Revista Sociedade Militar, todos os direitos reservados.

Condenado a 13 anos por homicídio, major que recebia R$ 18,3 mil líquidos perde patente definitivamente e agora tem demissão formalizada pelo Exército

Felipe Alves da Silva
Por Felipe Alves da Silva 16/10/2026 às 18:14
Compartilhar
Condenado a 13 anos por homicídio, major que recebia R$ 18,3 mil líquidos perde patente definitivamente e agora tem demissão formalizada pelo Exército
Major da reserva do Exército Brasileiro perde posto e patente após decisão definitiva do Superior Tribunal Militar. Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial.

A Revista Sociedade Militar revelou em junho que o oficial continuava na folha de pagamento mesmo após a condenação criminal. Agora, documento oficial confirma a conclusão da etapa administrativa que faltava para o seu desligamento da Força.

O Exército Brasileiro formalizou a demissão do major da reserva remunerada Nildo Gonçalves de Souza, condenado a 13 anos de prisão por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. O desligamento foi registrado em documento oficial divulgado nesta sexta-feira, 16 de outubro de 2026, quatro meses após o Superior Tribunal Militar (STM) determinar a perda de seu posto e patente.

A decisão judicial tornou-se definitiva em 3 de setembro. A novidade agora é a formalização administrativa da demissão, desdobramento de um caso acompanhado pela Revista Sociedade Militar desde junho, quando o portal revelou que o oficial havia recebido R$ 18,3 mil líquidos em maio de 2026, além de registrar despesas com diárias e deslocamentos.

Crime ocorreu em 2012 e condenação se tornou definitiva em 2025

O caso remonta a janeiro de 2012, em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas. Segundo a acusação, o oficial atraiu uma mulher com quem mantinha um relacionamento extraconjugal para um encontro sob o pretexto de comemorar seu aniversário.

A vítima foi assassinada, e o militar acabou condenado por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

Conforme apuração publicada pela Revista Sociedade Militar em 27 de junho, o oficial também utilizou sua posição hierárquica para ordenar que um soldado descartasse materiais relacionados ao crime. Os objetos foram posteriormente recuperados durante a investigação.

Embora a condenação tenha ocorrido em 2021, seu trânsito em julgado foi registrado em 23 de abril de 2025, permitindo o prosseguimento do procedimento constitucional de perda do posto e da patente no STM.

STM decidiu em junho, mas demissão só foi formalizada em outubro

Em junho de 2026, o Superior Tribunal Militar declarou o major indigno para o oficialato. A defesa havia questionado, entre outros pontos, o tempo transcorrido desde o crime.

A decisão que retirou seu posto e patente tornou-se definitiva em 3 de setembro de 2026.

O novo documento oficial do Exército, examinado pela Revista Sociedade Militar, confirma que o Departamento-Geral do Pessoal formalizou a demissão em outubro, depois de encerrada a discussão judicial.

O ato também estabelece que o militar não terá de indenizar a União pelas despesas com sua formação, preparação ou cursos militares.

A diferença é importante: em junho, a Justiça Militar havia determinado a perda da patente; agora, o Exército concretizou administrativamente o desligamento do oficial.

O que acontece com a remuneração do major?

Na reportagem anterior, a Revista Sociedade Militar identificou remuneração bruta próxima de R$ 26,4 mil e líquida de R$ 18,3 mil em maio de 2026. Também apontou registros de pelo menos R$ 8 mil relacionados a diárias e deslocamentos.

A demissão representa uma mudança na situação funcional do militar, mas o documento publicado nesta sexta-feira não esclarece os efeitos financeiros específicos do desligamento, nem informa se houve suspensão de pagamentos ou eventuais acertos posteriores.

Receba nossas notícias independente dos algorítimos das redes sociais, entre no nosso grupo agora

Entrar no grupo agora

Assim, não é possível afirmar apenas com base no novo ato que o major continuou recebendo os mesmos valores até outubro.

A publicação confirma, por enquanto, a execução administrativa da decisão do STM, encerrando formalmente o vínculo militar que havia permanecido após a condenação criminal.

guest
0 Comentários