Mais de 50 militares da Guatemala foram enviados ao Haiti para reforçar a operação internacional contra gangues que controlam áreas de Porto Príncipe. O grupo embarcou em 18 de outubro de 2026 do Aeroporto Internacional La Aurora, na Cidade da Guatemala, em meio ao agravamento da crise de segurança que ameaça tropas estrangeiras no país caribenho.
O novo contingente integrará a Força de Supressão de Gangues (GSF), organizada para apoiar a Polícia Nacional haitiana. O governo guatemalteco prometeu contribuir com até 300 militares, enquanto o contingente multinacional possui autorização para alcançar 5.500 policiais e militares, número ainda distante do efetivo mobilizado.
O embarque ocorreu em 18 de outubro, segundo notícia publicada no dia seguinte. A Infodefensa publicou em 27 uma nova reportagem sobre a mobilização, sem que isso significasse outro embarque naquela data.
Ministro da Defesa acompanhou cerimônia antes da partida para o Haiti
A despedida ocorreu na rampa da Força Aérea Guatemalteca, na rampa onde estavam aeronaves e os integrantes do contingente. O ministro da Defesa, general de divisão Henry David Sáenz, presidiu a cerimônia, que também teve a presença do adido militar dos Estados Unidos acreditado na Guatemala.
Os militares pertencem ao complemento da II Unidade de Polícia Militar destinado à missão internacional. Fotografias divulgadas pelo Exército mostram a tropa formada no aeroporto e um integrante carregando a bandeira nacional ao embarcar.
A unidade deverá atuar em apoio às forças presentes no Haiti, onde o emprego de patrulhas e a proteção de instalações exigem militares, equipamentos e suporte logístico de vários países. O governo de Bernardo Arévalo apresentou o reforço como parte do compromisso assumido com a cooperação internacional.

Outra cerimônia reuniu 150 policiais militares, incluindo 11 mulheres
O deslocamento de outubro foi precedido pela preparação da mesma unidade. Em 13 de fevereiro de 2026, o Ministério da Defesa da Guatemala realizou a entrega oficial da bandeira nacional à II Unidade de Polícia Militar, então apresentada com 150 integrantes, dos quais 11 mulheres.
Segundo o comunicado ministerial, o grupo recebeu preparo para tarefas de segurança física de instalações, disciplina, controle de trânsito das unidades e atividades de apoio. A preparação também envolveu operações voltadas ao enfrentamento do crime organizado, sempre dentro do mandato internacional atribuído à força.
A mobilização divulgada em outubro representa outra etapa desse esforço, não a repetição da cerimônia de fevereiro. A meta governamental anunciada é reunir até 300 militares guatemaltecos na missão.

Emboscada deixou quatro militares salvadorenhos desaparecidos
A saída dos guatemaltecos coincidiu com um episódio grave ocorrido na mesma data. Em 18 de outubro, integrantes da missão internacional sofreram uma emboscada em Santo, região de Croix-des-Bouquets, a aproximadamente 12 quilômetros de Porto Príncipe.
O veículo atingido transportava militares de El Salvador, e quatro aerotécnicos desapareceram após o ataque. Algumas informações preliminares mencionavam cinco desaparecidos, mas as atualizações posteriores da EFE registraram quatro militares, número também comunicado pelas autoridades salvadorenhas.
Os quatro integravam o contingente salvadorenho, e não a unidade enviada pela Guatemala. Apesar de ocorrerem durante a mesma crise, o deslocamento guatemalteco e a emboscada são fatos distintos. A GSF comunicou que manteria as operações de segurança na região.
A zona do ataque inclui acessos importantes à capital, onde gangues mantêm barricadas e disputam rotas. A segurança de viaturas, o patrulhamento das vias e a proteção das equipes de apoio são desafios permanentes para os países participantes.
Receba nossas notícias independentemente dos algorítimos das redes sociais, entre no nosso grupo agora
Força internacional pode chegar a 5.500 integrantes, mas efetivo era menor
A GSF foi autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU em setembro de 2025, em substituição à missão multinacional de segurança anteriormente liderada pelo Quênia. Seu objetivo é apoiar a polícia do Haiti na recuperação de áreas dominadas por grupos armados e na proteção de infraestruturas.
Entre os países que participam estão Guatemala, El Salvador, Jamaica, Chade, Mongólia e Sri Lanka. A força tem estrutura multinacional própria e recebe apoio logístico das Nações Unidas, mas não se confunde com uma operação tradicional de capacetes azuis.
O teto de 5.500 uniformizados não equivale ao pessoal já presente. Um relatório de progresso da GSF apontava 1.213 integrantes em 31 de agosto de 2026. Naquela ocasião, a força mantinha quatro bases e relatava patrulhas e ações para retirar barricadas instaladas por gangues.
ONU prorrogou mandato da missão até 31 de março de 2027
Em 29 de setembro de 2026, o Conselho de Segurança aprovou a Resolução 2829, prorrogando o mandato da GSF até 31 de março de 2027. A votação terminou com 12 votos favoráveis e três abstenções.
A decisão manteve o apoio da UNSOH, escritório responsável pela assistência logística e operacional. As autoridades haitianas continuam com a responsabilidade central pela segurança do país, enquanto a força internacional auxilia no combate às organizações criminosas.
A renovação amplia o prazo para chegada de novos contingentes. No caso da Guatemala, o governo preserva o objetivo de até 300 participantes; para a GSF, o desafio é expandir a presença territorial sem aumentar os riscos aos militares envolvidos.
Brasil liderou a MINUSTAH e enviou cerca de 37.500 militares
O Haiti tem também uma ligação histórica com o Brasil. Entre 2004 e 2017, o país liderou o componente militar da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH), que realizou ações de segurança e apoio à população.
Um balanço das Nações Unidas registrou cerca de 37.500 militares brasileiros empregados durante os 13 anos de participação e lembrou 25 brasileiros mortos em serviço no período.
A MINUSTAH encerrou suas atividades em 2017. A atual GSF reúne participantes e mandato diferentes; o embarque da Guatemala não representa o retorno de tropas brasileiras ao Haiti.
Reforço chega enquanto segurança das tropas desafia os países participantes
Os mais de 50 militares guatemaltecos foram mobilizados para ampliar uma operação que ainda precisa de efetivos e de proteção para as próprias equipes. O país mantém a meta de 300 participantes, enquanto o mandato da GSF segue autorizado até março de 2027.
O resultado dependerá da coordenação com a polícia haitiana, da capacidade de proteger rotas e bases e da continuidade das operações em bairros controlados por gangues. Você acredita que mais tropas estrangeiras conseguirão reduzir o poder dos grupos armados no Haiti? Deixe sua opinião nos comentários.