Criado durante a Guerra Fria para transportar toneladas de bombas e armamentos nucleares, o gigantesco B-52 Stratofortress está sendo preparado pelos Estados Unidos para uma nova missão: atacar forças navais com mísseis antinavio furtivos LRASM. Com oito motores, capacidade de transportar grandes cargas militares e autonomia para operar a milhares de quilômetros de suas bases, o bombardeiro poderá ampliar o poder de ataque marítimo americano.
O B-52 conta com uma configuração para transportar até 20 mísseis JASSM-ER, armamentos de precisão dos quais deriva o LRASM. Agora, os Estados Unidos pretendem incorporar a versão antinavio, ampliando suas opções de ataque contra navios de guerra. A iniciativa ganha importância no Pacífico, onde Washington e Pequim expandem suas capacidades militares.
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A iniciativa avançou em 7 de outubro de 2026, quando o Naval Air Systems Command (NAVAIR) anunciou oficialmente a intenção de contratar a Lockheed Martin para integrar o AGM-158C LRASM ao B-52. O projeto prevê atualizações de software, testes e avaliações técnicas. Ainda não existe uma data pública para a entrada em serviço dessa configuração.
B-52 poderá concentrar grande poder de fogo contra navios de guerra
O B-52 entrou em serviço em 1955, quando Estados Unidos e União Soviética disputavam a supremacia militar durante a Guerra Fria.
Mais de sete décadas depois, a aeronave continua entre os principais instrumentos de ataque estratégico da Força Aérea americana.
Sua capacidade de transportar armamentos pesados por longas distâncias permite executar missões que exigiriam várias aeronaves menores.
Um único bombardeiro poderá levar até 20 mísseis antinavio?
A Força Aérea desenvolveu uma configuração para transportar 12 mísseis JASSM-ER em suportes externos e oito no compartimento interno do B-52.
O LRASM deriva dessa família e possui dimensões semelhantes. Por isso, especialistas consideram possível alcançar uma capacidade equivalente com mísseis antinavio.
Entretanto, a carga de 20 LRASM ainda não foi certificada. O número representa uma possibilidade técnica, não uma configuração operacional confirmada.
O projeto integra os esforços para modernizar o B-52 e prolongar sua vida operacional.
Novos motores, radares e sistemas eletrônicos deverão permitir que o bombardeiro continue operando durante a década de 2050 e possivelmente além.
LRASM foi criado para atacar navios protegidos por defesas modernas

O AGM-158C LRASM, desenvolvido pela Lockheed Martin, foi projetado para atingir embarcações militares em ambientes de elevada ameaça.
O míssil combina características furtivas com sensores e sistemas de orientação que reduzem sua dependência de informações externas.
Essa combinação permite operar em situações nas quais o adversário utiliza interferências eletrônicas para dificultar a navegação e a identificação de alvos.
Como o míssil encontra um navio em movimento?
Segundo a Marinha dos Estados Unidos, o LRASM utiliza algoritmos de orientação semiautônoma para buscar e identificar objetivos marítimos.
A tecnologia permite ajustar a fase final do ataque à posição do alvo, mesmo quando ele muda de direção durante o deslocamento do míssil.
Além disso, suas características de baixa observabilidade dificultam a detecção por radares adversários.
Isso representa um desafio para agrupamentos navais protegidos por escoltas, sistemas antiaéreos e equipamentos de guerra eletrônica.
A furtividade, entretanto, não torna o armamento impossível de interceptar.
EUA já testaram LRASM contra navio no Pacífico

A integração ao B-52 ocorre após uma demonstração importante realizada pelos Estados Unidos.
Em 27 de junho de 2026, um bombardeiro furtivo B-2 Spirit lançou um LRASM contra um navio utilizado como alvo durante o exercício Valiant Shield 2026, no mar das Filipinas.
A operação aconteceu ao norte das ilhas Marianas.
A Força Aérea americana confirmou o lançamento em 29 de junho.
