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Exército faz marcha com máscaras e proteção química para ensinar especialistas a administrar calor, esforço e desgaste da tropa durante a missão

Thaís Souza
Por Thaís Souza 30/10/2026 às 19:45
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Exército faz marcha com máscaras e proteção química para ensinar especialistas a administrar calor, esforço e desgaste da tropa durante a missão
Créditos: Imagem ilustrativa criada por IA para uso editorial.

Formação em defesa química, biológica, radiológica e nuclear durou 24 semanas e colocou oficiais e sargentos diante do esforço de operar com equipamentos de proteção em ambiente de contaminação simulada.

O Exército Brasileiro submeteu alunos de defesa química, biológica, radiológica e nuclear a uma marcha com máscaras contra gases e roupas de proteção para avaliar o desgaste físico e a adaptação ao equipamento. Durante a atividade, o calor acumulado e a dificuldade respiratória relatada por um participante tornaram a administração do esforço parte do treinamento.

A marcha integrou o Curso de Especialização em Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear, conduzido pela Escola de Instrução Especializada, no Rio de Janeiro. A formação começou em 11 de maio e terminou em 23 de outubro de 2026, após 24 semanas de instrução para oficiais e sargentos.

Os detalhes foram divulgados em 26 de outubro pelo Exército Brasileiro, responsável pela escola e pela capacitação. O relato mostra como o uso da proteção interfere no ritmo de trabalho de quem precisa atuar em um cenário de ameaça QBRN.

Marcha com proteção química expôs o desgaste durante o deslocamento

Na atividade, os futuros especialistas utilizaram máscaras contra gases, roupa protetora permeável de combate e roupa protetora Tychem. Segundo a reportagem do Exército, o exercício ocorreu em ambiente simulado de contaminação, com atenção às limitações térmicas e respiratórias enfrentadas pelos participantes.

O terceiro-sargento aluno Ferreira Silva descreveu a diferença entre estudar os efeitos do equipamento e realizar uma marcha protegido. Em seu depoimento, destacou a sensação de restrição respiratória provocada pela máscara e o rápido acúmulo de calor durante o esforço.

“O esforço na marcha ganha uma proporção completamente diferente quando estamos equipados”, afirmou o aluno.

A experiência levou para o deslocamento um assunto tratado nas aulas, a degradação do desempenho. O foco estava na capacidade de continuar executando as tarefas enquanto o desgaste avançava, exigindo atenção ao esforço dos integrantes da equipe.

Alternar atividade e repouso fez parte do aprendizado operacional

No depoimento publicado pelo Exército Brasileiro, Ferreira Silva relacionou o exercício à necessidade de administrar os períodos de atividade e repouso. Para o aluno, sentir os efeitos do equipamento ajudou a compreender a importância desse controle para manter o grupo em condições de cumprir a missão com segurança.

O relato coloca uma decisão operacional no centro do treinamento. O especialista precisa considerar tanto a proteção exigida pelo cenário quanto as condições físicas de quem executa o trabalho.

Marcha com proteção química expôs o desgaste durante o deslocamento
Créditos/Fonte: Escola de Instrução Especializada/FEB

Assim, a marcha permitiu observar o emprego do equipamento durante uma tarefa que exige esforço contínuo. A adaptação técnica e a resistência física foram trabalhadas na mesma atividade, aproximando o conteúdo estudado das dificuldades descritas pelo participante.

Oficiais e sargentos do Brasil, Senegal e Argentina participaram da formação

A turma de oficiais teve tenentes do Exército Brasileiro, da República do Senegal e do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul. Entre os sargentos, participaram militares brasileiros, argentinos e integrantes da corporação de bombeiros sul-mato-grossense.

A capacitação foi voltada ao planejamento e à execução de ações diante de ameaças químicas, biológicas, radiológicas e nucleares. A presença de profissionais de diferentes instituições inseriu a formação em um contexto de cooperação militar e de atuação conjunta com a segurança pública.

Ao longo do curso, os alunos também realizaram visitas de instrução a instituições científicas, tecnológicas e operacionais. Os temas abordados incluíram meteorologia aplicada à defesa, defesa biológica, segurança nuclear e tecnológica, infraestrutura crítica e prontidão para ocorrências com produtos perigosos.

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Exercício final combinou cenários de guerra e de não guerra

Na última semana, os alunos participaram de um exercício dividido em duas fases, com simulações de guerra e de não guerra. A proposta foi aplicar de forma integrada os conhecimentos desenvolvidos durante a especialização.

Segundo o Exército, os cenários foram escolhidos para aproximar os participantes de situações que poderão encontrar na atuação profissional. A formação abrange a preparação para crises envolvendo ameaças QBRN e acidentes com produtos perigosos capazes de atingir a população.

A instituição também vinculou as competências desenvolvidas à preparação das Forças Armadas para a Copa do Mundo Feminina de 2027, que terá o Brasil como sede. A proteção de infraestruturas críticas durante o evento foi uma das aplicações citadas na publicação.

Com o encerramento do curso, oficiais e sargentos concluíram uma formação que associou estudo, cooperação com outras instituições e exercícios de aplicação. A marcha apresentou, pelo relato de um dos alunos, o peso do equipamento sobre o desempenho de quem precisa trabalhar protegido.

O aprendizado descrito por Ferreira Silva acompanha essa preparação para o emprego profissional. Administrar o esforço e os intervalos de recuperação passa a integrar as decisões necessárias para preservar a capacidade de atuação da equipe.

Para quem já treinou com máscara e roupa de proteção, qual foi o maior desafio para manter o ritmo e a segurança da equipe? Compartilhe sua experiência nos comentários.

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