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Um rottweiler do Exército saltou de paraquedas sobre Itaguaí em 19 de novembro de 2011, virou o 13º cão paraquedista da Força desde 1951 e depois fez a segurança do presidente dos EUA no Rio

Felipe Alves da Silva
Por Felipe Alves da Silva 29/10/2026 às 21:52
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Um rottweiler do Exército saltou de paraquedas sobre Itaguaí em 19 de novembro de 2011, virou o 13º cão paraquedista da Força desde 1951 e depois fez a segurança do presidente dos EUA no Rio
Adam, rottweiler do Exército Brasileiro, marcou a história dos cães de guerra ao participar de um salto de paraquedas em Itaguaí, em novembro de 2011. Foto: Divulgação/Exército Brasileiro

Adam tinha oito anos quando participou da Operação Saci, a bordo de um C-105 Amazonas da FAB. O cão de guerra já havia atuado no Complexo do Alemão e se tornaria um dos personagens mais lembrados da história dos cães paraquedistas brasileiros.

O rottweiler Adam, cão paraquedista do Exército Brasileiro, protagonizou um episódio incomum da história militar nacional em novembro de 2011. Aos oito anos, embarcou em uma aeronave C-105 Amazonas da Força Aérea Brasileira (FAB) e saltou sobre a zona de lançamento de Itaguaí, no Rio de Janeiro, durante a Operação Saci.

Adam não era um animal utilizado apenas em apresentações militares. Integrante do 36º Pelotão de Polícia do Exército Paraquedista, já havia participado de missões de patrulhamento e de operações de Garantia da Lei e da Ordem no Complexo do Alemão.

Seu salto marcou a retomada de uma atividade que estava interrompida havia anos na Brigada de Infantaria Paraquedista. A trajetória do rottweiler também incluiu a Operação Arcanjo, a segurança do presidente dos Estados Unidos durante a Operação América e a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20.

A história, registrada pela Revista Operacional, volta a ganhar relevância às vésperas dos 15 anos daquele salto.

Adam saltou de um avião C-105 Amazonas depois de meses de preparação

O salto de Adam exigiu mais do que adaptar um paraquedas ao corpo de um cachorro.

O rottweiler embarcou na Base Aérea dos Afonsos, no Rio de Janeiro, em uma aeronave C-105 Amazonas do Esquadrão Arara (1º/9º GAV). Seu destino era a zona de lançamento de Itaguaí, utilizada pelas tropas paraquedistas.

Durante a operação, Adam foi lançado com um paraquedas próprio, acompanhado por militares do Exército. Na época, o procedimento utilizava uma configuração em que o animal era lançado como carga, sem permanecer preso diretamente ao corpo do paraquedista.

A preparação havia começado no início de 2011. O Centro de Instrução Paraquedista e o Batalhão de Dobragem, Manutenção de Paraquedas e Suprimento pelo Ar (DOMPSA) participaram do desenvolvimento das adaptações necessárias.

O tenente Daniel Totto Bianco, então comandante do 36º Pelotão de Polícia do Exército, explicou à imprensa que a equipe aproveitou um equipamento de rapel para estudar os pontos de pressão, a ancoragem e a distribuição do peso do animal.

O objetivo era desenvolver uma configuração compatível com a anatomia do cão e as exigências do lançamento aéreo.

A preparação técnica ajuda a compreender por que aquele salto ganhou tanta atenção. Não se tratava apenas de colocar um animal dentro de uma aeronave, mas de recuperar uma capacidade de treinamento militar que exigia equipamentos específicos e procedimentos de segurança.

O episódio foi registrado pela FAB e repercutiu na imprensa nacional em 18 de novembro de 2011.

Antes do paraquedas, o rottweiler já havia participado de operações no Complexo do Alemão

Foto: Divulgação/Exército Brasileiro
Foto: Divulgação/Exército Brasileiro

Adam possuía experiência operacional antes de se tornar conhecido como cão paraquedista.

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Empregado como cão de ataque e patrulhamento, participava de atividades de segurança realizadas por militares do Exército Brasileiro.

