O Chile escolheu um ex-piloto de caça F-5 com formação na Força Aérea Brasileira (FAB) para um dos postos mais importantes de sua estrutura militar. O general de Aviação Máximo Venegas Raggio, de 59 anos, foi designado pelo presidente José Antonio Kast, em 28 de outubro de 2026, para chefiar o Estado-Maior Conjunto (EMCO), órgão que articula o planejamento e as operações envolvendo Exército, Marinha e Força Aérea chilenos.
O nome do novo comandante tem uma ligação pouco conhecida com o Brasil: além de ter estudado na estrutura de formação de Estado-Maior da FAB, Venegas concluiu um mestrado na Universidade Federal Fluminense (UFF), no estado do Rio de Janeiro. A nomeação foi anunciada no Palácio de La Moneda, em Santiago, para um mandato de dois anos.
Presidente chileno escolheu um veterano dos caças F-5 para a chefia militar
De acordo com o Ministério da Defesa do Chile, Kast recebeu Venegas em uma audiência que também reuniu o ministro Fernando Barros e o atual chefe do EMCO, Leonardo Romanini Gutiérrez. Romanini deixará a função para assumir o comando da Força Aérea do Chile (FACh).
A troca reúne dois oficiais da aviação em posições diferentes da cúpula militar chilena. Romanini passa à chefia da própria Força Aérea, enquanto Venegas fica responsável por uma estrutura que trabalha com as três Forças Armadas, incluindo operações conjuntas e planejamento estratégico.
Antes de chegar à nova função, Venegas passou por postos de comando ligados à aviação de combate. A própria Defesa chilena registra sua experiência como piloto de guerra em aeronaves F-5, utilizado por forças aéreas de diferentes países sul-americanos.

Formação na FAB e mestrado na UFF colocam o Brasil na trajetória do general
A carreira do futuro chefe do EMCO atravessou as fronteiras chilenas muito antes da nomeação. Seu currículo oficial informa formação como oficial de Estado-Maior pela Força Aérea Brasileira, além de estudos equivalentes na Academia de Guerra Aérea do Chile.
Ele também obteve o título de mestre em Gestão de Processos pela Universidade Federal Fluminense, instituição pública sediada em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro. A combinação de formação militar brasileira e pós-graduação civil aparece tanto na comunicação do Ministério da Defesa quanto na biografia publicada pela FACh.
Venegas é ainda engenheiro em Sistemas Aeronáuticos pela Academia de Guerra Aérea chilena. Completou cursos em avaliação de projetos na Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e em logística e distribuição na Universidade Gabriela Mistral.
O aprendizado adquirido em instituições brasileiras antecedeu as funções de comando que o oficial chileno passou a exercer na década de 2020.
Do comando logístico à aviação de combate, general ocupou cargos decisivos
O currículo militar de Venegas começou em 1985, quando ingressou na Escola de Aviação Capitão Manuel Ávalos Prado. Formou-se como alferes em 1º de janeiro de 1989 e, naquele mesmo ano, conquistou a especialidade de piloto de guerra.
Décadas depois, a trajetória passou a se concentrar nos postos mais altos da FACh. Em 2019, alcançou o grau de general de Brigada Aérea. Em 2022, foi promovido a general de Aviação e assumiu o Comando Logístico, área ligada às condições materiais e de apoio necessárias para manter a Força em atividade.
Dois anos depois, em 2024, recebeu o Comando de Combate. Era esse o posto que ocupava antes de ser indicado para o EMCO. A mudança leva um oficial que comandou estruturas logísticas e operacionais da aviação à coordenação conjunta das três instituições militares.

Estado-Maior Conjunto coordena Exército, Marinha e Força Aérea do Chile
O EMCO funciona subordinado ao Ministério da Defesa Nacional. Seu trabalho envolve a preparação e o emprego combinado das forças terrestres, navais e aéreas, especialmente quando missões exigem que unidades de diferentes instituições atuem de maneira coordenada.
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A estrutura legal do órgão, fundamentada na Lei chilena nº 20.424, atribui ao chefe do Estado-Maior Conjunto a assessoria direta ao ministro da Defesa sobre o emprego conjunto das forças e o comando militar dos meios designados para operações específicas.
As atribuições incluem ainda o comando de tropas chilenas enviadas a missões de paz, quando designadas para esse tipo de operação. São responsabilidades distintas das exercidas pelo comandante em chefe da Força Aérea, cargo que caberá a Romanini.
Para Venegas, a designação marca a passagem de um comando concentrado na aviação para uma função que também envolve planejamento com unidades do Exército e da Marinha chilena.
Antes da nomeação, Venegas também representou o Chile na ONU
A experiência do oficial vai além da cabine de caça e dos comandos militares. Segundo seu histórico institucional, em 2009 ele foi subdiretor da Escola de Aviação e, no ano seguinte, tornou-se ajudante do comandante em chefe da FACh.
Em 2014, atuou como adido aéreo e de defesa junto à missão permanente do Chile nas Nações Unidas. Foi chefe do Estado-Maior da I Brigada Aérea em 2016, secretário-geral da Força Aérea em 2018 e diretor de Operações em 2020.
Essas funções acrescentaram à experiência como piloto responsabilidades de representação internacional, administração militar e coordenação de operações. O novo posto concentra tarefas que dependem de relacionamento permanente entre as três Forças chilenas e o Ministério da Defesa.
Nova chefia terá mandato de dois anos e acompanhará a troca no alto comando
A designação anunciada em 28 de outubro ocorrerá em paralelo à mudança de comando da FACh. O general Leonardo Romanini Gutiérrez, antecessor de Venegas no Estado-Maior Conjunto, foi escolhido para liderar a Força Aérea chilena.
Durante os próximos dois anos, Venegas terá de coordenar o planejamento conjunto e exercer as responsabilidades militares atribuídas ao EMCO pelas normas chilenas. A indicação coloca na chefia do órgão um oficial que começou a carreira pilotando caças e que, décadas depois, acumulou formação na FAB e em uma universidade pública brasileira.