A Força Aérea Brasileira (FAB) decidiu criar um curso próprio para preparar os profissionais que trabalham na manutenção e no apoio logístico dos caças F-39 Gripen. A iniciativa chama atenção porque a instituição já utilizava materiais de treinamento fornecidos pela fabricante sueca Saab.
A explicação aparece na Portaria COMGAP nº 919, de 9 de outubro de 2026, publicada no Boletim do Comando da Aeronáutica em 15 de outubro. O documento aprova um programa de 67 horas e expõe por que a FAB considerou necessário complementar a formação existente.
FAB reconhece limitações dos cursos oferecidos pela fabricante sueca
Segundo a instrução ICA 37-1130, a FAB adquiriu e continua utilizando materiais dos cursos Familiarization Course e Gripen Type Course, oferecidos pela Saab na modalidade a distância e em língua inglesa.
Entretanto, a própria Aeronáutica identificou oportunidades de melhoria. O novo treinamento será presencial, ministrado em português e terá conteúdo mais abrangente, especialmente sobre procedimentos de segurança de voo.
A mudança também permitirá que a Força Aérea siga seu próprio planejamento pedagógico e padronize o conhecimento transmitido às equipes brasileiras. Isso não significa que os cursos da Saab tenham sido abandonados ou considerados inadequados em sua totalidade.
Documento alerta para risco à operação dos caças sem capacitação básica

A justificativa oficial vai além do idioma. A FAB afirma que o curso é a primeira etapa da preparação de mantenedores e gestores que futuramente participarão de treinamentos mais avançados sobre o F-39.
A instrução adverte que a ausência dessa base de conhecimento pode prejudicar a compreensão de conteúdos especializados, comprometendo o apoio logístico e a operacionalidade das aeronaves nas organizações militares responsáveis pelo Gripen.
Trata-se de um risco apontado para justificar a capacitação, e não de uma confirmação de que os aviões brasileiros sofreram problemas técnicos por falta de treinamento.
Duas semanas de formação e 80 períodos de aula
O Curso de Familiarização com a Aeronave F-39, identificado pela sigla CFF39, terá duração de duas semanas, distribuídas em dez dias letivos. A carga horária total corresponde a 80 períodos de 50 minutos, equivalentes a aproximadamente 67 horas.
O Instituto de Logística da Aeronáutica (ILA), sediado em Guarulhos, São Paulo, aparece como organização responsável pelo curso, que também poderá envolver unidades militares encarregadas de sua realização.
A matriz prevê 48 períodos de instrução, seis de avaliações, oito de atividades complementares, três de atividades administrativas e 15 reservados à flexibilidade da programação.
Motor, armamentos e guerra eletrônica estão no programa
Os alunos estudarão a estrutura da aeronave, sistemas hidráulicos, combustível, trem de pouso, controles de voo e mecanismos de segurança. O programa também aborda o motor F414-GE-39E, empregado no caça brasileiro.
A parte eletrônica inclui navegação, comunicações, identificação, aquisição de alvos e guerra eletrônica. Há ainda conteúdos sobre instalações de armamentos, equipamentos de apoio em solo e ferramentas usadas para administrar a manutenção da frota.
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O objetivo não é formar pilotos de combate, mas permitir que os profissionais compreendam os sistemas do avião e prestem apoio seguro às atividades de manutenção e logística.
Militares passarão por duas provas escritas
O plano pedagógico prevê duas avaliações objetivas, com 30 questões cada uma. Elas abrangem desde os componentes estruturais até propulsão, aviônica e equipamentos de suporte.
Ao final, os participantes que cumprirem os requisitos de aprovação receberão certificado de conclusão. A intenção é criar uma base comum de conhecimentos antes das etapas mais específicas de capacitação.
Brasil já recebeu treinamento da Saab na Suécia
O novo programa não começa do zero. Em 2022, a Saab informou que nove técnicos e dois engenheiros da FAB haviam concluído 12 semanas de formação na Suécia, com atividades voltadas à manutenção e ao gerenciamento da frota.
A criação do curso brasileiro representa, portanto, uma etapa adicional de organização e adaptação do conhecimento às necessidades da Força Aérea. A portaria aprova o projeto pedagógico, mas não informa quantos militares participarão da primeira turma nem confirma a data de início das aulas.