Em novembro de 2010, esteve presente na operação de Garantia da Lei e da Ordem no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, conforme os registros publicados pela imprensa na época.

Sua trajetória também foi associada à Operação Arcanjo, desenvolvida no contexto da atuação militar nos complexos do Alemão e da Penha.

O trabalho desses animais não se restringe a atacar ou perseguir suspeitos. Cães militares podem ser preparados para proteger instalações, acompanhar patrulhas, auxiliar no controle de distúrbios e atuar em diferentes tarefas de segurança, conforme sua especialização.

Adam reunia duas características pouco comuns em um mesmo animal: experiência em missões reais de segurança e treinamento para lançamento de paraquedas.

Essa combinação transformou o rottweiler em um personagem particular da história da Brigada de Infantaria Paraquedista.

De um salto em Itaguaí à segurança do presidente dos Estados Unidos

A participação de Adam em operações militares não terminou com a Operação Saci.

Segundo o histórico publicado pela Revista Operacional, com informações originalmente atribuídas à Revista Verde-Oliva, o rottweiler também atuou na Operação América, relacionada à segurança do presidente dos Estados Unidos durante sua visita ao Brasil.

O presidente norte-americano naquele período era Barack Obama, que visitou o Rio de Janeiro em março de 2011.

Adam também integrou atividades relacionadas à Rio+20, conferência internacional realizada na capital fluminense em junho de 2012.

Foto: Divulgação/Exército Brasileiro
Foto: Divulgação/Exército Brasileiro

As duas missões mostram a variedade de ambientes nos quais cães de guerra podiam ser empregados: desde operações em comunidades urbanas até dispositivos de segurança organizados para autoridades estrangeiras e grandes encontros internacionais.

No caso de Adam, esses registros permitem acompanhar uma trajetória que passou por diferentes missões de segurança, sem que o salto de paraquedas tenha sido sua única contribuição para o Exército.

Uma tradição que começou em 1951 com o pastor alemão Piloto

A história dos cães paraquedistas brasileiros começou muito antes de Adam nascer.

Em 1951, um pastor alemão chamado Piloto tornou-se o pioneiro dessa atividade no Exército Brasileiro.

Acostumado à convivência com a tropa, passou por um período de treinamento que incluiu saltos de torre e procedimentos de adaptação ao lançamento aéreo.

Seu quinto salto de qualificação ocorreu em 26 de julho de 1951, a bordo de uma aeronave C-47, sobre a zona de lançamento do Gramacho, no Rio de Janeiro.

No dia seguinte, Piloto participou de uma cerimônia de brevetação ao lado de 52 militares e recebeu seu próprio brevê de paraquedista.

Ao longo de sua trajetória, realizou 46 saltos. Morreu em 1954, em decorrência de doença.

A partir dele, outros cães foram treinados para participar de atividades semelhantes.

Décadas depois, Adam ajudaria a recuperar essa tradição, após um longo intervalo sem lançamentos desse tipo na Brigada Paraquedista.

Adam foi aposentado, mas permaneceu no pelotão

O rottweiler encerrou sua trajetória operacional devido à idade avançada.

Segundo o histórico da Revista Operacional, Adam foi aposentado e permaneceu no próprio pelotão onde havia servido.

A experiência de 2011 também abriu caminho para a continuidade dos treinamentos com outros cães paraquedistas.

Em dezembro de 2012, outro rottweiler, chamado Pércius, recebeu seu brevê após concluir a preparação específica e realizar um salto de aeronave militar. Em dezembro de 2013, foi a vez de Iron, também da raça rottweiler, passar pelo treinamento e participar de um lançamento.

O legado de Adam ultrapassou, assim, a imagem curiosa de um cachorro descendo de paraquedas. Seu salto fez parte da recuperação de procedimentos e conhecimentos que poderiam ser utilizados no treinamento de outros animais.

Quinze anos depois, sua história permanece ligada a uma tradição iniciada em 1951, quando o pastor alemão Piloto recebeu o primeiro brevê canino da tropa paraquedista brasileira.

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