Revista Sociedade Militar, todos os direitos reservados.

Em um dos treinamentos mais duros das Forças Armadas brasileiras, a Marinha leva seu grupo de elite de Comandos Anfíbios de navio até uma área de infiltração em clima frio, após marchas de 40 km e etapas com 40 kg de carga

Navio de Apoio Oceânico Mearim transportou alunos, instrutores e embarcações dos Comandos Anfíbios até uma área de infiltração em treinamento de clima frio do curso de 2026, que dura 34 semanas na Marinha do Brasil.

Marcos
Por Marcos 07/10/2026 às 20:44
Compartilhar
Em um dos treinamentos mais duros das Forças Armadas brasileiras, a Marinha leva seu grupo de elite de Comandos Anfíbios de navio até uma área de infiltração em clima frio, após marchas de 40 km e etapas com 40 kg de carga
Navio de Apoio Oceânico Mearim transportou alunos, instrutores e embarcações dos Comandos Anfíbios até uma área de infiltração em treinamento de clima frio do curso de 2026, que dura 34 semanas na Marinha do Brasil.

Um navio da Marinha do Brasil entrou diretamente na formação dos Comandos Anfíbios ao transportar alunos, instrutores e embarcações até uma área de lançamento e infiltração usada em treinamento para operações em clima frio. O meio empregado foi o Navio de Apoio Oceânico Mearim, que colocou o componente naval dentro de uma fase prática do Curso Especial de Comandos Anfíbios de 2026.

A missão levou o grupo e seus meios até o ponto definido para a infiltração, fazendo a transição entre o deslocamento marítimo e a etapa seguinte do treinamento. A atividade foi conduzida pelo Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo, o CIASC, unidade responsável pela formação especializada de Fuzileiros Navais.

Receba nossas notícias independente dos algorítimos das redes sociais, entre no nosso grupo agora

Entrar no grupo agora

Mearim levou tropa, instrutores e embarcações até o ponto de infiltração

Durante a comissão, o Mearim recebeu a bordo os alunos do curso, a equipe de instrução e as embarcações utilizadas no exercício. O navio navegou até a área prevista para o lançamento, onde começou a fase de infiltração.

O treinamento passou a exigir coordenação entre tripulação, instrutores e militares em formação. A tropa precisou trabalhar a transição entre o navio, as embarcações menores e o ambiente onde a missão continuaria, aproximando o exercício de uma sequência real de deslocamento e inserção de pessoal.

Comandos Anfíbios da Marinha do Brasil realizam deslocamento em embarcação pneumática durante treinamento de infiltração marítima, com um navio da força ao fundo. Foto: Marinha do Brasil.
Comandos Anfíbios da Marinha do Brasil realizam deslocamento em embarcação pneumática durante treinamento de infiltração marítima, com um navio da força ao fundo. Foto: Marinha do Brasil.

Curso de 2026 avançou após seis semanas de adaptação intensa

O Curso Especial de Comandos Anfíbios de 2026 avançou em junho para uma nova etapa depois de seis semanas de adaptação à atividade de operações especiais. Segundo o CIASC, a formação tem duração total de 34 semanas e prepara oficiais e praças da Marinha para planejar e executar Operações Especiais de Fuzileiros Navais.

Nessa fase, os alunos passaram por instruções de combate, natação, armamento, comunicações, primeiros socorros e técnicas de patrulha. A etapa terminou com avaliações físicas e de liderança, incluindo uma marcha de mais de 40 quilômetros pela Restinga da Marambaia.

Clima frio faz parte de uma formação que percorre vários ambientes do Brasil

A fase apoiada pelo Mearim integra um modelo de formação que leva os futuros Comandos Anfíbios a operar em ambientes muito diferentes. A Marinha já descreveu o curso com missões em clima frio, Pantanal, Caatinga, selva amazônica, montanha e ambiente marítimo.

Cada cenário muda a forma de deslocamento, planejamento e uso do equipamento. Temperatura, terreno, vegetação, distância e disponibilidade de apoio influenciam a navegação, a carga transportada e a velocidade com que uma equipe consegue avançar até o objetivo.

Treinamentos anteriores já exigiram quase 20 km com 40 kg por militar

O histórico recente do curso mostra o nível de exigência física imposto aos alunos. Em 2023, durante treinamento em ambiente de montanha, militares realizaram uma infiltração e um retraimento de quase 20 quilômetros em terreno acidentado.

Cada aluno carregava em média cerca de 40 quilos de equipamento. A atividade contou com apoio do Exército Brasileiro, incluiu técnicas de escalada militar e terminou com uma operação planejada pelos próprios alunos na região da Serra da Moeda, em Minas Gerais.

Na Amazônia, alunos já avançaram por rio e selva durante dois dias

Outra etapa do mesmo curso, realizada em 2022 na Amazônia Ocidental, levou os militares a uma infiltração fluvial seguida de deslocamento terrestre em terreno de selva. A progressão por terra durou dois dias e ultrapassou 20 quilômetros.

Os participantes também receberam instruções de navegação fluvial e sobrevivência em ambiente ribeirinho. Depois da progressão pela selva, foram retirados por um helicóptero EC-725 Jaguar do Exército Brasileiro e embarcaram no Navio-Patrulha Fluvial Pedro Teixeira, reunindo rio, terreno terrestre, aeronave e navio dentro do mesmo ciclo de treinamento.

A sequência terminou na região do encontro das águas dos rios Negro e Solimões. Para os alunos, a mudança sucessiva de meio e terreno exigiu manter navegação, organização do equipamento e coordenação da equipe enquanto a missão avançava por ambientes muito diferentes.

Comandos Anfíbios são preparados para entrar por mar e continuar a missão em terra

Os Comandos Anfíbios fazem parte das operações especiais do Corpo de Fuzileiros Navais. A formação exige que o militar consiga atuar a partir do mar, usar embarcações, avançar por diferentes terrenos e manter capacidade de planejamento e execução sob fadiga e condições ambientais difíceis.

O emprego de um navio de apoio amplia esse preparo porque coloca no mesmo exercício embarque, deslocamento, aproximação, lançamento de meios menores e entrada da tropa na área definida para a missão.

Mearim colocou o apoio naval dentro da fase prática do curso

O emprego do Mearim reuniu o navio, embarcações de apoio, instrutores e alunos na mesma atividade. A comissão divulgada em outubro confirmou o transporte até a área de lançamento e infiltração, sem informar distância navegada, duração total da missão ou quantidade de participantes nessa etapa específica.

O navio funcionou como plataforma de transporte e apoio para colocar os militares no ponto em que começaria a infiltração. Para os alunos, essa fase acrescenta o trabalho com um meio real da Marinha à preparação física e técnica acumulada nas semanas anteriores.

Formação segue até o fim do ciclo de 34 semanas

O treinamento em clima frio integra uma formação longa e seletiva. Ao fim das 34 semanas, os militares aprovados deverão estar capacitados para atuar em operações especiais de Fuzileiros Navais, combinando deslocamento marítimo, infiltração, patrulha, reconhecimento e atuação em ambientes hostis.

O curso de 2026 já passou por marchas extensas, avaliações de liderança e etapas técnicas antes de chegar a treinamentos com navios e infiltração. O avanço para ambientes diferentes coloca os alunos diante de condições que mudam completamente a execução de uma missão.

O que você acha desse tipo de treinamento dos Comandos Anfíbios da Marinha? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a matéria com quem acompanha operações militares brasileiras.

guest
0 Comentários