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Brasil pode entrar em guerra com país vizinho pela 1ª vez em 156 anos mesmo sem intenção, alerta ex-ministro da Defesa, bastando um grupo armado atravessar a fronteira e o outro lado ir atrás

Celso Amorim diz nunca ter visto tantos conflitos com potencial de virar guerra desde 1942, e a Política Nacional de Defesa já alerta para riscos vindos de países vizinhos

Campos
Por Campos Atualizado em 12/10/2026 às 19:05·publicado em 12/10/2026
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Brasil pode entrar em guerra com país vizinho pela 1ª vez em 156 anos mesmo sem intenção, alerta ex-ministro da Defesa, bastando um grupo armado atravessar a fronteira e o outro lado ir atrás
Blindados do Exército Brasileiro em exercício. Para Celso Amorim, a guerra com país vizinho pode começar sem intenção, após 150 anos de paz na América do Sul. Foto: Exército

O ex-ministro da Defesa Celso Amorim (2011 a 2014) disse que, após 156 anos de paz, teme que o Brasil entre em guerra com país vizinho na América do Sul. A Guerra do Paraguai (1864 a 1870) foi o último conflito que houve no subcontinente e que teve a participação do Brasil.

Em entrevista ao canal do YouTube Tutaméia TV, publicada em 9 de outubro, Amorim afirmou que desde que se entende por gente (ele nasceu em 1942) nunca houve um momento do mundo com tantos conflitos com potencial de se tornarem uma guerra. 

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A impressão do ex-ministro da Defesa é exata. Um estudo revelou recentemente que o mundo vive o maior número de conflitos armados em 80 anos.

No caso da América do Sul, Celso Amorim elencou como possível “responsável” o Escudo das Américas de Donald Trump, o qual disse parecer mais um “escudo da guerra”.

“Eu fui ministro da Defesa e sei como essas coisas são complicadas. Às vezes não é nem intenção, mas em perseguição a um grupo que atravessa a fronteira, o outro atravessa também, e aí começa uma guerra. Assim começam as guerras. Nós [brasileiros] somos muito contra esse tipo de trabalho”.

O Escudo das Américas é uma coalizão de países criado e liderado por Donald Trump à margem da mediação das Nações Unidas com a justificativa de combater a narcotráfico, promover cooperação militar e também conter a influência chinesa no Hemisfério Ocidental. A China é, desde 2009, o maior parceiro comercial do Brasil.

Na prática, a coalização que promete cooperação de inteligência e coordenação de operações contra organizações criminosas é formada apenas por presidentes de países do continente americano da extrema direita ou ideologicamente mais alinhados ao republicano.

São os casos de Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai, Guiana, Peru, Colômbia, Equador e Panamá, por exemplo. O candidato à presidência Flávio Bolsonaro disse que colocará o Brasil no grupo. Algo que foi recusado pelo presidente Lula e pela presidente do México, Claudia Sheinbaum.

Na entrevista, Celso Amorim defendeu outras formas de colaboração contra as facções. Duas delas, o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), já foram classificadas unilateralmente pelos EUA como organizações terroristas.

“Quer cooperar, trocar informação, ter até ajuda financeira para combater o narcotráfico? Estamos totalmente de acordo com isso. O Brasil precisa disso também. Agora, com respeito à soberania de cada a

país”.

Brasil e Venezuela podem ter ficado por um fio

No caso do Brasil, o momento em que o país ficou mais próximo de um eventual conflito com algum vizinho nos últimos tempos foi em 2025.

Em 23 janeiro daquele ano, tropas do ditador Nicolás Maduro adentraram o território da cidade de Pacaraima, em Roraima, para fazer uma manobra durante o exercício militar Escudo Bolivariano. 

O episódio praticamente rompeu de vez as relações políticas entre os 2 países e provocou o deslocamento de blindados, militares e mísseis do Exército brasileiro para a região amazônica.

As coisas já não iam bem desde que o ditador havia anunciado que invadiria Essequibo, na Guiana, o que por terra só seria possível se passasse por território brasileiro. Maduro também estava aumentando continuamente a presença de militares na fronteira com a Guiana.

Documento de defesa do Brasil alerta para conflitos na América do Sul

Ex-ministro da Defesa do Brasil, Celso Amorim, durante entrevista ao canal do YouTube Tutaméia TV. Foto: Reprodução/YouTube

A preocupação de Celso Amorim com as guerras na América do Sul não é inédita. A própria Política Nacional de Defesa do Brasil, com última edição publicada em novembro de 2025, já alertava que o país poderá sofrer consequências de conflitos internos e externos dos vizinhos na América do Sul e dos conflitos causados pela crescente competição estratégica entre as grandes potências mundiais.

O documento deixa claro que “é essencial que o Brasil dedique contínua atenção à sua Defesa” em um cenário internacional marcado por tensões estratégicas entre grandes potências, enfraquecimento do regime comercial centrado na Organização Mundial do Comércio (OMC), intensificação de disputas abertas e veladas por recursos naturais abundantes na América Latina e expansão dos gastos militares em defesa.

“De forma proativa, o País deve se manter permanentemente preparado para inibir ou repelir ameaças à sua soberania”, diz um trecho da Política Nacional de Defesa.

Na avaliação de Celso Amorim, no entanto, há hoje em dia uma preocupação muito maior com a defesa no Brasil do que na época em que ele foi ministro.

“Submarino nuclear, desenvolvimento do Gripen, capacitação de defesa do Exército, tendo drones, tendo instrumentos adequados (…) Infelizmente custa dinheiro, mas também traz emprego qualificado e cria tecnologia. 90% das grandes tecnologias que usamos hoje nasceram no uso militar e depois tiveram outro uso”.

Confira a entrevista do ex-ministro da Defesa Celso Amorim:

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2 Comentários
Jefferson Côrtes
Jefferson Côrtes
12/10/2026 19:19

Frederico Carneiro Campos, coronel do exército imperial…

Jefferson Côrtes
Jefferson Côrtes
12/10/2026 19:18

Quando o então nomeado governador da Província do Mato Grosso afirmou que não era necessário ter um exército forte, o Brasil foi invadido por tropas a comando do General Lopez. A moral da história que ele era contra e foi rendido e morreu como prisioneiro dos paraguaios. Se não investir e treinar, vão invadir…com um governo fraco e submisso…