Atual chefe do Estado-Maior do Exército, Francisco Humberto Montenegro Júnior aparece nas articulações sobre uma possível troca de comando em 2027. O general ocupa a sétima posição na antiguidade do Alto Comando, enquanto outros oficiais também são considerados para o posto.
O general de Exército Francisco Humberto Montenegro Júnior, atual chefe do Estado-Maior do Exército (EME), aparece como o nome mais mencionado nas discussões sobre quem poderia assumir o comando da Força Terrestre caso o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vença a eleição presidencial de 2026. A possibilidade, porém, traz um obstáculo dentro da própria estrutura militar: Montenegro é apenas o sétimo general mais antigo do Alto Comando, e sua escolha significaria deixar para trás seis oficiais que o antecedem na ordem de antiguidade.
A informação foi publicada pelo jornalista Igor Gielow, da Folha de S.Paulo, em reportagem de 7 de outubro. Segundo a apuração, a sucessão entrou nas conversas de integrantes da cúpula militar durante a reunião do Alto Comando realizada nesta semana em Brasília. O colegiado reúne 16 generais de quatro estrelas e tem entre suas atribuições a discussão de assuntos estratégicos e promoções de oficiais-generais.
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Não há indicação oficial de Montenegro para o cargo. O cenário discutido depende do resultado do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, e de uma eventual decisão do próximo presidente da República.
General Montenegro ocupa uma posição central no Exército, mas é apenas o sétimo na ordem de antiguidade

Montenegro não é um oficial distante das decisões estratégicas do Exército. Como chefe do Estado-Maior, ocupa uma das posições mais importantes da estrutura de comando da Força, trabalhando diretamente com o planejamento militar, a organização institucional e as diretrizes de transformação do Exército Brasileiro.
Sua passagem pelo assessoramento parlamentar também é um componente relevante de sua trajetória. A experiência em Brasília e o contato com o ambiente político ajudam a explicar por que seu nome passou a circular nas discussões sobre uma possível transição de governo.
Em março de 2026, durante uma conferência na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), Montenegro apresentou uma análise da conjuntura geopolítica internacional e dos desafios para a Força Terrestre. A atividade abordou a modernização institucional, a evolução tecnológica e a necessidade de adaptação das capacidades operacionais brasileiras.
O ponto mais sensível de sua eventual indicação não está, portanto, no posto que ocupa atualmente, mas na antiguidade militar.
Segundo Gielow, Montenegro aparece na sétima posição do Alto Comando. O primeiro dessa relação é o general Luciano Guilherme Cabral Pinheiro, chefe da estrutura de finanças do Exército, cujo nome também surge entre as possibilidades para a sucessão.
A antiguidade tem peso particular na cultura militar brasileira. Oficiais que chegaram antes ao último posto da carreira costumam ocupar posição de precedência, e essa ordem tradicionalmente influencia decisões sobre os comandos das Forças.
Isso não significa, entretanto, que exista uma obrigação constitucional de escolher o general mais antigo.
Presidente pode escolher outro general: Constituição não obriga seguir a lista de antiguidade
A eventual nomeação de Montenegro colocaria em evidência uma distinção importante entre tradição militar e competência constitucional.
O artigo 84, inciso XIII, da Constituição Federal atribui ao presidente da República a competência para nomear os comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. O dispositivo não estabelece que o escolhido deva ser necessariamente o oficial mais antigo.
Na prática, a antiguidade funciona como uma referência institucional relevante, mas não elimina a prerrogativa presidencial de escolher outro general que reúna as condições legais para assumir a função.
Uma indicação fora da ordem tradicional teria significado político e administrativo. O novo comandante precisaria exercer autoridade sobre generais que o antecedem em antiguidade e preservar a coesão de uma estrutura organizada em torno de regras de hierarquia e disciplina.
É justamente esse contraste que torna a possível escolha de Montenegro relevante: o oficial ocupa uma posição estratégica e tem experiência de articulação institucional, mas não lidera a relação de antiguidade dos generais de quatro estrelas.
Outros generais entram nas discussões sobre a sucessão de Tomás Paiva
A eventual saída do general Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva do comando do Exército também abre espaço para outros nomes.
Entre os oficiais mencionados na reportagem da Folha está o general Kleber Nunes de Vasconcellos, comandante de Operações Terrestres (COTER). Sua trajetória inclui a formação paraquedista, característica que, segundo a apuração, desperta simpatia em setores ligados ao bolsonarismo.
