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Governador de Mato Grosso cobra reforço do Exército nos 900 km de fronteira com a Bolívia, critica atuação federal e promete pressionar o próximo presidente após eleição

Otaviano Pivetta cobra mais presença do Exército na fronteira de 900 km com a Bolívia e promete pressionar quem vencer a Presidência. Em 2026, Gefron já apreendeu 26,3 toneladas de drogas em nove meses; a PF também atua na região.

Noel Budeguer
Por Noel Budeguer 25/10/2026 às 15:17
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Governador de Mato Grosso cobra reforço do Exército nos 900 km de fronteira com a Bolívia, critica atuação federal e promete pressionar o próximo presidente após eleição
Otaviano Pivetta em reunião oficial em Mato Grosso. Governador cobra reforço federal para a fronteira com a Bolívia. Foto de arquivo: Mayke Toscano/Secom-MT.

O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, cobrou mais militares do Exército na fronteira do Brasil com a Bolívia e anunciou que levará a exigência a quem vencer a eleição presidencial de 25 de outubro. Segundo o governador, são cerca de 900 quilômetros de divisa em que, em sua avaliação, as forças federais deveriam ampliar o patrulhamento.

Aliado de Flávio Bolsonaro (PL), Pivetta afirma que buscará diálogo também com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), caso o presidente seja reeleito. Ele quer ampliar a presença federal para liberar parte do efetivo estadual empregado na região. Até o momento, não há anúncio de novos militares deslocados em decorrência de seu pedido.

Governador exige que a União vigie a fronteira com a Bolívia

Em declarações divulgadas pelo Olhar Direto em 23 de outubro, Pivetta destacou a dimensão nacional do problema. “A fronteira de 900 quilômetros não é a divisa de Mato Grosso com a Bolívia. É a divisa do Brasil com a Bolívia”, afirmou.

O governador criticou diretamente a atuação federal. “O governo federal não contribui em nada para a segurança pública no Estado de Mato Grosso”, declarou. Essa avaliação contrasta com registros de operações da Polícia Federal, do Exército e de outros órgãos da União na região: o questionamento de Pivetta diz respeito à extensão e à continuidade do apoio.

Segundo ele, com mais vigilância federal, Mato Grosso poderia concentrar seus policiais, a inteligência e os recursos na criminalidade das cidades. A reivindicação envolve atuação do Exército e de estruturas nacionais de fiscalização, sem substituir automaticamente as forças estaduais.

O Estado mantém o Grupo Especial de Fronteira, conhecido como Gefron, que conta com equipes treinadas para operações em áreas rurais e pontos de passagem próximos ao território boliviano. O policiamento inclui patrulhamento, monitoramento de rotas e ações conjuntas com outras instituições.

Pedido chegou a Flávio Bolsonaro e poderá ser levado a Lula

Pivetta disse que já conversou sobre a fronteira com Flávio Bolsonaro e com o senador Rogério Marinho (PL-RN), articulador da campanha presidencial. Caso Lula vença o segundo turno, garantiu que aceitará o resultado e procurará uma interlocução institucional para apresentar a mesma demanda.

“Se isso acontecer, eu vou aceitar, como todo brasileiro deveria, e buscar um relacionamento institucional respeitoso”, declarou. Na ocasião, o governador não apresentou um efetivo adicional definido, um cronograma de implantação de bases ou orçamento para o eventual reforço.

A cobrança terá de ser negociada com o próximo governo federal. Mesmo que haja compromisso político, o envio permanente de tropas exige planejamento operacional, definição de missões e articulação com policiais estaduais e federais que já trabalham na região.

Gefron já apreendeu 26,3 toneladas de drogas em 2026

A pressão sobre a faixa de fronteira aparece no balanço do Grupo Especial de Fronteira (Gefron). Entre janeiro e setembro de 2026, a força de Mato Grosso apreendeu 26,3 toneladas de drogas, volume superior às 21,5 toneladas registradas durante todo o ano passado.

Segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública, o período teve 199 ocorrências, 324 prisões, 12 aeronaves e 135 veículos apreendidos. O prejuízo estimado às facções foi de R$ 371 milhões. Desde 2019, a secretaria contabiliza cerca de 130 toneladas de drogas apreendidas em operações da unidade.

O Gefron opera de forma integrada com instituições estaduais, federais e municipais. Esses resultados mostram a atividade existente na região, mas, isoladamente, não esclarecem se o efetivo destinado à divisa atende à demanda apresentada pelo governador.

Agente uniformizado do Gefron ao lado de caminhonete camuflada e dezenas de pacotes de droga apreendidos em operação de fronteira.
Integrante do Gefron, viatura e material apreendido durante operações de fiscalização em Mato Grosso. Foto: Sesp-MT/Divulgação.

A fronteira mato-grossense reúne estradas vicinais, áreas rurais e extensos trechos afastados dos centros urbanos. As organizações que transportam cargas ilegais podem utilizar diferentes rotas, exigindo atuação tanto nos caminhos terrestres quanto nos pontos de apoio logístico.

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Polícia Federal investiga avião que trouxe 511 quilos de cocaína da Bolívia

A rota aérea também é investigada. Em outubro, a Polícia Federal realizou uma nova fase da Operação Mállku, sobre um esquema de transporte de cocaína por aeronaves vindas da Bolívia. A apuração começou depois da apreensão de cerca de 511 quilos de cocaína, em fevereiro, no município de Marcelândia, no norte mato-grossense.

De acordo com a Polícia Federal, a aeronave partiu de uma região rural do leste boliviano. Em 6 de outubro, foi cumprida prisão preventiva de um investigado ligado à propriedade que dava apoio aos pousos. Pilotos, financiadores, rotas e pistas usadas pelo grupo continuam sob investigação.

A apreensão de fevereiro e o desdobramento policial de outubro ocorreram em Mato Grosso, mas são operações distintas da reivindicação política feita pelo governador. As diligências incluem investigação de pilotos, financiadores e estruturas de pouso usadas no trajeto internacional.

Avião monomotor parado em terreno rural ao lado de duas viaturas de polícia e pessoas durante uma ação de fiscalização do Gefron.
Aeronave e viaturas policiais em fiscalização registrada pelo Gefron em Mato Grosso. A cena é distinta da Operação Mállku investigada pela PF. Foto: Sesp-MT/Divulgação.

Exército já mantém efetivo e operações nas fronteiras brasileiras

O Exército informou ter realizado mais de 4 mil ações na faixa de fronteira em 2025, com prejuízo estimado de R$ 633,8 milhões a organizações criminosas. São números nacionais, referentes a várias fronteiras brasileiras, e não exclusivamente ao trecho de Mato Grosso com a Bolívia.

A Força Terrestre informou ainda, em maio de 2026, que mantém 78 organizações militares e aproximadamente 25 mil militares ao longo das fronteiras. No território mato-grossense, órgãos federais também participaram de ações integradas como a Operação Faro, coordenada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública com apoio do Gefron.

O Exército já desenvolve patrulhamento e cooperação na faixa de fronteira. Pivetta exige atuação mais intensa e permanente, cuja escala e execução ainda dependem de decisões da União.

Lei permite patrulhamento militar; Sisfron amplia monitoramento

O artigo 16-A da Lei Complementar nº 97/1999 permite às Forças Armadas atuar subsidiariamente contra delitos transfronteiriços e ambientais. Estão previstas ações como patrulhamento, revistas de pessoas, veículos e embarcações e prisões em flagrante, sem retirar competências das polícias judiciárias.

O Exército também desenvolve o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), que reúne sensores, comunicações e informações operacionais. A implantação é progressiva. Pivetta já havia defendido, em setembro, uma espécie de “muralha” tecnológica com drones, vigilância e sistemas de inteligência para cobrir a divisa.

O reforço solicitado pode envolver militares, equipamentos, inteligência e maior frequência de patrulhamento, conforme as decisões operacionais que vierem a ser tomadas. O próximo passo anunciado pelo governador é procurar o presidente eleito e exigir apoio adicional à vigilância fronteiriça.

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