Os candidatos ligados à caserna que disputaram as Eleições 2026 somaram 5.387.680 votos em 15 estados e no Distrito Federal, segundo os resultados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Das 61 candidaturas mapeadas, apenas 8 terminaram eleitas. As outras 53 ficaram na suplência ou fora da disputa.
A maior fatia desse total de votos recebidos vem de um único candidato. O tenente-coronel reformado do Exército Luciano Zucco (PL), eleito governador do Rio Grande do Sul com 3.516.048 votos (58,05%), responde por quase dois terços da soma. Sem ele, os outros 60 candidatos reuniram 1.871.632 votos.
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Cinco cadeiras no Congresso Nacional
No Senado, o Capitão Contar (PL), militar do Exército Brasileiro reformado, venceu em Mato Grosso do Sul com 856.045 votos, 32,82% dos válidos.
Na Câmara dos Deputados, o General Pazuello (PL) foi eleito pelo Rio de Janeiro com 146.148 votos. O General Girão (PL) voltou a vencer no Rio Grande do Norte com 133.258 votos, e o Coronel Chrisóstomo (PL) se elegeu em Rondônia com 51.487 votos. Por São Paulo, o capitão reformado do Exército Renato Bolsonaro (PL) foi o mais votado do grupo para a Câmara, com 379.312 votos.
Nas assembleias legislativas, o Coronel Henrique (PL) conquistou vaga em Minas Gerais com 52.948 votos, e o Capitão Martim (Republicanos) foi eleito no Rio Grande do Sul com 37.589 votos.
Dois generais eleitos, dois generais fora
Quatro generais disputaram vagas na Câmara. Pazuello e Girão foram eleitos. O General Peternelli (União), que já exerceu mandato de deputado federal por São Paulo, recebeu 2.357 votos e ficou na suplência. No Paraná, o General Hermeson (Republicanos) obteve 152 votos, um dos menores desempenhos de todo o levantamento.
Hélio Lopes trocou o Rio por Roraima e ficou sem mandato
O subtenente da reserva do Exército Hélio Fernando Barbosa Lopes (PL) chegou à Câmara em 2018 como o deputado federal mais votado do Rio de Janeiro, com 345.234 votos. Em 2022, reeleito pelo mesmo estado, recebeu 132.986 votos, queda de 61,5% em quatro anos.
Para 2026, transferiu o título eleitoral para Boa Vista e disputou o Senado por Roraima. Recebeu 79.038 votos, 12,97% dos válidos, e não foi eleito.
Votações expressivas que não garantiram vaga
Entre os não eleitos, as maiores votações foram de Alana Passos (PL), com 26.528 votos para deputada federal no Rio, e do Professor Capitão Marinho (PSB), com 18.548 para deputado estadual na Bahia.
Em Mato Grosso do Sul, o Sargento Prates (PL) fez 8.549 votos para a Assembleia Legislativa e o Tenente Portela (PL) teve 4.642 para deputado federal. Em Santa Catarina, o Coronel Armando (PP) recebeu 8.894 para deputado federal. No Distrito Federal, o Capitão Davi (PL) somou 5.495, Salve Jorge (Podemos) fez 4.598, Carlos Macedo (Podemos) teve 1.024 e o Coronel Aviador Luiz Gama (Novo) ficou com 956.
No Rio, ficaram de fora Marcus Naval (Agir), com 4.577 votos para deputado estadual, Wagner Coelho (DC), com 4.423 para Deputado Federal, Marcos Almeida (União), com 3.281, Serafim (Avante), com 2.874, o Sub Antônio Andrade (PT), com 1.766, e Marcelo Sub do Judô (Novo), com 1.330 para deputado estadual.
Em Minas Gerais, o Sargento Prado (PL) teve 4.904 votos para deputado estadual e o Coronel Evandro (PL) fez 3.100 para federal. Em Roraima, o Major Emmanuel (PL) recebeu 4.098 para Deputado Federal.
Acima de mil votos aparecem ainda Bruna Nunes (União-PA, 2.452), o Major Kid Preto Hugo Christiani (PL-GO) com 2.076 votos, o Sgt Roksinaidy (Mobiliza-DF) com 2029, o Capitão Marques (Novo-PR), com 1690 e o Sargento Rivaldo (PL-RN), com 1.271.
Entre 500 e mil votos ficaram PR Oséas Costa (Republicanos-RS), com 971, o Sargento Wagner (Novo-RS), 883 votos, o Sargento Sousa SP (Missão-SP), 768, o Subtenente Everton (Solidariedade-PR), 667 votos, Peter Costa (PL-SE), 662 votos, Alex Sabino (Novo-RJ), 559 votos e Luis Alegria do Passarinheiro (Podemos-RJ), com 532 votos recebidos.
