Capacitação em segurança de munições no Depósito Central de Munições, em Paracambi (RJ), combinou atividades de laboratório, avaliação química e visitas técnicas à indústria e a organizações de Defesa.
Quinze sargentos do Exército Brasileiro e da Marinha do Brasil concluíram uma formação voltada à segurança de munições, com análises de explosivos, ensaios laboratoriais e técnicas de desmancho e desativação. O encerramento ocorreu em 2 de outubro de 2026, no Depósito Central de Munições (DCMun), em Paracambi, no Rio de Janeiro.
Segundo o Comando Logístico do Exército (COLOG), responsável pela divulgação institucional da atividade, a capacitação aconteceu durante agosto e setembro. O trabalho abordou tarefas que antecedem o emprego da munição pelas tropas e ajudam a avaliar as condições dos materiais mantidos nos estoques militares.
A programação levou os participantes das bancadas de laboratório ao estudo da destinação de munições, passando pelo uso de equipamentos de análise e pelo contato com organizações que fabricam ou avaliam materiais de Defesa.
Formação em Paracambi teve participantes de diferentes Regiões Militares
O grupo contou com 12 militares de diferentes Regiões Militares, um da Marinha e dois do próprio DCMun. Essa composição colocou na mesma turma profissionais de organizações distintas, ligados a uma atividade compartilhada pelas Forças, de controle técnico das munições.
A capacitação traz as frentes de atuação de Estágio Setorial de Sargento Laboratorista, Desativador de Munição e Operador do Calorímetro de Fluxo de Calor. A abertura ocorreu em 3 de agosto, conforme o registro do Comando Logístico do Exército.
Ao longo dos dois meses, a formação combinou conhecimentos de química, explosivos e munições com atividades práticas. O objetivo foi aperfeiçoar habilidades necessárias ao trabalho de laboratório e à logística desses materiais, sob coordenação da Base de Apoio Logístico.
Segurança de munições exige avaliar o que acontece dentro do material
Uma das áreas estudadas foi a estabilidade química dos explosivos. Esse controle permite examinar características do material que influenciam sua segurança durante o armazenamento, o transporte e a utilização.
As Diretrizes Técnicas Internacionais de Munição, disponibilizadas pelo programa UN SaferGuard, das Nações Unidas, relacionam a estabilidade justamente às propriedades físicas e químicas que afetam a segurança nessas etapas. O acompanhamento, portanto, alcança tanto o período em que a munição permanece guardada quanto sua movimentação e seu emprego.

A Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), fabricante de munições e pólvoras, apresenta um exemplo da importância desse trabalho. Segundo a empresa, o ensaio de estabilidade química é determinante para estabelecer a validade da pólvora e acompanha a redução do estabilizante presente no material.
A fabricante também distingue as análises químicas, físicas e de estabilidade dos ensaios balísticos, que verificam aspectos do desempenho da munição. São avaliações com finalidades próprias dentro do controle de qualidade.
Calorímetro integra o trabalho de análise dos propelentes
Entre os equipamentos abordados no estágio estava o calorímetro de fluxo de calor, empregado em avaliações de estabilidade. A calorimetria estuda as trocas de calor e oferece informações para examinar o comportamento dos materiais analisados.
Esse tipo de avaliação já aparece em pesquisas brasileiras sobre propelentes, materiais responsáveis por impulsionar o projétil. Uma tese do Instituto Militar de Engenharia (IME), disponível no portal do Ministério da Defesa, registra a realização de análises de estabilidade por microcalorimetria de fluxo de calor no DCMun.
Na pesquisa, o método aparece ao lado de outros exames laboratoriais usados para estudar propelentes à base de nitrocelulose. O exemplo mostra a ligação entre o laboratório militar e a investigação científica dos materiais utilizados em munições.
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Para os sargentos, aprender a operar esse recurso integra uma especialização que exige compreender o material examinado e a finalidade do ensaio. O equipamento faz parte de um conjunto de conhecimentos técnicos aplicado à avaliação das condições de segurança.
Desmancho e desativação também fizeram parte da preparação
A formação incluiu técnicas de desmancho e desativação segura de munições. Essas atividades tratam da etapa do trabalho com material bélico, os procedimentos especializados necessários quando uma munição precisa ser desmontada ou destinada à desativação.
De um lado, estão os exames que ajudam a conhecer as condições dos materiais; de outro, as atividades técnicas relacionadas à sua destinação.
A preparação combinou conhecimento sobre explosivos, familiaridade com os materiais e cumprimento dos procedimentos de segurança. No programa realizado em Paracambi, essas tarefas foram estudadas em conjunto com as análises químicas e os ensaios de laboratório.
Visitas à Imbel, Emgepron e CAEx aproximaram formação e indústria
Os participantes também fizeram visitas técnicas à Indústria de Material Bélico do Brasil (Imbel), à Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron) e ao Centro de Avaliações do Exército (CAEx).
A programação colocou os sargentos em contato com organizações ligadas à produção, aos projetos navais e à avaliação de materiais militares. Essas visitas complementaram as atividades desenvolvidas no depósito e permitiram relacionar o conteúdo do estágio a outras áreas do setor de Defesa.
Entre exames químicos, equipamentos de laboratório e procedimentos de desativação, a capacitação apresentou uma parte do trabalho militar que acontece antes de a munição chegar ao armamento. É nesse percurso que os profissionais avaliam materiais e executam tarefas de segurança necessárias ao apoio às tropas.
Você já trabalhou com armazenamento ou controle de munições? Conte nos comentários quais desafios dessa rotina merecem mais espaço nas discussões sobre a preparação militar.
Sim! O conhecimento é fundamental respeito com o mesmo são características importante para o profissional dessa área.