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O Exército Brasileiro fechou contrato de R$ 420 milhões por sete caça-tanques Centauro II de oito rodas, com motor V8 de 720 cavalos, velocidade superior a 105 km/h e custo médio de R$ 60 milhões por viatura, com entrega de todo o lote prevista até 31 de outubro de 2028

Felipe Alves da Silva
Por Felipe Alves da Silva 15/10/2026 às 18:10
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O Exército Brasileiro fechou contrato de R$ 420 milhões por sete caça-tanques Centauro II de oito rodas, com motor V8 de 720 cavalos, velocidade superior a 105 km/h e custo médio de R$ 60 milhões por viatura, com entrega de todo o lote prevista até 31 de outubro de 2028
Centauro II, blindado italiano de oito rodas, durante testes realizados em Roma, na Itália. Desenvolvido a partir da experiência operacional da família Centauro, o veículo incorpora novas tecnologias de mobilidade, proteção e desempenho para atender às exigências dos cenários militares modernos. O Exército Brasileiro fechou contrato de aproximadamente R$ 420 milhões para adquirir sete unidades do modelo, equipado com motor V8 de cerca de 720 cavalos, velocidade superior a 105 km/h e autonomia de mais de 800 quilômetros, com entregas previstas até outubro de 2028. Foto: Leonardo Company

Com motor Iveco V8 de aproximadamente 720 cavalos, oito rodas, velocidade superior a 105 km/h e autonomia de mais de 800 quilômetros, o Centauro II combina características de um caminhão pesado com a proteção de um blindado de 30 toneladas. O novo veículo substituirá o antigo Cascavel.

O Exército Brasileiro assinou um contrato de aproximadamente R$ 420 milhões para adquirir sete unidades do Centauro II BR, um blindado italiano de oito rodas equipado com motor a diesel de aproximadamente 720 cavalos de potência. O valor representa uma média de R$ 60 milhões por veículo quando dividido pelo número de unidades, embora a contratação também inclua equipamentos, peças de reposição, treinamento e suporte logístico.

O acordo foi firmado em 31 de agosto de 2026 com o consórcio CIO, formado pela IDV e pela Oto Melara. Segundo o portal especializado Army Recognition, as primeiras unidades desse lote são esperadas para o início de 2028, e a entrega completa deverá ocorrer até 31 de outubro daquele ano.

Mas o que chama a atenção nessa compra não é apenas o armamento. O Centauro II reúne características incomuns para um veículo de 30 toneladas: consegue ultrapassar os 105 km/h em estrada pavimentada, possui transmissão automática e utiliza pneus de grandes dimensões, capazes de suportar deslocamentos em diferentes tipos de terreno.

Um motor V8 de 720 cavalos para movimentar 30 toneladas

O Centauro II utiliza o motor Iveco Vector 8V, um conjunto de oito cilindros alimentado a diesel que desenvolve 525 kW, aproximadamente 714 cavalos métricos ou 704 hp mecânicos. Em materiais técnicos, essa motorização também aparece anunciada na faixa dos 720 cavalos.

O torque chega a 2.500 Nm, equivalente a aproximadamente 255 kgfm, força necessária para movimentar o veículo com sua blindagem, torre, armamento e demais equipamentos.

A transmissão automática possui sete marchas à frente e duas à ré. O conjunto foi desenvolvido para oferecer desempenho tanto em estradas pavimentadas quanto em terrenos irregulares, onde veículos pesados precisam manter tração mesmo diante de obstáculos.

Ficha técnica do Centauro II 8×8

CaracterísticaEspecificação
MotorIveco Vector 8V, diesel
Potência525 kW, cerca de 720 cv comerciais
Torque2.500 Nm
Peso bruto30 toneladas
Tração8×8
TransmissãoAutomática, 7 marchas à frente
Velocidade máximaSuperior a 105 km/h
Autonomia rodoviáriaSuperior a 800 km
Pneus14.00 R20
Tripulação4 militares

Dados técnicos da fabricante IDV, referentes à configuração divulgada do Centauro II.

A relação peso-potência fica próxima de 24 cavalos por tonelada, uma característica importante para um veículo dessa categoria. Quanto maior a potência disponível em relação ao peso, maior a capacidade de manter o deslocamento em terrenos difíceis e de recuperar velocidade depois de reduzir a marcha.

Oito rodas, suspensão independente e mais de 800 quilômetros de autonomia

Tanque Centauro 2 do Exército Brasileiro operando na Amazônia em Roraima

Diferentemente dos carros de combate tradicionais, como o Leopard 1 utilizado pelo Exército Brasileiro, o Centauro II não se desloca sobre esteiras metálicas, conhecidas como lagartas. Ele utiliza oito rodas com pneus.

Essa configuração permite velocidades elevadas em rodovias e facilita deslocamentos por grandes distâncias sem a necessidade de transportar constantemente o blindado sobre uma carreta especial.

A suspensão é hidropneumática e independente, permitindo que cada roda acompanhe as irregularidades do terreno. O veículo também possui sistema central de calibragem dos pneus, que permite ajustar a pressão conforme as condições de deslocamento.

Segundo a fabricante, a autonomia rodoviária supera 800 quilômetros em condições especificadas de operação. Isso significa que o Centauro II pode percorrer distâncias consideráveis sem reabastecimento, embora o consumo aumente de acordo com o terreno, a velocidade e o peso transportado.

O sistema de rodas ainda apresenta uma vantagem prática: em deslocamentos rodoviários, tende a exigir menos intervenções no conjunto de rodagem do que um blindado equivalente sobre lagartas. Isso não significa, entretanto, que tenha a mesma capacidade de transposição de terrenos extremamente difíceis.

