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Chile escolhe ex-piloto de caça F-5 com formação na FAB e mestrado na UFF para comandar por dois anos o Estado-Maior Conjunto que coordena Exército, Marinha e Força Aérea

O presidente do Chile nomeou Máximo Venegas Raggio para chefiar por dois anos o Estado-Maior Conjunto. Ex-piloto de F-5, ele estudou na FAB, fez mestrado na UFF e comandou a aviação de combate chilena desde 2024.

Flavia Marinho
Por Flavia Marinho 29/10/2026 às 22:49
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Chile escolhe ex-piloto de caça F-5 com formação na FAB e mestrado na UFF para comandar por dois anos o Estado-Maior Conjunto que coordena Exército, Marinha e Força Aérea
General Máximo Venegas Raggio recebe uma placa de um militar dos EUA no exercício Salitre 2026, em Antofagasta, em julho, antes da nomeação para o Estado-Maior Conjunto. Foto: Tech. Sgt. Joshua Edwards/U.S. Air Force/DVIDS.

O Chile escolheu um ex-piloto de caça F-5 com formação na Força Aérea Brasileira (FAB) para um dos postos mais importantes de sua estrutura militar. O general de Aviação Máximo Venegas Raggio, de 59 anos, foi designado pelo presidente José Antonio Kast, em 28 de outubro de 2026, para chefiar o Estado-Maior Conjunto (EMCO), órgão que articula o planejamento e as operações envolvendo Exército, Marinha e Força Aérea chilenos.

O nome do novo comandante tem uma ligação pouco conhecida com o Brasil: além de ter estudado na estrutura de formação de Estado-Maior da FAB, Venegas concluiu um mestrado na Universidade Federal Fluminense (UFF), no estado do Rio de Janeiro. A nomeação foi anunciada no Palácio de La Moneda, em Santiago, para um mandato de dois anos.

Presidente chileno escolheu um veterano dos caças F-5 para a chefia militar

De acordo com o Ministério da Defesa do Chile, Kast recebeu Venegas em uma audiência que também reuniu o ministro Fernando Barros e o atual chefe do EMCO, Leonardo Romanini Gutiérrez. Romanini deixará a função para assumir o comando da Força Aérea do Chile (FACh).

A troca reúne dois oficiais da aviação em posições diferentes da cúpula militar chilena. Romanini passa à chefia da própria Força Aérea, enquanto Venegas fica responsável por uma estrutura que trabalha com as três Forças Armadas, incluindo operações conjuntas e planejamento estratégico.

Antes de chegar à nova função, Venegas passou por postos de comando ligados à aviação de combate. A própria Defesa chilena registra sua experiência como piloto de guerra em aeronaves F-5, utilizado por forças aéreas de diferentes países sul-americanos.

Caça F-5 Tiger III da Força Aérea do Chile visto por trás em voo, com cauda marcada pela bandeira chilena e emblema comemorativo.
Caça F-5 Tiger III da Força Aérea chilena sobrevoa o deserto do Atacama em julho de 2026. Máximo Venegas foi piloto de F-5 no início da carreira, mas não há indicação de que pilote a aeronave fotografada. Foto: Staff Sgt. Jacob Cabanero/U.S. Air Force/DVIDS.

Formação na FAB e mestrado na UFF colocam o Brasil na trajetória do general

A carreira do futuro chefe do EMCO atravessou as fronteiras chilenas muito antes da nomeação. Seu currículo oficial informa formação como oficial de Estado-Maior pela Força Aérea Brasileira, além de estudos equivalentes na Academia de Guerra Aérea do Chile.

Ele também obteve o título de mestre em Gestão de Processos pela Universidade Federal Fluminense, instituição pública sediada em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro. A combinação de formação militar brasileira e pós-graduação civil aparece tanto na comunicação do Ministério da Defesa quanto na biografia publicada pela FACh.

Venegas é ainda engenheiro em Sistemas Aeronáuticos pela Academia de Guerra Aérea chilena. Completou cursos em avaliação de projetos na Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e em logística e distribuição na Universidade Gabriela Mistral.

