Desenvolvido para operações anfíbias, o Sherman DD combinava uma tela impermeável, suportes infláveis e duas hélices para atravessar a água, com resultados muito diferentes nas praias da Normandia.
O Sherman DD conseguia flutuar com cerca de 30 toneladas graças a uma estrutura de lona impermeável erguida ao redor do blindado. Duas hélices instaladas na traseira permitiam avançar pela água. Ao alcançar terra firme, a tripulação baixava a tela para colocar o carro de combate em ação.
Empregado nos desembarques aliados na Normandia, em 6 de junho de 1944, o sistema levou tanques do mar até a costa francesa. Seu desempenho, porém, variou conforme o local de lançamento, as correntes e as condições das ondas.
A solução foi desenvolvida por Nicholas Straussler, inventor nascido na Hungria e naturalizado britânico. O The Tank Museum, museu dedicado à história dos blindados em Bovington, na Inglaterra, publicou em 24 de maio de 2024 um relato do próprio projetista sobre a criação do mecanismo.
A lona ampliava o volume que mantinha o Sherman DD na superfície
O princípio da adaptação era aumentar o volume estanque do conjunto. Com o casco preparado e a tela levantada, o veículo passava a deslocar água suficiente para sustentar seu peso.
Uma plataforma rígida contornava o tanque logo acima das esteiras. Sobre essa base, armações tubulares sustentavam a lona emborrachada, formando uma parede contínua ao redor do veículo. O arranjo permitia recolher a estrutura em dobras, como uma sanfona.
Na descrição técnica do The Tank Museum, a tela tinha aproximadamente 2,1 metros de altura. Tubos de borracha inflados com ar comprimido e escoras metálicas mantinham o conjunto erguido durante a travessia.
A vedação era decisiva. A lona formava parte da barreira que mantinha a água do lado de fora, e danos graves comprometiam a flutuação. O museu regimental dos Royal Dragoon Guards, unidade de cavalaria do Exército britânico, registra esse risco em sua história dos tanques DD.
Duas hélices aproveitavam o movimento do próprio tanque
A propulsão aquática exigiu outra adaptação. Straussler descreveu um mecanismo que aproveitava o movimento das rodas-guia traseiras do sistema de esteiras para acionar as hélices por meio de engrenagens.
As hélices podiam girar lateralmente para orientar o deslocamento e ser levantadas quando necessário. A instalação preservava boa parte da configuração original do veículo, um dos objetivos do projetista ao desenvolver a conversão.
O comandante dirigia o tanque na água a partir de uma plataforma atrás de sua cúpula, usando uma alavanca de governo. Segundo o The Tank Museum, a velocidade aquática era de aproximadamente 8 km/h. A designação Duplex Drive fazia referência aos dois meios de propulsão, pelas esteiras em terra e pelas hélices na água.
Tripulações treinavam para abandonar um blindado inundado
Operar o tanque anfíbio também exigia preparar os militares para uma emergência debaixo d’água. O histórico dos Royal Dragoon Guards descreve exercícios com equipamento respiratório de escape e uma reprodução do casco que podia ser inundada.
Nesse treinamento, os tripulantes praticavam a saída do compartimento submerso em sequência. A preparação fazia parte da adaptação de homens acostumados ao combate terrestre a um veículo que passaria a navegar com a maior parte de sua estrutura abaixo da superfície.
Os primeiros exercícios anfíbios do regimento utilizaram tanques Valentine. Posteriormente, os militares receberam os Sherman que empregariam na guerra. Ao desembarcar, um dispositivo de liberação rápida permitia baixar a tela e preparar o blindado para combater.
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Utah e Omaha expuseram resultados opostos no Dia D
Os registros apresentados pelo Ministério da Cultura da França, em seu portal sobre a arqueologia dos desembarques, mostram a diferença entre duas praias americanas.
Em Utah, 28 dos 32 tanques lançados chegaram à praia, em uma área relativamente protegida dos ventos predominantes. Em Omaha, dos 29 blindados do 741º Batalhão de Tanques colocados na água longe da costa, apenas dois conseguiram alcançar a margem.
A investigação dos destroços ajudou a explicar o desastre. Uma corrente forte obrigou as embarcações de desembarque a se posicionarem mais a leste. A combinação dessa corrente com a ondulação e as limitações do equipamento diante daquelas condições contribuiu para os naufrágios.
Os resultados mostram como a distância e o estado do mar pesavam sobre a operação. A capacidade de flutuar precisava ser acompanhada de condições que permitissem completar o percurso até a areia.
Um exemplar preserva a tela original da adaptação
O The Tank Museum conserva um Sherman DD que chegou à instituição em 1949. Segundo o museu, ele é o único exemplar sobrevivente dessa versão que ainda mantém sua tela de lona original.
O veículo foi fabricado como M4A2 em dezembro de 1942 e posteriormente convertido para a configuração anfíbia. Sua preservação permite observar a dimensão da estrutura dobrável e a combinação entre tecido impermeável, suportes e componentes mecânicos usada para colocar um blindado na água.
O contraste entre Utah e Omaha deixa uma questão para o debate militar. Na decisão de lançar esses tanques ao mar, quanto deveria pesar a distância até a praia diante das condições das ondas? Deixe sua análise nos comentários.