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Quanto custa um Centauro II em comparação com um caminhão pesado?

O contrato brasileiro impressiona quando transformado em valor por unidade.

Dividindo os aproximadamente R$ 420 milhões pelas sete viaturas contratadas, chega-se à média de R$ 60 milhões por Centauro II. É importante observar que esse resultado não corresponde ao preço isolado de fábrica de cada blindado: o montante engloba contratos de fornecimento e apoio, incluindo treinamento, ferramentas, peças e serviços relacionados à manutenção.

Para colocar a cifra em perspectiva, um caminhão pesado civil de transporte rodoviário custa, em geral, centenas de milhares de reais e pode ultrapassar R$ 1 milhão, dependendo da configuração. Mesmo tomando como referência um caminhão de R$ 1 milhão, o valor médio associado a cada Centauro II seria equivalente ao de 60 caminhões desse preço hipotético.

A diferença está naquilo que não aparece imediatamente quando se observa apenas o motor e as rodas.

O Centauro II precisa proteger quatro ocupantes, suportar impactos e ameaças que destruiriam um veículo convencional e transportar um canhão de 120 milímetros com equipamentos de controle de tiro, sensores e sistemas eletrônicos.

Seu casco blindado, a torre e os componentes de proteção elevam significativamente o peso, a complexidade de fabricação e os custos de manutenção.

Trata-se, portanto, de uma máquina que utiliza tecnologias semelhantes às de veículos comerciais pesados em determinados sistemas, mas cuja estrutura foi projetada para condições completamente diferentes.

Do Cascavel de seis rodas ao Centauro II de oito rodas: o que muda na garagem do Exército?

Blindado EE-9 Cascavel, fabricado pela Engesa e pertencente ao 13º Regimento de Cavalaria Mecanizado, conhecido como Esquadrão Anhanguera, deslocado de Pirassununga (SP) para participar do evento Arraiá Aéreo. Foto: Wikimedia Commons.
EE-9 Cascavel seis rodas, projeto brasileiro da Engesa, canhão de 90 mm. Foto: Wikimedia Commons.
Exército compra sete Centauro II por R$ 420 milhões. Conheça motor V8, oito rodas, velocidade, autonomia e prazo de entrega.
A aquisição do quinto lote será decisiva para o programa Centauro II no Brasil. Caso as compras sejam interrompidas antes dessa etapa, o Exército poderá ficar com uma frota reduzida, sem alcançar a fase de montagem nacional. Se todas as 98 viaturas previstas forem adquiridas, mais de 70% poderão ser montadas em Sete Lagoas, Minas Gerais. Foto: Ministério da Defesa do Brasil.

A chegada do Centauro II representa uma nova geração de blindados sobre rodas no Exército Brasileiro. Seu antecessor, o EE-9 Cascavel, foi desenvolvido pela Engesa na década de 1970 e se tornou um dos veículos mais conhecidos da indústria militar nacional.

O Cascavel possui seis rodas, enquanto o Centauro II utiliza oito. A diferença vai muito além da quantidade de pneus.

O veículo italiano é mais pesado, possui motorização muito mais potente, transmissão moderna, suspensão independente e sistemas eletrônicos de controle que não existiam quando o blindado brasileiro foi projetado.

O Cascavel utiliza um canhão de 90 milímetros. No Centauro II, o armamento principal passa para 120 milímetros, calibre empregado também em modernos carros de combate sobre lagartas.

É justamente essa combinação que explica a expressão caça-tanques. O Centauro II foi desenvolvido para enfrentar outros veículos blindados, utilizando um canhão de grande potência instalado sobre uma plataforma de rodas.

A substituição, entretanto, será gradual. Parte da frota de Cascavel continuará em serviço enquanto o Exército incorpora as novas máquinas. O programa brasileiro prevê, atualmente, 98 Centauro II, incluindo os dois exemplares utilizados nas avaliações.

Os sete novos veículos chegam até outubro de 2028, mas os primeiros Centauro II já estão no Brasil

O Exército Brasileiro já conta com dois exemplares do Centauro II utilizados em testes. Esses veículos chegaram ao país em 2024 e passaram por avaliações de mobilidade, desempenho, armamento e funcionamento dos diferentes sistemas.

O lote contratado em agosto de 2026 acrescentará outras sete unidades, elevando para nove o total de veículos adquiridos no programa.

Segundo o Army Recognition, o prazo contratual para conclusão das entregas é de 26 meses, com encerramento previsto para 31 de outubro de 2028.

As primeiras unidades desse novo lote serão fabricadas na Itália. Em etapas posteriores, existe a previsão de montagem de parte da frota brasileira nas instalações da IDV em Sete Lagoas, Minas Gerais, onde a empresa já participa da produção de blindados Guarani.

A compra dos sete veículos representa apenas o início da renovação planejada. O cronograma de novas aquisições dependerá da continuidade dos contratos e da disponibilidade de recursos.

Para quem observa o Centauro II como máquina, a transformação é bastante clara: o Exército passará de um blindado de seis rodas, criado há mais de cinco décadas, para um veículo de oito rodas com motor de aproximadamente 720 cavalos, câmbio automático, suspensão hidropneumática e velocidade rodoviária superior a 105 km/h.

A questão agora é quantas dessas máquinas efetivamente chegarão às unidades brasileiras nos próximos anos — e quanto tempo o Cascavel continuará dividindo espaço com seu sucessor.

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