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Marcos Pontes ouviu que ser piloto era só para filho de rico, mas foi incentivado por tio que era Suboficial. Foi a luta, chegou no espaço e mandou recado aos críticos

Marcos pontes chegou ao espaço, foi desestimulado por alguns, mas recebeu o incentivo d eum tio, que é suboficial da Força Aérea Brasileira

Robson Augusto
Por Robson Augusto 30/10/2026 às 20:36
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Marcos Pontes ouviu que ser piloto era só para filho de rico, mas foi incentivado por tio que era Suboficial. Foi a luta, chegou no espaço e mandou recado aos críticos
Senador astronauta Marcos Pontes Fonte: Senado Federal

O senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) usou a sessão especial do Senado pelos 120 anos do 14-bis para relembrar a Missão Centenário, que o levou à Estação Espacial Internacional há 20 anos. E não deixou passar a chance de responder a quem ainda questiona o custo da viagem.

A sessão, convocada a pedido do senador Dr. Hiran, ocorreu em 21 de outubro e celebrou também o Dia do Aviador e o Dia da Força Aérea Brasileira. Pontes presidiu os trabalhos e acabou virando um dos homenageados.

O menino de Bauru que ficava no gradil do aeroclube

Pontes contou que, quando criança, em Bauru (SP), ia até o gradil do aeroclube para ver as aeronaves decolarem. O sonho era ser piloto.

A resposta que ouvia era um balde de água fria. “Pô, ser piloto, cara, isso é impossível para você. Isso é só para filho de rico. Você nunca vai conseguir”, relembrou no plenário.

O garoto estudou no Senai e trabalhou como eletricista. “O céu parecia muito longe, mas não era”, disse.

Cadete em 1981, caçador e piloto de testes

A virada começou em 10 de fevereiro de 1981, quando ele se apresentou na Academia da Força Aérea. Pontes lembrou que chovia “na horizontal” por causa do vento e que os corredores estavam vazios.

De lá, foi piloto de caça, estudou Engenharia Aeronáutica no ITA e se tornou piloto de testes.

Segundo ele, a FAB derruba justamente a barreira que tentaram colocar no seu caminho. “Não importa de onde você veio, qual é o seu nível social, todo mundo lá é igual”, afirmou. Pontes também creditou ao tio, suboficial mecânico de aviação da FAB, o incentivo para entrar na Força Aérea Brasileira.

A Soyuz decolou de Baikonur em 30 de março de 2006

O menino que diziam que nunca ia voar acabou indo bem mais alto que o aeroclube.

Em 30 de março de 2006, a nave Soyuz TMA-8 decolou de Baikonur, no Cazaquistão. A bordo estavam o comandante russo Pavel Vinogradov, o americano Jeffrey Williams e “aquele menino lá de Bauru”, como Pontes se descreveu.

A viagem recebeu o nome de Missão Centenário, em homenagem aos 100 anos do voo do 14-bis. O emblema no uniforme trazia o 14-bis ao lado da Estação Espacial Internacional, da Soyuz e do globo terrestre.

“Cem anos entre um cesto de vime em Bagatelle e a Estação Espacial em órbita”, resumiu.

Chapéu e lenço de Santos Dumont no espaço

Pontes levou na missão uma réplica do chapéu de Santos Dumont e um lenço original do Pai da Aviação.

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Sempre que falava com a imprensa internacional, fazia questão de segurar ou vestir o chapéu. “A gente precisa mostrar o nosso Brasil, o que há de bom no nosso Brasil”, disse.

Na estação, ele realizou experimentos científicos brasileiros escolhidos pela Academia Brasileira de Ciências e preparados por pesquisadores de universidades e institutos do país.

A volta foi em 8 de abril, na Soyuz TMA-7, com Valery Tokarev e William McArthur, depois de quase dez dias no espaço.

O recado aos “críticos de plantão”

A missão sempre teve quem torcesse o nariz para o investimento. No plenário, Pontes respondeu sem rodeios.

“Aos críticos de plantão, eu deixo um recado”, disse. Segundo ele, a projeção internacional, o retorno de imagem e mídia, o protagonismo global e o transbordamento tecnológico da Missão Centenário foram “muito maiores do que qualquer investimento realizado”.

O senador afirmou ainda que a missão inspirou e continua inspirando crianças e jovens a seguir carreiras estratégicas, e apostou que muitos dos cadetes presentes sonharam com o espaço vendo aquela viagem.

Mas fez questão de dividir o mérito. “Aquela missão não foi de uma pessoa só”, disse, citando cientistas, engenheiros, técnicos, militares e a Agência Espacial Brasileira. “Eu fui a pessoa que teve a honra de carregar o trabalho de todas essas pessoas lá para cima.”

“Tudo que eu levei para o espaço eu aprendi aqui embaixo”

Pontes atribuiu à Força Aérea a base do que usou em órbita: disciplina, trabalho em equipe, respeito pelo procedimento, segurança de voo e confiança no grupo. “Nada disso se improvisa”, afirmou.

Homenagem fora do roteiro

O astronauta não esperava sair da sessão com um certificado nas mãos. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) entregou a ele um reconhecimento pelos 20 anos da missão.

Mourão arrancou risos do plenário ao comparar as experiências. “O máximo de distância que eu vi da Terra, livremente, foram 18 mil pés”, brincou o general, que fez 159 saltos de paraquedas.

“Essa não estava no script”, admitiu Pontes, que contou ainda ter sido informado de que é o primeiro senador oriundo da FAB que também foi ministro.

O Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno, também parabenizou o senador pelos 20 anos da missão e lembrou que, em um ou dois anos, ele completa 50 anos de ingresso na Força.

Indianos e chineses ouvindo o brasileiro

O representante da Anac, Roberto José Silveira Honorato, contou uma cena recente em um museu nos Estados Unidos, diante de um módulo da Estação Espacial Internacional.

Enquanto Pontes explicava o equipamento, indianos e chineses pararam para ouvir. “É um orgulho do Brasil tê-lo como um brasileiro legítimo”, disse Honorato.

A frase da mãe e o livro “É Possível!”

Aos jovens, Pontes repetiu o conselho que ouvia da mãe: “Estude, trabalhe, persista. Sempre faça mais do que esperam de você. Você chega aonde você quiser”.

Ele citou o livro que escreveu, “É Possível!”, cujo título, segundo ele, resume toda a trajetória.

E deixou uma pergunta no ar. “Há 120 anos, um brasileiro mostrou ao mundo que o homem podia voar. Há 20 anos, o Brasil mostrou que pode chegar ao espaço. A pergunta que fica é: aonde o Brasil vai chegar daqui a 20 anos?”

Para o garoto a quem disseram que voar não era para ele, a resposta veio de Baikonur.

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