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Governo Milei fala em ‘oportunismo’ no mandado contra Eduardo Bolsonaro, declara apoio a Flávio e presidente argentino encontra ex-deputado em Washington em meio à crise diplomática com o Brasil

Governo Milei questionou, por meio do porta-voz Adrián Ravier, o mandado contra Eduardo Bolsonaro. O presidente argentino encontrou o ex-deputado em Washington e reiterou apoio político a Flávio antes do segundo turno.

Noel Budeguer
Por Noel Budeguer 18/10/2026 às 17:49
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Governo Milei fala em ‘oportunismo’ no mandado contra Eduardo Bolsonaro, declara apoio a Flávio e presidente argentino encontra ex-deputado em Washington em meio à crise diplomática com o Brasil
Javier Milei recebe homenagem durante a Hispanic Heritage Gala, em Washington, em 14 de outubro de 2026, quando também esteve presente Eduardo Bolsonaro. Crédito: Presidência da Argentina / Argentina.gob.ar, CC BY 4.0.

O governo de Javier Milei acusou de “oportunismo” o momento escolhido pela Justiça brasileira para determinar a prisão de Eduardo Bolsonaro, pouco antes de o ex-deputado participar de um evento com o presidente argentino nos Estados Unidos. A crítica partiu de Adrián Ravier, porta-voz da Casa Rosada, durante entrevista coletiva realizada em 13 de outubro, em Buenos Aires.

A declaração se referiu à ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para executar a pena de quatro anos e dois meses de prisão imposta a Eduardo. A declaração ocorreu a menos de duas semanas do segundo turno presidencial brasileiro, marcado para 25 de outubro.

Eduardo estava nos Estados Unidos quando recebeu a notícia do mandado. A Casa Rosada já havia declarado apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro, enquanto as relações diplomáticas com o governo Lula permaneciam abaladas por ataques anteriores de Milei.

Porta-voz de Milei questionou a Justiça brasileira e confirmou apoio a Flávio Bolsonaro

A manifestação aconteceu depois que uma jornalista perguntou se Milei apareceria publicamente ao lado de Eduardo Bolsonaro na Hispanic Heritage Gala, em Washington. Na transcrição oficial da Casa Rosada, Ravier afirmou que a atuação da Justiça brasileira despertava atenção pelo momento escolhido e usou a palavra espanhola “oportunismo”.

Adrián Ravier fala ao microfone em púlpito da Casa Rosada, com a bandeira argentina ao lado e um monitor ao fundo.
Adrián Ravier, porta-voz do governo argentino, durante a coletiva de 13 de outubro de 2026 em que comentou o mandado contra Eduardo Bolsonaro. Crédito: Casa Rosada / Presidência da Argentina, CC BY 2.5 AR.

O porta-voz acrescentou que o governo argentino não pretendia comentar decisões judiciais de outro país. Na sequência, porém, declarou ser explícito o apoio de Javier Milei ao candidato brasileiro Flávio Bolsonaro e afirmou que o governo argentino estava otimista em relação à votação.

Esse apoio já aparecia em 6 de outubro. Na coletiva da semana anterior, o mesmo porta-voz parabenizou Flávio pelo desempenho no primeiro turno e afirmou que a Argentina desejava trabalhar lado a lado com o Brasil caso o candidato do PL fosse eleito. A manifestação ocorreu dois dias antes da ordem judicial contra Eduardo.

Questionado sobre uma possível viagem de Milei ao Brasil durante o segundo turno, Ravier respondeu que não tinha informação sobre esse deslocamento. A declaração foi relatada pela CNN Brasil em 14 de outubro, um dia depois da coletiva.

Mandado contra Eduardo Bolsonaro foi expedido depois de condenação definitiva

Em 8 de outubro, Moraes determinou o início do cumprimento da pena de Eduardo Bolsonaro, condenado pela Primeira Turma do STF por coação no curso do processo. A condenação havia sido decidida por unanimidade em junho, na Ação Penal 2782, e o caso chegou à fase de execução depois do encerramento dos recursos.

