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Brasil pode ter militares dos EUA agindo dentro de casa se entrar mesmo na aliança de 17 nações liderada por Trump, como 5 já permitiram, e general americana avisa que país não pode entregar a soberania

Colômbia, Honduras, Jamaica, Guatemala e Equador já autorizaram operações militares conjuntas e um general equatoriano teme que a classificação de facções como terroristas vire pretexto para ações americanas. Com a adesão virando promessa de campanha, cresce o debate sobre militares dos EUA no Brasil.

Campos
Por Campos Atualizado em 18/10/2026 às 22:31·publicado em 18/10/2026
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Brasil pode ter militares dos EUA agindo dentro de casa se entrar mesmo na aliança de 17 nações liderada por Trump, como 5 já permitiram, e general americana avisa que país não pode entregar a soberania
Militares do Exército Brasileiro na Operação Aratu XI, em julho de 2026. A possível presença de militares dos EUA no Brasil, caso o país entre no Escudo das Américas, preocupa as Forças Armadas. Foto: Cb Marcos Vinicius da Silva/Exército

A General de Divisão da reserva do Exército dos EUA, Dustin Shultz, disse que, caso o Brasil venha a aderir ao Escudo das Américas, esse movimento terá que ser acompanhado de princípios claros que preservem sua autonomia.

A declaração de Shultz, cujo último cargo militar foi o de diretora de inteligência do Comando Sul dos EUA (Southcom), justamente a unidade militar responsável pela relação com a América Latina e o Caribe, aconteceu em entrevista à Folha de São Paulo publicada em 14 de outubro.

“O Brasil deve poder dizer: Sim, vamos fazer isso, mas, ao aderir, não estamos abrindo mão da nossa soberania nacional para tomar decisões sobre o que acontece dentro do nosso país”, argumentou Dustin Shultz.

A Folha fez uma reportagem sobre a apreensão e possível resistência dos militares das Forças Armadas brasileiras ao Escudo das Américas, aliança política capitaneada por Trump com o objetivo declarado de combater o narcotráfico e a influência econômica, política e militar da China no continente americano. 

O portal Revista Sociedade Militar já havia feito uma reportagem sobre o mesmo assunto 1 dia antes, com base em análise do IISS, um dos centros de estudos estratégicos em defesa mais importantes do mundo. A Folha expandiu a discussão ao conversar com autoridades militares do continente. 

Flávio Bolsonaro diz que colocará o Brasil no Escudo das Américas

A discussão acontece num momento em que as Forças Armadas temem a intromissão dos EUA nos assuntos de defesa do Brasil e em que a adesão ao Escudo das Américas se tornou promessa de campanha.

Na sexta-feira, 16 de outubro, o candidato à presidência Flávio Bolsonaro disse que vai colocar o Brasil como membro da aliança trumpista durante sabatina da TV Globo apresentada pela jornalista Renata Lo Prete.

Apesar de o Brasil já ter intercâmbio de informações com os EUA na área de defesa e de segurança pública, a adesão ao Escudo das Américas confere aos participantes maiores possibilidades de treinamentos, recursos, tecnologias, equipamentos e acesso à inteligência norte-americana.

Por outro lado, crescem os receios sobre as possíveis contrapartidas. Uma delas, talvez a principal, é a ocorrência de ações militares dos EUA dentro do território nacional. Algo comumente rechaçado não só no Brasil, apontado como uma nação de nacionalismo forte, como também em outros países da América Latina.

Dos 17 países do Escudo das Américas, 5 autorizaram ações militares dos EUA em território nacional

Apesar de o Escudo das Américas contar hoje com 17 países-membros, 5 autorizaram até agora operações militares conjuntas com os EUA contra grupos armados no interior de seus territórios nacionais. A informação é do próprio secretário de Defesa dos EUA, Peter Hegseth.

São os casos de Colômbia, Honduras, Jamaica, Guatemala e Equador. Nesse último, 60,65% da população já declarou ser contrária ao retorno de bases militares estrangeiras no país, por meio de um plebiscito realizado em novembro de 2025.

Por 10 anos (1999-2009), o Equador permitiu que os EUA usassem instalações da base aérea de Manta para operações de vigilância e combate ao narcotráfico. A presença terminou em 2009, quando o governo Rafael Correa não renovou o acordo e os militares norte-americanos tiveram que se retirar de Manta. 

Sob anonimato, um general equatoriano afirmou à Folha de São Paulo que o Escudo das Américas é essencialmente político e disse temer que o respeito à soberania do Equador pelos EUA seja apenas circunstancial.

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Na conversa, o militar citou a pressão feita por Trump para seus parceiros da OTAN aumentarem gastos com defesa e mencionou a brecha deixada pela classificação de facções criminosas da América Latina como terroristas. 

Na opinião do general, os EUA podem fazer operações militares no território dos países do Escudo das Américas sob esse pretexto.

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