O Paraguai ampliou a presença militar em uma extensa região que faz fronteira com o Brasil. O Comando de Operações de Defesa Interna (CODI) recebeu 150 militares adicionais e chegou a 1.150 integrantes, com unidades distribuídas por 14 dos 17 departamentos paraguaios. A operação agora alcança toda a Região Oriental, incluindo áreas próximas a Mato Grosso do Sul e Paraná.
O reforço foi confirmado pelo ministro da Defesa, Óscar González, em declarações divulgadas em 20 de outubro de 2026. Em meio à expansão, o governo de Santiago Peña também defende um aumento de 14% no orçamento militar de 2027 para sustentar deslocamentos, combustível, alimentação e pessoal.
Do lado brasileiro, a mudança alcança a vizinhança de Ponta Porã e Foz do Iguaçu, cidades ligadas a municípios paraguaios incluídos na nova área de atuação. A fronteira já reúne operações conjuntas contra organizações criminosas transnacionais. O emprego de soldados em funções de segurança interna reacendeu a controvérsia política no Paraguai, em uma região marcada pela circulação de moradores, pelo comércio internacional e pela cooperação entre policiais dos dois países.
Militares passam a atuar em 14 departamentos após decreto presidencial
O CODI começou suas atividades concentrado em três departamentos do norte paraguaio. A área foi ampliada para outros três e, posteriormente, passou a abranger toda a Região Oriental. A nova extensão foi autorizada pelo Decreto nº 5.554, assinado por Peña em fevereiro de 2026.
Segundo a Agência de Informação Paraguaia, o decreto permite operações militares em território oriental e nos rios nacionais, internos e de fronteira. O governo justificou a decisão com informações de inteligência sobre a presença de grupos ligados ao crime organizado transnacional e ao terrorismo.
Entre as regiões alcançadas estão Amambay, Canindeyú e Alto Paraná, onde a proximidade com cidades brasileiras dá à ampliação um peso especial. Pedro Juan Caballero e Ponta Porã, por exemplo, formam uma área urbana separada pela linha internacional, enquanto Ciudad del Este está ligada a Foz do Iguaçu por uma das travessias mais movimentadas da região.
Paraguai quer mais dinheiro para manter 1.150 militares mobilizados
A ampliação territorial chegou acompanhada de uma conta mais alta. González afirmou ao jornal La Nación que o reforço de 150 militares elevou os gastos operacionais e que a estrutura precisa de recursos para manter as equipes em campo.
A proposta do Ministério da Defesa para 2027 alcança 3,149 trilhões de guaranis, aproximadamente US$ 487,6 milhões, segundo os valores apresentados pela pasta. O acréscimo solicitado é de 14% em relação ao orçamento vigente, com prioridade para a manutenção das atividades e do CODI.
O ministro explicou que a verba também busca corrigir despesas de pessoal acumuladas desde 2024. Para o próximo ano, a prioridade anunciada não é uma nova compra de aviões ou radares, mas a capacidade de sustentar o efetivo e o funcionamento das Forças Armadas.
Na fronteira brasileira, operação conjunta atingiu 149 acampamentos
A conexão com o Brasil ficou evidente em outubro. Entre os dias 12 e 23, a Polícia Federal brasileira e a Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai realizaram a 58ª fase da Operação Nova Aliança, com apoio da força-tarefa paraguaia, em Amambay, departamento vizinho a Mato Grosso do Sul.

Segundo o balanço oficial da Polícia Federal, a ação destruiu 149 acampamentos clandestinos, erradicou 93 hectares de cultivos ilícitos e eliminou 143.850 quilos de maconha já processada. Incluindo a produção potencial das áreas erradicadas, a PF calculou um impacto equivalente a aproximadamente 423 toneladas.

A operação ocorreu em Amambay, região onde o CODI também está autorizado a atuar, e contou com apoio da força-tarefa paraguaia. A Nova Aliança existe desde 2012 e reúne instituições brasileiras e paraguaias para atingir estruturas de produção que abastecem redes criminosas além da fronteira.
Uso do Exército na segurança interna provocou reação no Paraguai
A decisão de estender a atuação das tropas também abriu uma discussão delicada no país vizinho: até onde devem ir os militares no combate a grupos criminosos? Em fevereiro, quando o decreto foi divulgado, González respondeu às críticas e rejeitou a interpretação de que o Paraguai estaria sendo militarizado.
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O governo sustenta que a medida está amparada pela legislação de defesa nacional e que as operações devem ocorrer em coordenação com a Polícia Nacional, a Secretaria Nacional Antidrogas e as autoridades judiciais. A norma prevê o emprego de forças de combate em situações graves nas quais os meios regulares de segurança sejam insuficientes.
Com 1.150 militares distribuídos por uma área que abrange a fronteira brasileira e uma proposta de aumento de verbas em análise para 2027, o Paraguai terá de sustentar financeiramente a expansão e demonstrar resultados contra as organizações que motivaram o decreto. As operações feitas com apoio da Polícia Federal brasileira já colocam os dois países em cooperação direta nessa região.