio militar. Segurança orgânica abrange a proteção de instalações, pessoal, documentos e material de uma organização contra ações adversas, como espionagem, sabotagem e acesso indevido. A adidância militar funcioan dentro da embaixada brasileira na Colômbia, no 5º piso de um edifício no centro de Bogotá.

Recursos criptográficos dizem respeito aos meios usados para proteger comunicações e dados classificados, essenciais para uma representação militar que troca informações sensíveis com Brasília. O treinamento de pessoal verifica se a equipe da adidância está preparada para aplicar os protocolos de segurança no dia a dia.

A portaria não informa a motivação específica da inspeção nem a relaciona à situação de segurança colombiana. Inspeções desse tipo integram a rotina de controle do Ministério da Defesa sobre as representações no exterior.

Drones contra a força pública a cada 20 horas

O cenário que os militares brasileiros encontrarão é de forte deterioração da segurança. A Fundação Ideas para la Paz (FIP) contabiliza em 2026 já 318 ataques com drones contra a força pública colombiana, enquanto o Ministério da Defesa do país prepara uma ofensiva tecnológica com o objetivo de proteger o espaço aéreo.

Segundo análise publicada pela FIP em 8 de outubro, foram 716 ataques com drones entre 2023 e 1º de outubro de 2026, com as dissidências do Estado-Maior Central (EMC) e o Exército de Libertação Nacional (ELN) respondendo por 95% dos eventos.

A mesma fundação aponta crescimento das estruturas criminosas. De acordo com a FIP, o número de integrantes dos grupos armados colombianos aumentou 23,5% em 2025, chegando a 27.121 membros, somando combatentes e redes de apoio logístico e financeiro.

Massacres, homicídios e atentados nas cidades

Os números de violência letal acompanham a escalada. O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz) registra 97 massacres em 2026, com 376 vítimas, em levantamento fechado em 9 de outubro.

Em abril, o país viveu um dos episódios mais graves do ano. Pelo menos 20 pessoas morreram e 48 ficaram feridas num ataque com explosivo na Rodovia Pan-Americana, no setor de El Túnel, em Cajibío, no departamento de Cauca, atribuído a dissidentes das FARC comandados por Iván Mordisco. Segundo o comandante das Forças Militares, Hugo López Barreto, foram 26 ataques contra a população civil em dois dias, em Cauca e Valle del Cauca.

A Adidância de Defesa Brasileira no tabuleiro regional

A Adidância de Defesa do Brasil em Bogotá é o elo direto entre o Ministério da Defesa do Brasil e as Forças Armadas colombianas. Por ela passam acordos de cooperação, intercâmbio de informações e acompanhamento de temas fronteiriços, como o narcotráfico e a atuação de grupos armados na região amazônica.

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A inspeção e treinamentos autorizados pelo EMCFA está marcada para começar em 9 de novembro. Até lá, a capital colombiana segue sob alertas permanentes, num país em que o governo trata os grupos armados como organizações terroristas e a força pública enfrenta, segundo a FIP, um ataque com drones a cada 20 horas.

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