O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná inaugurou, em 20 de outubro, uma instalação de R$ 4,3 milhões que coloca profissionais diante de chamas em ambientes fechados, sob condições controladas. Batizada de Cidade do Fogo, a estrutura foi projetada para aproximar o treinamento das dificuldades encontradas durante incêndios urbanos.
O novo centro funciona na Academia Bombeiro Militar do Paraná, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. A meta anunciada pelo governo estadual é capacitar 700 militares e realizar 120 atividades práticas com fogo até dezembro de 2026, números que representam objetivos, não resultados já alcançados.
Quatro estruturas permitem treinar em diferentes ambientes ao mesmo tempo

A Cidade do Fogo reúne quatro simuladores independentes. Isso significa que equipes podem desenvolver atividades simultâneas, sem depender de uma única instalação para toda a formação. Os espaços reproduzem configurações internas semelhantes às encontradas em residências e outros imóveis atingidos por incêndios.
Os módulos incluem cômodos, corredores e construções de dois níveis. A variedade permite colocar os bombeiros diante de cenários diferentes, nos quais a circulação, a observação do ambiente e a evolução das chamas exigem avaliações específicas antes de cada intervenção.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Paraná, um dos equipamentos é a chamada Célula T, apresentada pela corporação como um modelo inédito no Brasil. A novidade amplia as possibilidades de treinamento, mas não significa que o estado seja o primeiro a contar com um centro dedicado ao fogo controlado.
O que muda em relação aos contêineres usados anteriormente
Antes da inauguração, a corporação já utilizava contêineres adaptados para preparar seus profissionais. A nova instalação foi concebida especificamente para essa finalidade, com isolamento térmico, diferentes configurações internas e recursos que aumentam o controle sobre a evolução do fogo.
Outra diferença apontada pelo governo é a possibilidade de manter os treinamentos por períodos maiores. Em vez de depender de ambientes improvisados, os instrutores passam a trabalhar em estruturas planejadas para repetir procedimentos e ajustar as condições de cada atividade.

O major Mikeil Petrus Abi-Abib, presidente da Câmara Técnica de Combate a Incêndio do Paraná, classificou a inauguração como um avanço para uma dificuldade antiga da corporação: reproduzir situações próximas às ocorrências reais sem abrir mão da supervisão dos alunos.
Preparação começa antes de qualquer contato com as chamas
O treinamento não consiste simplesmente em colocar militares dentro de um ambiente incendiado. A metodologia prevê aulas teóricas, atividades a seco e adaptação progressiva, levando em consideração a experiência dos participantes e as características de cada turma.
Durante as práticas com fogo, instrutores capacitados acompanham o desenvolvimento das chamas. Cada atividade conta com pelo menos três profissionais responsáveis pelo monitoramento e pela segurança, segundo as informações divulgadas pela corporação.
A preparação trabalha a identificação de riscos, a comunicação entre integrantes da equipe e a capacidade de decidir diante de mudanças no ambiente. Para os bombeiros, velocidade e segurança precisam caminhar juntas: agir antes de compreender o cenário pode comprometer tanto a equipe quanto o atendimento.

Meta de 700 militares ainda em 2026 é apenas o começo
O planejamento inicial estabelece a formação de 700 bombeiros e a realização de 120 atividades práticas até o encerramento de 2026. Com quatro módulos operando de forma independente, o centro poderá receber diferentes grupos e ampliar a frequência das capacitações.
A expectativa de longo prazo é treinar de 20 a 30 profissionais por dia e alcançar todo o efetivo do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná ao longo dos próximos anos. A projeção foi apresentada pelo major Petrus e dependerá da utilização contínua da estrutura.
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Formação permanente poderá alcançar militares experientes
A Cidade do Fogo não foi construída exclusivamente para quem está ingressando na carreira. O projeto prevê a participação de bombeiros em formação e de profissionais que já atendem ocorrências, permitindo a atualização de procedimentos e o aperfeiçoamento de decisões em situações de risco.
A corporação também informou que mantém contatos para receber instrutores internacionais. A proposta é incorporar conhecimentos de outras experiências e, posteriormente, compartilhar técnicas desenvolvidas no Paraná. O comunicado oficial, entretanto, não apresenta datas confirmadas para essas atividades internacionais.

Paraná se soma a outros estados que investem em treinamento com fogo
O investimento paranaense não representa a criação da primeira Cidade do Fogo do país. Em maio de 2025, o Corpo de Bombeiros Militar do Rio de Janeiro inaugurou um complexo com o mesmo nome, em Guadalupe, ao custo aproximado de R$ 5 milhões, também destinado ao treinamento em condições controladas.
No Paraná, o governo afirma que a nova instalação integra o maior programa nacional de treinamento com simuladores de incêndio. Sem uma comparação pública detalhada entre os centros, a classificação deve ser atribuída à administração estadual, e não apresentada como um ranking independente.
Mais do que a inauguração, o resultado esperado será observado no uso cotidiano da estrutura: quantos militares passarão pelos módulos, com que frequência serão treinados e como a experiência será incorporada aos atendimentos reais. Por enquanto, a Cidade do Fogo inicia suas atividades com metas definidas e uma nova capacidade de preparação para a corporação.