Bombardeiros ampliam opções de ataque marítimo
O exercício demonstrou a capacidade de empregar o LRASM a partir de um bombardeiro estratégico em uma missão de ataque naval.
O general Kevin B. Schneider, comandante das Forças Aéreas americanas no Pacífico, relacionou a operação ao fortalecimento das capacidades de combate marítimo na região.
O armamento também integra o arsenal do B-1B Lancer e dos caças F/A-18E/F Super Hornet.
Ao acrescentar o B-52, Washington pretende diversificar as plataformas capazes de lançar ataques antinavio de longo alcance.
Essa capacidade permitiria complementar as operações de porta-aviões com bombardeiros que podem partir de bases distantes.
China amplia presença naval no Pacífico e aumenta pressão sobre os EUA
Enquanto Washington prepara o B-52 para novas missões antinavio, a China amplia sua presença militar em uma das regiões mais disputadas do planeta: o Pacífico Ocidental.
Pequim investe em destróieres, porta-aviões, submarinos e mísseis de longo alcance. O objetivo é fortalecer sua capacidade de operar em áreas estratégicas, incluindo as águas próximas de Taiwan.
Essa expansão já se traduz em movimentações militares concretas. Em março de 2026, a China posicionou destróieres perto de Taiwan, aumentando a pressão naval sobre os Estados Unidos.
O avanço representa um desafio para Washington: quanto maior a presença de navios chineses em áreas disputadas, mais importante se torna a capacidade americana de atingir alvos marítimos a longas distâncias.
É nesse cenário que a integração do LRASM ao B-52 ganha relevância estratégica. O bombardeiro poderá ampliar o poder de ataque dos Estados Unidos contra forças navais adversárias, embora o Pentágono não tenha identificado a China como alvo específico do projeto.
Taiwan expõe o poder destrutivo de uma possível guerra naval
Uma eventual guerra por Taiwan poderia colocar frente a frente algumas das maiores forças navais do planeta, com porta-aviões, destróieres, submarinos e centenas de aeronaves envolvidos nas operações.
A dimensão desse cenário apareceu em um estudo publicado pelo Center for Strategic and International Studies (CSIS), em janeiro de 2023. Os pesquisadores realizaram 24 simulações de uma invasão chinesa de Taiwan e identificaram perdas devastadoras de navios e aeronaves, mesmo nos cenários em que Estados Unidos e aliados conseguiam impedir a ofensiva.
China também desenvolve mísseis para ameaçar grandes navios
A corrida por armamentos antinavio ocorre dos dois lados do Pacífico. Enquanto Washington investe no LRASM, Pequim desenvolve sistemas como o CM-302, um míssil supersônico projetado para atingir embarcações militares a longas distâncias.
A tecnologia chinesa também despertou interesse de outros países. Em fevereiro de 2026, o Irã avançou em negociações para adquirir mísseis antinavio CM-302 da China, em uma iniciativa que poderia ampliar sua capacidade de ameaçar grandes navios de guerra.
O contraste revela duas abordagens tecnológicas: enquanto o LRASM aposta na furtividade e em sensores avançados, o CM-302 utiliza velocidade supersônica para reduzir o tempo de reação das defesas adversárias.
B-52 poderá completar quase um século de serviço com uma nova missão
É nesse ambiente de crescente competição militar que os Estados Unidos pretendem ampliar o arsenal do B-52. Embora a integração do LRASM ainda dependa de testes e certificação, o projeto poderá transformar o veterano bombardeiro em uma plataforma adicional de ataque contra forças navais modernas.
Mais de 70 anos depois de entrar em serviço como símbolo do poder aéreo da Guerra Fria, o B-52 poderá enfrentar um desafio completamente diferente: ameaçar grandes frotas de guerra no Pacífico com mísseis furtivos de longo alcance.
E você, acredita que um único B-52, caso seja equipado com até 20 mísseis antinavio LRASM, poderia colocar em risco uma frota inteira? Ou os modernos sistemas de defesa dos navios seriam capazes de conter essa ameaça? Deixe sua opinião nos comentários.