Segundo o Supremo Tribunal Federal, os ministros concluíram que Eduardo atuou nos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras e interferir no processo sobre a tentativa de golpe de Estado. O regime inicial fixado foi o semiaberto.

Além do mandado de prisão, a decisão determinou o cancelamento de passaportes brasileiros do ex-deputado. Eduardo permanece nos Estados Unidos; a ordem judicial não corresponde a uma prisão já executada em território brasileiro.

Milei cumprimentou Eduardo Bolsonaro e defendeu Flávio em discurso em Washington no dia 14

Milei e Eduardo estiveram no mesmo evento no dia 14 de outubro, durante uma gala dedicada à comunidade hispânica, na capital norte-americana. Registros fotográficos publicados pela agência Reuters mostram Javier Milei cumprimentando Eduardo Bolsonaro nos bastidores do evento.

A cerimônia concedeu a Milei o Reconhecimento ao Liderazgo e Impacto Global. Na transcrição oficial do discurso, o presidente argentino citou Flávio Bolsonaro entre os políticos latino-americanos que apoia e manifestou expectativa de vitória do candidato do PL contra Lula.

Milei também dirigiu uma saudação a Eduardo, que identificou como presente na plateia, e enviou uma mensagem de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O apoio político partiu do próprio presidente argentino durante a cerimônia, um dia depois da crítica de Ravier ao mandado de prisão.

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Os dois haviam sido anunciados entre os participantes da programação. Antes da viagem, Eduardo publicou em suas redes sociais que dividiria o palco com o presidente argentino, aliado político da família Bolsonaro. As falas de Milei e Ravier ocorreram em dias diferentes: a crítica à Justiça foi do porta-voz, e o apoio à família Bolsonaro foi reiterado pelo presidente no evento.

Presidente argentino Javier Milei ao lado de Flávio Bolsonaro, ambos com os polegares levantados, durante encontro oficial anterior à eleição.
Javier Milei e Flávio Bolsonaro durante encontro oficial realizado antes da gala de outubro, em registro divulgado pela Presidência argentina. Crédito: Presidencia de la Nación Argentina / Wikimedia Commons, CC BY 4.0.

A gala ocorreu durante a campanha presidencial brasileira. Flávio Bolsonaro disputa a Presidência com Luiz Inácio Lula da Silva, e a Casa Rosada já havia sinalizado sua preferência desde o resultado do primeiro turno.

Brasil já havia rebaixado relações diplomáticas com a Argentina em agosto

A manifestação de Ravier veio após outra crise. Em julho, durante um evento partidário em São Paulo, Milei atacou Lula e o ministro Alexandre de Moraes. O governo brasileiro convocou seu embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas.

Em 5 de agosto, a Agência Brasil informou que o Itamaraty decidiu manter Bitelli em Brasília. As relações com o país vizinho passaram a ser conduzidas no nível de encarregados de negócios, abaixo do de embaixador.

Os governos mantiveram relações diplomáticas, mas a representação política foi reduzida. A crítica feita em outubro pelo porta-voz argentino se somou às declarações anteriores de Milei sobre o presidente brasileiro e o STF. O próprio mandatário usou a gala em Washington para fazer comentários políticos sobre a eleição no Brasil.

Disputa pelo Planalto chega à última semana antes do segundo turno

O segundo turno presidencial está marcado para domingo, 25 de outubro, entre Lula e Flávio Bolsonaro. Ravier manifestou preferência pelo candidato do PL, e Milei mencionou publicamente sua expectativa de vitória durante a cerimônia em Washington.

Eduardo continua nos Estados Unidos com mandado de prisão expedido e passaportes brasileiros cancelados. A manifestação da Casa Rosada ocorreu depois do rebaixamento diplomático de agosto, em meio à disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro.

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