O Paraguai mobilizou meios militares terrestres e fluviais para enfrentar uma emergência na fronteira com a Argentina. Um caminhão tático 6×6 do Exército e embarcações da Armada foram destinados à região de Cerrito, onde a cheia do rio Paraná deixou comunidades isoladas e obrigou famílias a abandonar suas casas.
A operação acontece no sul paraguaio, em uma região ligada pelo próprio rio Paraná à tríplice fronteira com o Brasil. O ministro da Defesa, Óscar González, confirmou o envio dos equipamentos após verificar que estradas e acessos estavam comprometidos pela água.
Caminhão militar 6×6 foi escolhido para atravessar trechos de difícil acesso
O reforço terrestre anunciado em 29 de outubro inclui um caminhão militar com configuração 6×6, utilizado para transportar suprimentos por caminhos onde veículos convencionais enfrentam dificuldades. A designação indica tração nas seis rodas, característica importante para deslocamentos em terrenos irregulares.
Segundo o ministro, vários bairros de Cerrito estavam isolados e exigiam veículos mais altos e adequados aos caminhos alagados. A missão é levar alimentos, medicamentos e apoio logístico a moradores que não conseguem receber assistência pela rede viária habitual.
González também mencionou a solicitação de um segundo veículo de apoio. As informações divulgadas pelo jornal La Nación identificam expressamente apenas um caminhão militar 6×6, sem confirmar o modelo exato ou a chegada de uma frota de veículos semelhantes.
Armada envia embarcação leve para manter a assistência pelo rio Paraná
A resposta não ficou restrita ao Exército. A Armada Paraguaia colocou uma embarcação leve à disposição das equipes que atuam nas comunidades ribeirinhas, com previsão de reforçar o apoio fluvial na região sob responsabilidade da Área Naval de Confluência.

As embarcações permitem transportar mantimentos, profissionais de saúde e materiais de emergência para localidades onde as estradas ficaram impraticáveis. Também podem auxiliar o deslocamento de moradores quando o acesso por terra não oferece condições seguras.
Esse tipo de operação evidencia uma função pouco conhecida das forças navais: além do patrulhamento e da defesa, elas podem garantir mobilidade em emergências em regiões onde os rios são as principais rotas de acesso.
Região fica na fronteira com a Argentina e é ligada ao Brasil pelo mesmo rio
Cerrito pertence ao departamento de Ñeembucú e fica na margem paraguaia do Paraná, em frente à localidade argentina de Yahapé, na província de Corrientes. A fronteira é fluvial, e existe um ponto oficial de travessia de passageiros por lancha entre as duas localidades.
A cidade está a aproximadamente 365 quilômetros em linha reta de Foz do Iguaçu, no Paraná, onde Brasil, Paraguai e Argentina se encontram. É o mesmo rio que, mais ao norte, separa os territórios brasileiro e paraguaio na região da Ponte da Amizade.
Portanto, a movimentação ocorre em uma área de fronteira internacional relativamente próxima do oeste brasileiro, embora não seja na divisa direta com o Brasil. Não há indicação de confronto, ameaça a países vizinhos ou participação das Forças Armadas brasileiras: trata-se de uma missão humanitária.
Inundação atingiu 990 famílias em Cerrito e deixou 413 casas inundadas
O cenário que levou ao emprego dos militares é grave. Dados departamentais divulgados em 26 de outubro apontavam 990 famílias afetadas em Cerrito, das quais 577 permaneciam isoladas. Outras 246 haviam sido evacuadas ou deixado suas residências por conta própria, enquanto 413 moradias estavam inundadas.
No conjunto de cinco distritos de Ñeembucú, o balanço preliminar chegava a 1.960 famílias afetadas, conforme levantamento divulgado pelo ABC Color. A água também atingiu atividades fundamentais para a economia local, como pesca, pecuária, turismo e agricultura familiar.
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Na comunidade de Paso Tajy, dentro do distrito de Cerrito, aproximadamente 70 famílias perderam plantações de milho, mandioca, cebola e batata. Parte dos moradores passou a depender de acampamentos improvisados em ilhas e áreas elevadas, enquanto aguardava alimentos e atendimento médico.
Comandantes militares sobrevoaram localidades para avaliar estradas bloqueadas
O ministro González esteve na região acompanhado pelo general Gustavo Arza, comandante do Comando Logístico, e pelo vice-almirante Christian Rotela, comandante da Armada. Os oficiais realizaram um sobrevoo de reconhecimento para observar a extensão das áreas alagadas e as condições das vias de acesso.
Após a inspeção, a comitiva discutiu prioridades com autoridades locais. Equipes de saúde também atuaram nos distritos afetados: o Ministério da Saúde do Paraguai registrou 2.868 pessoas atendidas entre 16 e 26 de outubro em diferentes localidades de Ñeembucú.
Rio começou a baixar, mas comunidades ainda enfrentam consequências da cheia
Os registros da Direção de Meteorologia e Hidrologia do Paraguai mostram que o Paraná atingiu 6,90 metros em Cerrito em 20 de outubro. Em 31 de outubro, a estação marcava 6,10 metros, uma redução de 80 centímetros em relação ao pico observado naquele mês.
A descida do nível não significa que estradas, casas e lavouras tenham voltado ao normal. A retirada da água pode ser mais lenta em áreas baixas, e as famílias que perderam alimentos, plantações e acesso a serviços continuam precisando de assistência.
O envio do caminhão 6×6 e o reforço das embarcações mostram por que as Forças Armadas paraguaias foram chamadas à região. Em plena fronteira fluvial com a Argentina e no sistema hidrográfico compartilhado com o Brasil, a prioridade agora é chegar às comunidades que a cheia deixou para trás.