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China se manifesta sobre futuro do Brasil em meio à disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro: Pequim admite trabalhar com governos de direita, inclusive aliados dos EUA

Enviado chinês Qiu Xiaoqi afirmou que Pequim dialogará com governos latino-americanos de direita próximos dos EUA, mas mantém exigência sobre Taiwan. Brasil já reconhece posição chinesa antes do segundo turno.

Noel Budeguer
Por Noel Budeguer 18/10/2026 às 18:41
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China se manifesta sobre futuro do Brasil em meio à disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro: Pequim admite trabalhar com governos de direita, inclusive aliados dos EUA
Enviado chinês Qiu Xiaoqi afirmou que Pequim dialogará com governos latino-americanos de direita próximos dos EUA, mas mantém exigência sobre Taiwan. Brasil já reconhece posição chinesa antes do segundo turno.

A China afirmou que está disposta a manter relações com governos de direita e países latino-americanos próximos dos Estados Unidos, mas deixou uma condição diplomática explícita: respeito ao princípio de “uma só China”, que envolve Taiwan. A declaração foi feita em Pequim, em 12 de outubro, pelo enviado especial chinês para a América Latina, Qiu Xiaoqi, a menos de duas semanas do segundo turno presidencial brasileiro, marcado para 25 de outubro de 2026.

O recado alcança uma região em que governos de diferentes orientações mantêm relações com Washington e Pequim. No Brasil, as declarações vieram em meio à campanha entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), mas Qiu falou sobre a América Latina em geral, sem citar candidatos brasileiros.

Enviado respondeu sobre governos de direita e aproximação com os Estados Unidos

Durante um encontro sobre as relações entre China e América Latina, Qiu foi questionado sobre a ascensão de governos de direita e a aproximação de alguns países com os Estados Unidos. Segundo as declarações registradas pelo jornal chinês Global Times, ele respondeu que Pequim não estabelece divisões ideológicas para escolher seus parceiros na região.

O representante afirmou que a China respeita as decisões dos povos latino-americanos e mantém a política de não interferência em assuntos internos. A disposição para estabelecer relações amistosas abrange países da América Latina e do Caribe, desde que observem o princípio de uma só China.

A fala ocorre enquanto China e Estados Unidos disputam comércio, tecnologia, investimentos e interlocutores políticos em diferentes países latino-americanos. Qiu sustentou que a cooperação chinesa com a região continuará mesmo diante de mudanças de governo.

Uma condição sobre Taiwan impõe um limite às relações com Pequim

Taiwan é a principal exigência colocada pelo enviado chinês. O governo de Pequim considera a ilha parte de seu território e rejeita que governos estrangeiros a reconheçam como país independente. Taiwan, por sua vez, tem governo próprio, eleições democráticas e instituições que funcionam separadamente da China continental.

O princípio de “uma só China” orienta a política externa chinesa e condiciona o estabelecimento de relações diplomáticas com Pequim. Países que mantêm reconhecimento diplomático formal de Taiwan ficam fora dessa relação com a República Popular da China.

Essa diferença já produz consequências concretas na América do Sul. O Paraguai mantém relações oficiais com Taiwan e é o único país sul-americano nessa posição, enquanto outros vizinhos mantêm relações diplomáticas com Pequim.

Paraguai recebeu sanções no mesmo dia da declaração chinesa

Em 12 de outubro, Pequim anunciou sanções contra Gustavo Villate, ministro de Tecnologias da Informação e Comunicação do Paraguai, e Francis Fonseca, ministro das Relações Exteriores de Belize. Ambos pertencem a países que reconhecem diplomaticamente Taiwan.

Segundo a Agência EFE, as medidas incluem congelamento de bens na China, restrições a transações com entidades chinesas e impedimento de entrada na China continental, em Hong Kong e em Macau. A chancelaria chinesa justificou as punições com acusações de ações contrárias à sua soberania.

O governo paraguaio rejeitou as sanções e reafirmou seus laços com Taiwan. Pequim abriu o diálogo a governos de diferentes tendências políticas, mas continuou sancionando representantes de países que mantêm relações oficiais com Taiwan.

Brasil já reconhece a posição chinesa sobre Taiwan em acordo diplomático

No caso brasileiro, o princípio apontado por Qiu já consta de compromissos diplomáticos anteriores à eleição de 2026. O Brasil mantém relações com a República Popular da China desde 1974 e não reconhece Taiwan como Estado soberano independente.

Na declaração conjunta assinada em 20 de novembro de 2024, Brasil e China registraram que o governo brasileiro adere ao princípio de uma só China e reconhece Pequim como o único governo legal que representa a China.

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O documento também contém um ponto diretamente ligado à segurança: os dois países reconheceram potencial para ampliar contatos e estudar novas iniciativas nas áreas de defesa e indústria de defesa. O texto apresenta possibilidades de cooperação sem anunciar compras de equipamentos militares ou contratos de armamentos.

O mesmo comunicado previu o Ano Cultural Brasil-China em 2026 e manteve a agenda conjunta em infraestrutura, tecnologia, inovação e organismos internacionais. São áreas que atravessam sucessivos governos e seguem nas relações entre as duas maiores economias de suas respectivas regiões.

Pequim afirma querer relações estáveis com o Brasil após a eleição

A discussão ganhou força por causa do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. O candidato do PL tem proximidade política com o presidente americano Donald Trump, enquanto também declarou a intenção de adotar uma postura pragmática nas relações comerciais com a China.

Em resposta à Folha de S.Paulo sobre a possibilidade de vitória de Flávio, o Ministério das Relações Exteriores chinês afirmou que pretende trabalhar com o lado brasileiro para manter um relacionamento estável e duradouro. A chancelaria lembrou os 52 anos de relações diplomáticas entre os dois países.

A manifestação oficial veio antes do resultado das urnas e não declarou preferência por Lula ou Flávio Bolsonaro. A fala de Qiu tratou das relações chinesas com a América Latina e o Caribe, e a resposta específica sobre o Brasil foi dada separadamente pela chancelaria.

Segundo turno de 25 de outubro decidirá quem conduzirá a próxima etapa da relação

O calendário do Tribunal Superior Eleitoral fixa 25 de outubro de 2026 para o segundo turno da eleição presidencial. Até a votação, os candidatos apresentam suas posições sobre Estados Unidos, China e a continuidade de acordos internacionais.

O próximo presidente encontrará uma China disposta a negociar com governos de orientações distintas, mas inflexível quanto ao reconhecimento diplomático de Taiwan. Entre os assuntos bilaterais já formalizados estão comércio, infraestrutura, tecnologia e a possibilidade de diálogo no setor de defesa.

Qual deveria ser a prioridade do próximo presidente nas relações do Brasil com China e Estados Unidos? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a reportagem.

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