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EUA ofereceram ao Brasil dois contratorpedeiros, dois submarinos e um navio-varredor por empréstimo, mas queriam que o país bancasse milhões de dólares para reativar as embarcações

Documento diplomático de 1956 mostra que os EUA propuseram emprestar ao Brasil dois contratorpedeiros, dois submarinos e um navio-varredor, com custos milionários de reativação e negociações ligadas a instalações militares.

Marcos
Por Marcos 07/10/2026 às 18:25
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EUA ofereceram ao Brasil dois contratorpedeiros, dois submarinos e um navio-varredor por empréstimo, mas queriam que o país bancasse milhões de dólares para reativar as embarcações
Documento diplomático de 1956 mostra que os EUA propuseram emprestar ao Brasil dois contratorpedeiros, dois submarinos e um navio-varredor, com custos milionários de reativação e negociações ligadas a instalações militares.

Em maio de 1956, os Estados Unidos colocaram sobre a mesa uma oferta incomum para a Marinha do Brasil: dois contratorpedeiros, dois submarinos e um navio-varredor poderiam ser cedidos por empréstimo dentro de um programa militar voltado à guerra antissubmarino. O pacote vinha acompanhado de uma conta pesada para recolocar os navios em serviço.

O telegrama circular enviado pelo secretário de Estado John Foster Dulles em 22 de maio daquele ano registrava custos estimados de US$ 1,8 milhão para reativar cada contratorpedeiro e US$ 1,3 milhão para cada submarino. A orientação americana era fazer os países beneficiários pagarem essas despesas sempre que possível.

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Os documentos hoje disponíveis no arquivo histórico do Departamento de Estado mostram que a proposta ao Brasil fazia parte de uma operação maior com países latino-americanos e também se cruzava com outra negociação estratégica: autoridades americanas cogitaram usar navios oferecidos ao Brasil nas conversas sobre instalações militares adicionais desejadas pelos Estados Unidos em território brasileiro.

Oferta previa dois contratorpedeiros, dois submarinos e um navio-varredor para o Brasil

O plano naval americano nasceu depois de pedidos repetidos de governos latino-americanos por novos meios de combate. Em vez de vender navios recém-construídos, Washington estudou retirar unidades da frota de reserva e cedê-las por empréstimo a países vinculados ao programa de assistência militar dos Estados Unidos.

No documento de 22 de maio de 1956, o Brasil aparece com um dos pacotes mais robustos: dois contratorpedeiros, dois submarinos e um navio-varredor. Chile, Colômbia, Cuba, Equador, Peru e Uruguai também estavam na lista, com quantidades e tipos diferentes de embarcações.

A justificativa militar era reforçar a capacidade antissubmarino das marinhas latino-americanas. O planejamento dos Estados Unidos naquele período tratava a proteção de portos e linhas marítimas do continente como parte da defesa do Hemisfério Ocidental.

Para receber as embarcações, cada governo teria de firmar um acordo de empréstimo e incluir os navios em seus planos militares. O telegrama também determinava que diplomatas e chefes das missões militares americanas verificassem rapidamente se os governos aceitariam participar do programa e se concordariam em pagar a reativação.

Submarinos da Marinha dos Estados Unidos alinhados na frota de reserva de Mare Island, na Califórnia, em setembro de 1950.
Submarinos da Marinha dos Estados Unidos na frota de reserva de Mare Island, em setembro de 1950, período próximo às negociações de empréstimo de navios ao Brasil. Foto: U.S. Navy / Wikimedia Commons, domínio público.

Reativar cada contratorpedeiro custaria US$ 1,8 milhão e cada submarino, US$ 1,3 milhão

Os navios não seriam entregues prontos para navegar. Eles estavam ligados à chamada “mothball fleet”, a frota americana mantida em reserva, e precisariam passar por trabalhos antes de voltar ao serviço ativo.