19 militares tiveram menos de 500 votos
Dos 61 candidatos, 19 terminaram a eleição com menos de 500 votos, quase um terço do grupo. Com a linha de corte em mil votos, o número sobe para 27.
O menor desempenho foi de D’Glória (Cidadania), candidato a deputado estadual no Rio de Janeiro, com 37 votos. Em seguida aparecem o Suboficial Anfrisio (PRD), em Santa Catarina, com 41; Francisco Cunhado (Mobiliza), na Bahia, com 49; o Sargento Elivaldo (PV), em Roraima, com 50; e o Sgt Tiago Celestino (Avante), candidato a deputado federal em São Paulo, com 53.
Completam a faixa o Suboficial Jesson Santos (DC-MS), 133 votos; Marcelo Pernoncini Filho (PL-RS), 144 votos; o General Hermeson (Republicanos-PR), 152 votos; Glaucio Marujo (Republicanos-RJ), 178 votos; Ricardo Naval (Republicanos-RJ), 217 votos; o Coronel Minikélo (Podemos-PR), 229 votos; e o Sargento Rogério Pádua (Republicanos-SP), 259 votos.
Logo acima aparecem Bispo Paulo Santos (Democrata-RJ), 290 votos; José Everaldo (PSB-RJ), 308 votos; o Sargento Surita (Avante-RO), 358 votos; o Sargento Gustavo (Cidadania-RJ), 362 votos; Thiago Nazareth (Podemos-RJ), 385 votos; Adelmo Souza (Republicanos-RS), 449 votos; e a Sargento Priscilla (PL-RR), 493 votos. O Rio de Janeiro concentra sete desses 19 nomes.
Major Costa Araújo concorreu condenado em duas ações penais militares
No Piauí, o Major Costa Araújo (PL) disputou vaga de deputado federal e recebeu 3.396 votos, 0,16% dos válidos. Não foi eleito.
Certidão emitida pela 10ª Circunscrição Judiciária Militar, em Fortaleza, em 24 de junho de 2026, registra duas ações penais militares contra João Paulo da Costa Araújo Alves na Justiça Militar da União.
Nos dois casos, o julgamento coube ao Conselho Especial de Justiça, colegiado que julga oficiais, e a situação registrada é a mesma: condenado sem trânsito em julgado. A certidão informa que não há condenação definitiva nem execução penal em andamento, o que significa que ainda cabem recursos.
Coronel Costa e Silva perdeu o prazo de filiação por dois dias
Em São Paulo, o Coronel Costa e Silva (PL) recebeu 1.720 votos para deputado federal, todos registrados pelo TSE como “anulado sub judice”.
Coronel do Exército, Adriano da Costa e Silva foi transferido a pedido para a reserva remunerada em 1º de abril de 2026, por portaria publicada no Diário Oficial da União em fevereiro. A filiação ao PL, porém, consta no sistema da Justiça Eleitoral em 6 de abril. Pelo artigo 9º da Lei 9.504/1997, o prazo final era 4 de abril, seis meses antes do primeiro turno.
Em 25 de agosto, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) indeferiu o registro por unanimidade. A defesa alegou que a cerimônia de despedida só ocorreu em 6 de abril e que o dia 4 caiu num sábado. A relatora, juíza Maria Cláudia Bedotti, rejeitou os dois argumentos e lembrou que o sistema de filiação funciona 24 horas por dia.
O coronel recorreu ao TSE alegando que o partido cadastrou a data errada e que o vínculo foi constituído antes. Também pediu a suspensão do caso até o julgamento de uma ação de retificação da filiação. Em 3 de setembro, o ministro André Mendonça negou seguimento ao recurso, com base na Súmula 24 do TSE, que impede o reexame de fatos e provas nessa instância. A Procuradoria-Geral Eleitoral também se manifestou contra o pedido.
PL concentra sete dos oito eleitos, 53 derrotas em 61 candidaturas
Dos oito eleitos do levantamento, sete disputaram pelo PL: Zucco, Contar, Pazuello, Girão, Chrisóstomo, Renato Bolsonaro e Coronel Henrique. A exceção é o Capitão Martim, do Republicanos. Entre os não eleitos, as legendas se espalham por mais de 15 partidos, de Novo e Podemos a PSB e PT.
A próxima legislatura terá militares em postos de destaque, do Palácio Piratini ao Senado. Mas 53 dos 61 candidatos com posto ou graduação no nome de urna ficaram sem mandato. E um coronel ficou fora da contagem por dois dias de atraso na filiação.