Outro nome citado é o general Luiz Fernando Baganha, ligado à área de pessoal do Exército. Ele possui uma passagem pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) durante o governo Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2021, quando trabalhou com o general Augusto Heleno.
O general Luciano Guilherme Cabral Pinheiro também permanece entre as possibilidades, sobretudo pela posição de antiguidade que ocupa.
Os diferentes perfis mostram que a escolha não envolve somente a experiência de comando operacional. Relação com o ambiente político, trajetória administrativa, antiguidade e capacidade de interlocução institucional podem entrar nas avaliações de uma futura gestão.
Relação com Tomás Paiva pode ajudar na transição, mas também gera resistência
Um dos aspectos mais particulares da situação de Montenegro é sua proximidade com o atual comandante do Exército.
Segundo Igor Gielow, essa relação é vista como um elemento que poderia facilitar a passagem de comando em caso de mudança no governo federal. Ao mesmo tempo, representa uma dificuldade diante da resistência de integrantes da família Bolsonaro ao general Tomás Paiva.
O atual comandante ganhou projeção no debate político ao defender publicamente a legalidade constitucional e a despolitização das Forças Armadas durante a crise institucional que antecedeu sua nomeação, em janeiro de 2023.
A reportagem da Folha relata que dois aliados próximos de Flávio Bolsonaro afirmaram que a família mantém críticas à postura adotada pelo oficial naquele período.
A situação cria uma circunstância incomum: o general apontado como possível sucessor é próximo justamente de um comandante cuja atuação recebe críticas de setores associados ao eventual novo governo.
Por outro lado, essa proximidade também poderia representar continuidade administrativa em programas, projetos e processos de modernização da Força.
O Exército, procurado pela Folha, informou que não comentaria as especulações.
Mudanças podem alcançar também o Ministério da Defesa, com Marcos Degaut entre os nomes mencionados
A discussão sobre a futura cúpula militar não se limita ao comando do Exército.

A reportagem de Gielow aponta que Marcos Degaut, ex-secretário de Produtos de Defesa no governo Jair Bolsonaro, é mencionado como possível ministro da Defesa em uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro.
Degaut possui experiência no setor público e também atuou na indústria internacional de defesa. Entre maio de 2023 e abril de 2024, foi diretor do conglomerado Edge Group, dos Emirados Árabes Unidos, para o Brasil e a América Latina.
A passagem pelo grupo industrial aparece como um ponto de atenção em setores militares, devido à expansão dos investimentos da empresa no mercado brasileiro de defesa, inclusive em companhias como SIATT e Akaer.
Sua eventual escolha representaria a indicação de um civil com experiência no setor industrial de defesa para conduzir a pasta responsável pela articulação política e administrativa das três Forças.
A composição do Ministério da Defesa teria impacto direto nas futuras nomeações militares, uma vez que o ministro participa da interlocução entre a Presidência da República e os comandos do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.
Decisão sobre o comando do Exército dependerá do resultado das eleições
As discussões sobre Montenegro, os demais generais e o Ministério da Defesa permanecem no campo das possibilidades.
O resultado do segundo turno presidencial será o primeiro elemento para definir se essas articulações terão consequências práticas.
Até lá, o general Tomás Paiva permanece à frente do Exército e Montenegro segue na chefia do Estado-Maior, sem anúncio formal de mudança na estrutura de comando.
A sucessão militar costuma envolver avaliações sobre experiência, confiança institucional e continuidade administrativa. Neste caso, porém, há um fator adicional: a relação entre o próximo governo e uma Força que atravessou os últimos anos buscando reduzir sua exposição às disputas político-partidárias.
O nome de Montenegro concentra parte dessa discussão. Se vier a ser escolhido, a decisão evidenciará como o novo governo pretende conciliar a prerrogativa presidencial de nomeação com as tradições de antiguidade e a estrutura hierárquica do Exército Brasileiro.
A Dilma nomeou o terceiro na ordem de antiguidade.
Quando da minha juventude, nos governos Militares o escolhido era sempre um oficial general mais modernos e os mais velhos e mais antigos pediam reserva para que não atrapalhasse o comando do mais moderno, porém, ministro. Acredito que já chegou a hora do presidente usar esse critério.