O custo estimado pelo governo dos Estados Unidos era de US$ 1,8 milhão por contratorpedeiro, US$ 1,3 milhão por submarino, US$ 1,6 milhão por escolta de contratorpedeiro e US$ 500 mil por embarcação de patrulha. O documento não apresenta, naquele trecho, um valor específico para o navio-varredor destinado ao Brasil.

A preferência do Pentágono era que o país receptor bancasse a conta por meio de assistência reembolsável. Um memorando anterior registrava que os Chefes do Estado-Maior Conjunto defendiam esse modelo, embora Washington admitisse usar recursos de ajuda militar em casos nos quais o país não tivesse condições de pagar.

Para o Brasil, a discussão financeira era especialmente delicada. Outro documento do período registra que autoridades brasileiras demonstraram disposição para assumir custos em programas posteriores de transferência naval, mas buscavam condições de crédito.

Documento americano sugeriu usar os navios nas negociações por instalações militares no Brasil

Uma carta de 11 de maio de 1956 levou a oferta naval para outra frente. O Departamento de Defesa sugeriu que, no caso brasileiro, a proposta de dois contratorpedeiros e um navio-varredor poderia ser usada nas negociações sobre instalações adicionais que os Estados Unidos desejavam obter no Brasil.

O mesmo texto lembra que o Brasil havia solicitado um porta-aviões. A alternativa considerada por Washington era oferecer os navios menores em vez do grande navio-aeródromo e explorar essa oferta dentro das conversas militares bilaterais.

Os papéis registram uma recomendação interna americana para usar a oferta naval como elemento de negociação, caso a embaixada considerasse a estratégia conveniente. A documentação consultada não registra um acordo automático de troca entre navios e instalações.

Naquele período, os Estados Unidos buscavam padronizar equipamentos e treinamento das forças latino-americanas e enfrentavam limitações políticas e financeiras para atender pedidos de crédito e material militar.

Brasil já tinha dois submarinos autorizados e queria mais peso dentro da relação militar com Washington

Uma nota vinculada aos documentos informa que o presidente dos Estados Unidos havia assinado, em 4 de abril de 1956, uma autorização legislativa para o empréstimo de dois submarinos ao Brasil.

Meses depois, diplomatas americanos ainda discutiam como ampliar a cooperação e evitar que a Marinha brasileira considerasse insuficiente o tratamento recebido. Em outro telegrama, a embaixada em Brasília argumentou que uma oferta de dois contratorpedeiros, dois submarinos e um navio-varredor poderia parecer modesta quando comparada às expectativas brasileiras e às ofertas feitas a outros países.

O debate continuou em 1957. Documentos posteriores mostram que Washington passou a discutir programas com quatro contratorpedeiros para o Brasil e estimou em US$ 8,8 milhões o custo de reativação dessas quatro unidades, valor que seria distribuído ao longo de três anos.

Programa ligava navios da Segunda Guerra à defesa antissubmarino do continente

Os memorandos americanos descrevem os navios previstos para empréstimo como modelos da Segunda Guerra Mundial. A intenção era empregá-los principalmente em treinamento e missões de guerra antissubmarino, reforçando a proteção de portos e rotas marítimas.

O Brasil aparecia nos planos militares dos Estados Unidos com uma das maiores estruturas navais da região. Um planejamento para 1957 projetava para a Marinha brasileira dois cruzadores, 11 contratorpedeiros ou escoltas, 13 navios de patrulha, dois meios de guerra de minas e dois submarinos.

Setenta anos depois, os documentos colocam na mesma negociação a renovação da frota brasileira, a capacidade antissubmarino no Atlântico Sul, crédito para reativar navios de reserva e o interesse americano por instalações militares no Brasil.

Os papéis de 1956 mostram equipamento naval, dinheiro, presença estratégica e influência política sendo negociados ao mesmo tempo. Você considera que o Brasil deveria aceitar esse tipo de empréstimo quando o custo de reativação ficava por conta do próprio país? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a matéria.

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