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Empresa brasileira avança em projeto inédito de embarcação que cria o próprio combustível a partir da água do mar com emissão zero e é totalmente autossuficiente

Fernando B.
Por Fernando B. 07/10/2026 às 18:22
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Empresa brasileira avança em projeto inédito de embarcação que cria o próprio combustível a partir da água do mar com emissão zero e é totalmente autossuficiente
Conceito do JAQ H2, primeiro projeto do mundo de barco totalmente autossuficiente movido a hidrogênio. Foto: Divulgação/Grupo Náutica

O Brasil avançou em um projeto inovador no setor de transição energética com o projeto do JAQ H2, um barco de grande porte capaz de criar o próprio combustível a partir da captação da água do mar e transformação em hidrogênio, proporcionando navegação irrestritra e com emissão zero de carbono.

A aposta é no hidrogênio verde (H2V), um combustível 100% livre de emissões de carbono produzido pela separação da água em hidrogênio e oxigênio por meio da eletrólise. A proposta do JAQ H2 é integrar um ciclo completo: captar água do mar, realizar a dessalinização e, por meio de eletrólise, separar as moléculas de água em oxigênio e hidrogênio.

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O hidrogênio produzido alimentará células de combustível que fornecem eletricidade para os sistemas internos e a propulsão do barco, viabilizando uma navegação com emissão zero.

Apesar de o hidrogênio já ser utilizado para mover embarcações de diferentes portes, a autossuficiência do projeto brasileiro elimina a necessidade de reabastecimento em portos, proporcionando maior autonomia para missões longas de pesquisa, por exemplo. A ideia é de que o projeto vá ao mar já em 2027.

O projeto idealizado pelo Grupo Náutica/JAQ consiste em uma embarcação de 50 metros, que vai utilizar motores elétricos (com apoio de parceiros como a brasileira WEG e geradores MWM) alimentados por células a combustível movidas a hidrogênio, gerando energia para os sistemas de bordo e propulsão 100% limpa durante a operação.

Potencial brasileiro

O hidrogênio verde e o convencional são o mesmo tipo de combustível. A diferença está na forma de obtenção: enquanto o hidrogênio tradicional pode ser produzido a partir de combustíveis fósseis, o processo de obtenção do hidrogênio verde utiliza fontes renováveis e tem emissão zero de carbono.

Por isso o combustível tem chamado atenção da indústria nacional, especialmente devido à matriz energética brasileira, que é predominantemente de fontes renováveis, com percentual acima dos 80%, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que projetos envolvendo hidrogênio verde já existentes no país podem movimentar R$ 188 bilhões, sendo inclusive uma alternativa para a descarbonização da própria indústria.

O Porto de Pecém, no Ceará, vai receber o maior investimento do setor, com o projeto pioneiro e mais avançado do Brasil para a produção em larga escala de energia limpa e descarbonização industrial. O objetivo é atingir 1 milhão de toneladas de hidrogênio verde por ano até 2032.

Expertise no setor

A JAQ, responsável pelo projeto, já tem expertise na área do hidrogênio verde. O JAQ H1 é uma embarcação com 36 metros de comprimento, equipado com um sistema de geração de energia a partir de uma célula a combustível da GWM Hydrogen alimentada por hidrogênio de baixo carbono.

Toda a hotelaria da embarcação, que inclui iluminação, climatização, cozinha e serviços de bordo, é suprida exclusivamente por esse sistema limpo e eficiente. Equipado com dois motores híbridos MAN de alta eficiência, o barco passou a navegar pelos rios amazônicos e pela costa brasileira com propulsão combinada — hidrogênio verde e sistema tradicional.

O JAQ H1, movido a hidrogênio, navegando pela Amazônia. Foto: Divulgação/Grupo Náutica

O projeto do JAQ H1 foi apresentado oficialmente durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima COP30, em Belém (PA), em novembro de 2025, e é liderado pelo empresário Ernani Paciornik, um dos pioneiros do investimento em sustentabilidade náutica no Brasil.

O JAQ H1 atua essencialmente como um laboratório flutuante para pesquisa científica, educação ambiental e desenvolvimento comunitário nos biomas. A embarcação de 36 metros representou a primeira fase do projeto JAQ Hidrogênio, com expertise de sistemas sendo essencial para o projeto do novo barco totalmente autossuficiente.

Proposta para embarcações de grande porte

O hidrogênio verde (H2V) tem o potencial de eliminar quase totalmente as emissões de carbono no transporte marítimo e na navegação interior, oference uma alternativa de energia limpa para sistemas de de ar-condicionado e energia (hotelaria) de navios.

A Organização Marítima Internacional (IMO) já prevê redução de pelo menos 20% das emissões totais na navegação até 2030 e aponta para emissões líquidas zero por volta de 2050.

O hidrogênio verde pode ser utilizado para obter combustíveis como a amônia verde e o metanol verde. Por enquanto, embarcações de maior porte possuem restrições quanto ao uso do H2V. Um dos motivos é que o hidrogênio possui uma baixa densidade energética volumétrica. Isso significa que, mesmo em estado líquido (resfriado a -253°C), ele ocupa um volume quatro a cinco vezes maior que o óleo diesel tradicional para gerar a mesma quantidade de energia.

Uso em trens já é realidade

O hidrogênio verde já tem avançado para além dos projetos experimentais, em áreas como o transporte ferroviário regional. Em vez de queimar diesel, o trem leva hidrogênio comprimido em tanques e utiliza células a combustível para produzir eletricidade a bordo. Essa eletricidade alimenta motores elétricos, normalmente com uma bateria intermediária para armazenar energia e absorver a energia da frenagem.

Eletrificar uma linha inteira exige instalar postes, fios, subestações e toda a infraestrutura elétrica. Para uma linha de baixa demanda, isso pode ser caro. O trem a hidrogênio pode manter a flexibilidade de um trem a diesel, mas substituir o motor diesel por uma geração elétrica embarcada.

O Coradia iLint, da Alstom, na Alemanha, tornou-se o primeiro trem de passageiros movido a hidrogênio a entrar em serviço comercial. Desde 2022, existem 14 unidades em operação na Baixa Saxônia e outras 27 na região metropolitana de Frankfurt.

Um dos testes mais impressionantes ocorreu em 2022, quando um iLint percorreu 1.175 km sem reabastecimento, demonstrando a possibilidade de utilização do conceito em trajetos longos.

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