O aprendizado adquirido em instituições brasileiras antecedeu as funções de comando que o oficial chileno passou a exercer na década de 2020.

Do comando logístico à aviação de combate, general ocupou cargos decisivos

O currículo militar de Venegas começou em 1985, quando ingressou na Escola de Aviação Capitão Manuel Ávalos Prado. Formou-se como alferes em 1º de janeiro de 1989 e, naquele mesmo ano, conquistou a especialidade de piloto de guerra.

Décadas depois, a trajetória passou a se concentrar nos postos mais altos da FACh. Em 2019, alcançou o grau de general de Brigada Aérea. Em 2022, foi promovido a general de Aviação e assumiu o Comando Logístico, área ligada às condições materiais e de apoio necessárias para manter a Força em atividade.

Dois anos depois, em 2024, recebeu o Comando de Combate. Era esse o posto que ocupava antes de ser indicado para o EMCO. A mudança leva um oficial que comandou estruturas logísticas e operacionais da aviação à coordenação conjunta das três instituições militares.

General chileno Máximo Venegas Raggio pronuncia um discurso durante cerimônia militar do exercício Salitre 2026 na base aérea Cerro Moreno.
Máximo Venegas Raggio, então comandante do Comando de Combate da Força Aérea chilena, discursa no encerramento do exercício Salitre 2026, em 10 de julho, em Antofagasta. Foto: Tech. Sgt. Joshua Edwards/U.S. Air Force/DVIDS.

Estado-Maior Conjunto coordena Exército, Marinha e Força Aérea do Chile

O EMCO funciona subordinado ao Ministério da Defesa Nacional. Seu trabalho envolve a preparação e o emprego combinado das forças terrestres, navais e aéreas, especialmente quando missões exigem que unidades de diferentes instituições atuem de maneira coordenada.

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A estrutura legal do órgão, fundamentada na Lei chilena nº 20.424, atribui ao chefe do Estado-Maior Conjunto a assessoria direta ao ministro da Defesa sobre o emprego conjunto das forças e o comando militar dos meios designados para operações específicas.

As atribuições incluem ainda o comando de tropas chilenas enviadas a missões de paz, quando designadas para esse tipo de operação. São responsabilidades distintas das exercidas pelo comandante em chefe da Força Aérea, cargo que caberá a Romanini.

Para Venegas, a designação marca a passagem de um comando concentrado na aviação para uma função que também envolve planejamento com unidades do Exército e da Marinha chilena.

Antes da nomeação, Venegas também representou o Chile na ONU

A experiência do oficial vai além da cabine de caça e dos comandos militares. Segundo seu histórico institucional, em 2009 ele foi subdiretor da Escola de Aviação e, no ano seguinte, tornou-se ajudante do comandante em chefe da FACh.

Em 2014, atuou como adido aéreo e de defesa junto à missão permanente do Chile nas Nações Unidas. Foi chefe do Estado-Maior da I Brigada Aérea em 2016, secretário-geral da Força Aérea em 2018 e diretor de Operações em 2020.

Essas funções acrescentaram à experiência como piloto responsabilidades de representação internacional, administração militar e coordenação de operações. O novo posto concentra tarefas que dependem de relacionamento permanente entre as três Forças chilenas e o Ministério da Defesa.

Nova chefia terá mandato de dois anos e acompanhará a troca no alto comando

A designação anunciada em 28 de outubro ocorrerá em paralelo à mudança de comando da FACh. O general Leonardo Romanini Gutiérrez, antecessor de Venegas no Estado-Maior Conjunto, foi escolhido para liderar a Força Aérea chilena.

Durante os próximos dois anos, Venegas terá de coordenar o planejamento conjunto e exercer as responsabilidades militares atribuídas ao EMCO pelas normas chilenas. A indicação coloca na chefia do órgão um oficial que começou a carreira pilotando caças e que, décadas depois, acumulou formação na FAB e em uma universidade pública brasileira.

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