O F-39 Gripen é o caça mais moderno da FAB, mas uma parte essencial de seu sistema de controle de voo carrega uma herança tecnológica dos anos 1980. Ela vem da primeira geração da aeronave, desenvolvida quando o projeto sueco ainda dava seus primeiros passos.
Agora, essa tecnologia deverá ser substituída. A Saab anunciou nesta quinta-feira (15) um contrato de aproximadamente US$ 130 milhões para desenvolver um novo computador de controle de voo do Gripen, com entregas previstas para 2030.
A decisão chama a atenção do Brasil, que acaba de colocar no ar seu primeiro Gripen produzido pela Embraer e pretende operar os novos caças durante décadas.
Saab recebe contrato de US$ 130 milhões para renovar computador do Gripen
O acordo foi firmado com a Administração Sueca de Material de Defesa (FMV), órgão responsável pelas aquisições militares da Suécia.
Segundo o comunicado oficial da Saab, o contrato vale 1,3 bilhão de coroas suecas, aproximadamente US$ 130 milhões.
O dinheiro financiará o desenvolvimento de uma nova geração de computadores responsáveis por ajudar a controlar os movimentos do caça.
Esse equipamento desempenha uma função fundamental.
Quando o piloto movimenta o manche, o computador interpreta seus comandos e ajuda a ajustar as superfícies que permitem à aeronave mudar de direção, altitude e posição durante o voo.
Não se trata do computador que gerencia radares ou armamentos, mas de um componente diretamente ligado à segurança e à precisão das manobras.
Por que o Gripen moderno ainda carrega tecnologia dos anos 1980?
A explicação começa com o nascimento do próprio avião.
O projeto JAS 39 Gripen surgiu na década de 1980. Sua primeira versão, conhecida como Gripen A, realizou o voo inaugural em dezembro de 1988.
Conforme informações da agência sueca FMV divulgadas pelo portal especializado Defense Warroom, os computadores utilizados nas versões Gripen C/D e E/F têm origem em equipamentos desenvolvidos para aquela primeira geração.
Ao longo dos anos, o sistema passou por adaptações e melhorias. Entretanto, o envelhecimento de sua base tecnológica trouxe um desafio: garantir peças, manutenção e suporte por mais algumas décadas.
Receba nossas notícias independente dos algorítimos das redes sociais, entre no nosso grupo agora
Isso não significa que os Gripen atuais utilizem computadores fabricados há quase 40 anos. A questão está na origem do projeto dos equipamentos, que precisa acompanhar a evolução das aeronaves.
A Suécia decidiu agir antes que essa limitação comprometa a disponibilidade futura dos caças.
O que muda para os F-39 Gripen da Força Aérea Brasileira?
O Brasil opera a versão Gripen E, denominada F-39 pela FAB, e participa do desenvolvimento do Gripen F, modelo de dois lugares.
Ambas pertencem à família de aeronaves contemplada pelo projeto de renovação tecnológica anunciado pela Saab.
Isso significa que os Gripen brasileiros poderão receber o novo computador no futuro, dependendo das decisões técnicas e contratuais sobre sua incorporação.
Por enquanto, não existe confirmação de que a FAB tenha contratado essa atualização.
O investimento anunciado é sueco, e a fabricante ainda não divulgou custos ou cronograma de instalação para os caças brasileiros.
Mesmo assim, a novidade merece atenção porque o Brasil está no início da vida operacional de sua nova frota de combate.
Brasil acaba de realizar primeiro voo de Gripen produzido pela Embraer
O anúncio chega poucos dias depois de um marco para a indústria aeronáutica nacional.
Em 6 de outubro, o primeiro Gripen E produzido no Brasil realizou seu voo inaugural nas instalações da Embraer, em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo.
Segundo a Saab, que confirmou oficialmente o voo, a aeronave passou por verificações dos sistemas básicos e do desempenho inicial.
O avião é o primeiro de 15 Gripen previstos para fabricação nacional dentro do contrato atual, que contempla 36 caças para a FAB.
A participação brasileira no programa também ganhou importância internacional, como mostrou uma reportagem sobre o protagonismo do Brasil diante da expansão da produção do Gripen.
Enquanto o país amplia sua capacidade de fabricar aeronaves supersônicas, a Suécia prepara uma atualização que poderá acompanhar o Gripen durante boa parte de sua vida operacional.
Novo computador do Gripen tem entregas previstas para 2030
O desenvolvimento será realizado pela Saab em parceria com a FMV.
A fabricante pretende criar uma solução que facilite a manutenção e garanta a disponibilidade dos componentes necessários ao funcionamento do sistema de controle de voo.
Marcus Wandt, responsável pela área de Aeronáutica da Saab, afirmou que o projeto contribuirá para preservar a capacidade e o desempenho do Gripen nas próximas décadas.
A iniciativa ocorre enquanto o Brasil amplia as capacidades de combate de seus F-39, incluindo exercícios com armamentos modernos, como a campanha de tiro real com o míssil Meteor realizada pela FAB.
A modernização do computador de voo segue outro caminho: garantir que a aeronave continue operando com segurança, mesmo depois de décadas de serviço.
O contraste é significativo. Enquanto a FAB começa a consolidar sua nova frota de caças, a Suécia já investe US$ 130 milhões para substituir uma tecnologia cuja origem remonta aos primeiros Gripen.
Para o Brasil, a próxima questão será saber se essa evolução também fará parte do futuro dos F-39 que estão entrando em operação no país.