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Marinha recebe sinal verde para projeto de R$ 1,35 bilhão com 3 navios armados para vigiar águas brasileiras e combater crimes no mar

Alisson Ficher
Por Alisson Ficher 22/10/2026 às 23:56
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Marinha recebe sinal verde para projeto de R$ 1,35 bilhão com 3 navios armados para vigiar águas brasileiras e combater crimes no mar
Navio-Patrulha Macaé (P-70), da Marinha do Brasil. A Força planeja construir três novos navios para reforçar a vigilância marítima. Foto: Marinha do Brasil.

A Marinha do Brasil deu mais um passo para renovar sua frota de patrulha com um projeto de R$ 1,35 bilhão destinado à construção de três navios militares nacionais. As embarcações terão armamentos, sistemas de vigilância e capacidade para combater crimes no mar, proteger plataformas de petróleo e ampliar a presença brasileira em áreas estratégicas.

A proposta recebeu prioridade de financiamento do Fundo da Marinha Mercante (FMM) em julho de 2026. O projeto é conduzido pela Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron), estatal ligada à Marinha, e prevê a construção de três unidades do Navio-Patrulha Brasileiro de 500 toneladas, conhecido como NPa500BR.

Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, a aprovação ocorreu durante a 63ª reunião ordinária do Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante, realizada em 16 de julho. A decisão incluiu o projeto militar em uma carteira de 15 propostas voltadas à construção, modernização e reparação de embarcações.

O valor de R$ 1,35 bilhão representa uma prioridade para obtenção de financiamento, etapa que permite avançar nas negociações com instituições financeiras. A construção dos navios ainda depende da formalização dos contratos e dos procedimentos necessários à execução do projeto.

Novos navios terão canhão de até 40 mm e poderão permanecer 20 dias no mar

Desenvolvido no Brasil, o NPa500BR foi projetado para realizar patrulhas prolongadas, identificar embarcações suspeitas e apoiar operações de fiscalização marítima. O navio combina armamentos, radares e equipamentos de observação para permitir a atuação da Marinha em diferentes situações.

As especificações divulgadas para o projeto incluem um canhão de até 40 milímetros e duas metralhadoras com sistemas automáticos de movimentação e pontaria. O conjunto foi concebido para atender às necessidades de uma embarcação de patrulha, especialmente em ações de proteção e fiscalização.

O navio terá aproximadamente 59 metros de comprimento, autonomia prevista de 20 dias e capacidade para acomodar até 43 pessoas, incluindo tripulantes e pessoal destacado. Seus equipamentos de navegação e vigilância permitirão acompanhar o tráfego marítimo e apoiar a identificação de possíveis atividades ilegais.

A proposta também prevê um raio de ação superior a 2.500 milhas náuticas e vida útil projetada de 30 anos. Essas características foram pensadas para reduzir a necessidade de retornos frequentes às bases durante missões de patrulhamento.

Embora sejam embarcações militares armadas, os NPa500BR possuem funções diferentes das fragatas e corvetas destinadas a operações de combate de maior intensidade. Seu emprego estará concentrado na vigilância marítima, na fiscalização e na proteção de interesses brasileiros no oceano.

Combate ao tráfico, pesca ilegal e proteção de plataformas de petróleo

Uma das principais missões dos novos navios será ampliar a capacidade de fiscalização das águas sob jurisdição brasileira, especialmente em regiões com intenso movimento de embarcações comerciais, pesqueiras e de apoio à exploração de petróleo.

A Marinha precisa acompanhar atividades que vão desde a pesca irregular até o transporte clandestino de mercadorias e drogas. Em determinadas operações, esse trabalho envolve outros órgãos públicos, responsáveis por investigações, fiscalização ambiental e repressão a crimes.

Os NPa500BR foram concebidos para atuar nesse cenário. Com radares, equipamentos de observação e armamentos, poderão apoiar abordagens, identificar embarcações suspeitas e manter presença naval em áreas onde a fiscalização depende de deslocamentos por longas distâncias.

Outro emprego previsto é a proteção de plataformas de petróleo e gás, instalações cuja segurança tem importância direta para a economia brasileira. Os navios também poderão participar de operações de busca e salvamento, prestar assistência em emergências marítimas e apoiar ações de monitoramento ambiental.

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Essas atividades fazem parte da proteção da chamada Amazônia Azul, expressão utilizada pela Marinha para designar a vasta área marítima de interesse estratégico do Brasil, que reúne recursos naturais, rotas comerciais, atividades pesqueiras e importantes reservas de petróleo.

Marinha planeja 8 novos navios brasileiros, mas financiamento contempla 3 unidades

Os três NPa500BR incluídos na prioridade de R$ 1,35 bilhão representam uma parcela de um programa naval mais abrangente.

No Relatório de Gestão de 2025, a Marinha informou que o Programa de Obtenção de Navios-Patrulha (PRONAPA), incorporado ao Novo PAC, prevê a construção de oito unidades do NPa500BR em estaleiro nacional a ser selecionado.

Desse conjunto de oito embarcações planejadas, três deverão possuir capacidade de contramedidas de minagem, voltada ao enfrentamento de ameaças representadas por minas navais. A documentação não estabelece que essas três unidades especializadas sejam necessariamente as mesmas contempladas na atual prioridade financeira.

O programa também prevê a retomada da construção de outros três navios-patrulha da Classe Macaé no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, projeto distinto do NPa500BR.

A renovação busca substituir gradualmente meios que se aproximam do fim de sua vida operacional e preservar a capacidade da Marinha de manter navios em atividade nas diferentes regiões marítimas do país.

A construção nacional também envolve uma cadeia de fornecedores de equipamentos, sistemas eletrônicos, componentes mecânicos e serviços de engenharia. A Emgepron detém o projeto de engenharia desenvolvido pelo Centro de Projetos de Sistemas Navais da própria Marinha, o que permite ao Brasil preservar conhecimento técnico e adaptar as embarcações às suas necessidades operacionais.

Projeto brasileiro avançou na engenharia e ainda precisa passar pela etapa de construção

O desenvolvimento do NPa500BR já ultrapassou a fase inicial de concepção. Em janeiro de 2025, foi formalizada a entrega do Projeto Básico de Engenharia à Emgepron, com documentação referente à estrutura, propulsão, sistemas elétricos, automação e características de navegação.

O projeto também passou por processo de certificação com sociedade classificadora reconhecida internacionalmente. Essa etapa permite estabelecer parâmetros de segurança e requisitos técnicos que orientarão a futura construção.

A principal questão agora está na transformação do projeto em navios efetivamente contratados. As informações públicas consultadas apontam a necessidade de seleção do parceiro industrial, contratação do financiamento e definição do cronograma de execução.

Pelas regras do Fundo da Marinha Mercante, os projetos que recebem prioridade têm prazo inicial de até 450 dias para formalizar a contratação do financiamento, com possibilidade de prorrogação por mais 180 dias.

A publicação do edital de construção, a definição do estaleiro responsável e a assinatura dos contratos serão os próximos marcos para determinar quando os três NPa500BR poderão começar a ser construídos e, posteriormente, incorporados à frota da Marinha do Brasil.

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