Divulgado em setembro de 2011, o teste do ADAPTIV mostrou como módulos hexagonais instalados em um CV90 podiam alterar sua assinatura infravermelha para reproduzir o ambiente ou outro veículo.
Um blindado com lagartas podia apresentar a aparência térmica de um veículo 4×4 para quem o observasse por um sensor infravermelho. Esse foi um dos resultados de testes do ADAPTIV, sistema de camuflagem anunciado pela BAE Systems, empresa do setor de defesa, em 5 de setembro de 2011.
Segundo a fabricante, os ensaios realizados em meados de julho daquele ano demonstraram que um dos lados de um CV90 conseguia se confundir com o fundo da cena ou assumir a assinatura de outros objetos. O efeito era produzido por placas capazes de mudar rapidamente de temperatura, formando padrões reconhecíveis na imagem térmica.
A tecnologia atuava sobre uma característica usada na vigilância militar: a assinatura térmica, o padrão de emissão infravermelha pelo qual um equipamento aparece nesses sensores. Ao controlar esse padrão na superfície do blindado, o sistema buscava dificultar sua detecção e identificação.
O teste alterou a aparência de um dos lados do CV90
O resultado descrito no comunicado envolvia a lateral equipada com os módulos. Conforme o padrão aplicado, essa área podia acompanhar o ambiente ou exibir uma imagem térmica semelhante à de um veículo de outra categoria.
A BAE Systems também anunciou que apresentaria o equipamento em modo infravermelho na feira britânica Defence and Security Equipment International, a DSEI, naquele setembro. O CV90 serviria como plataforma para mostrar o funcionamento da camuflagem ao público do evento.
Placas do ADAPTIV aquecem e esfriam individualmente
O revestimento utiliza módulos hexagonais leves, aproximadamente do tamanho de uma mão, alimentados pelo sistema elétrico do veículo. Cada peça funciona como um pixel: recebe um comando próprio de aquecimento ou resfriamento e contribui para formar a imagem exibida pelo conjunto.
A fabricante informa que esse controle emprega tecnologia semicondutora disponível comercialmente. A regulagem individual permite criar diferenças de temperatura entre placas vizinhas e, assim, desenhar padrões sobre a superfície coberta.

Os módulos metálicos são instalados no casco ou sobre placas de blindagem. Segundo a empresa, sua construção busca resistir a impactos físicos, e as peças danificadas podem ser retiradas e substituídas rapidamente. A manutenção, portanto, pode ser feita por módulo.
Câmeras e biblioteca de imagens permitem escolher o disfarce térmico
Para acompanhar o ambiente, câmeras embarcadas captam a cena ao redor e fornecem informações para ajustar o revestimento. No modo de disfarce, o sistema pode recorrer a assinaturas previamente armazenadas, escolhidas conforme a missão.
A ficha técnica descreve essas duas formas de emprego: reproduzir a assinatura do terreno ou selecionar outro padrão em uma biblioteca. O controle dos pixels permite distribuir áreas mais quentes e mais frias pela lateral, compondo a aparência desejada.
A documentação também apresenta a mudança de assinatura com o veículo parado ou em movimento. O propósito declarado é ocultar sua identidade durante a observação por sistemas térmicos, usando o revestimento como uma superfície cuja emissão pode ser modificada eletronicamente.
Os mesmos módulos podem exibir sinais para forças amigas
A capacidade de criar padrões também teve apresentação para identificação entre forças amigas. Em vez de reproduzir o terreno ou outro veículo, os painéis podem formar sinais que ajudem no reconhecimento à distância. A ficha técnica associa essa função à identificação de amigo ou inimigo, conhecida pela sigla IFF.
Em uma apresentação publicada em 14 de setembro de 2015, a BAE Systems descreveu ainda a possibilidade de exibir mensagens e padrões reconhecíveis nas laterais. A superfície controlada eletronicamente serviria, assim, tanto à dissimulação quanto à comunicação visual por imagem térmica.
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Desenvolvimento sueco considerou aplicações além dos blindados
O ADAPTIV foi desenvolvido e patenteado na Suécia, com participação da Administração Sueca de Material de Defesa, a FMV. Segundo o relato da empresa de 2015, uma equipe de sete profissionais trabalhou durante três anos na solução, com conhecimentos de sensores, eletrônica, software e projeto.
A fabricante também descreveu a possibilidade de alterar o tamanho dos pixels conforme a aplicação e a distância de observação pretendida. Estruturas maiores, como navios e edifícios, poderiam receber painéis maiores para produzir imagens de menor resolução. Essas aplicações foram apresentadas como possibilidades de desenvolvimento.
A proposta central do sistema do CV90 é controlar a temperatura de módulos externos para modificar a aparência do blindado diante de um sensor infravermelho. O 4×4 estava entre os disfarces relatados pela fabricante nos testes de 2011.
Na página de produto publicada em 2025, a empresa continuava apresentando o ADAPTIV como uma solução para reproduzir o ambiente, imitar objetos e reduzir a distância de detecção de veículos equipados com os painéis.
Para avaliar uma camuflagem como essa, qual teste seria mais decisivo: acompanhar o blindado em movimento ou observá-lo de diferentes ângulos e distâncias? Compartilhe sua análise nos comentários.