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BAE testou camuflagem ADAPTIV com placas que mudam de temperatura para fazer um blindado CV90 parecer um veículo 4×4 em imagens térmicas

Thaís Souza
Por Thaís Souza 22/10/2026 às 13:07
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BAE testou camuflagem ADAPTIV com placas que mudam de temperatura para fazer um blindado CV90 parecer um veículo 4×4 em imagens térmicas
BAE testou camuflagem ADAPTIV com placas que mudam de temperatura.

Divulgado em setembro de 2011, o teste do ADAPTIV mostrou como módulos hexagonais instalados em um CV90 podiam alterar sua assinatura infravermelha para reproduzir o ambiente ou outro veículo.

Um blindado com lagartas podia apresentar a aparência térmica de um veículo 4×4 para quem o observasse por um sensor infravermelho. Esse foi um dos resultados de testes do ADAPTIV, sistema de camuflagem anunciado pela BAE Systems, empresa do setor de defesa, em 5 de setembro de 2011.

Segundo a fabricante, os ensaios realizados em meados de julho daquele ano demonstraram que um dos lados de um CV90 conseguia se confundir com o fundo da cena ou assumir a assinatura de outros objetos. O efeito era produzido por placas capazes de mudar rapidamente de temperatura, formando padrões reconhecíveis na imagem térmica.

A tecnologia atuava sobre uma característica usada na vigilância militar: a assinatura térmica, o padrão de emissão infravermelha pelo qual um equipamento aparece nesses sensores. Ao controlar esse padrão na superfície do blindado, o sistema buscava dificultar sua detecção e identificação.

O teste alterou a aparência de um dos lados do CV90

O resultado descrito no comunicado envolvia a lateral equipada com os módulos. Conforme o padrão aplicado, essa área podia acompanhar o ambiente ou exibir uma imagem térmica semelhante à de um veículo de outra categoria.

A BAE Systems também anunciou que apresentaria o equipamento em modo infravermelho na feira britânica Defence and Security Equipment International, a DSEI, naquele setembro. O CV90 serviria como plataforma para mostrar o funcionamento da camuflagem ao público do evento.

Placas do ADAPTIV aquecem e esfriam individualmente

O revestimento utiliza módulos hexagonais leves, aproximadamente do tamanho de uma mão, alimentados pelo sistema elétrico do veículo. Cada peça funciona como um pixel: recebe um comando próprio de aquecimento ou resfriamento e contribui para formar a imagem exibida pelo conjunto.

A fabricante informa que esse controle emprega tecnologia semicondutora disponível comercialmente. A regulagem individual permite criar diferenças de temperatura entre placas vizinhas e, assim, desenhar padrões sobre a superfície coberta.

Placas do ADAPTIV aquecem e esfriam individualmente
Teste do ADAPTIV mostrou como módulos hexagonais instalados em um CV90 podiam alterar sua assinatura infravermelha.

Os módulos metálicos são instalados no casco ou sobre placas de blindagem. Segundo a empresa, sua construção busca resistir a impactos físicos, e as peças danificadas podem ser retiradas e substituídas rapidamente. A manutenção, portanto, pode ser feita por módulo.

Câmeras e biblioteca de imagens permitem escolher o disfarce térmico

Para acompanhar o ambiente, câmeras embarcadas captam a cena ao redor e fornecem informações para ajustar o revestimento. No modo de disfarce, o sistema pode recorrer a assinaturas previamente armazenadas, escolhidas conforme a missão.

A ficha técnica descreve essas duas formas de emprego: reproduzir a assinatura do terreno ou selecionar outro padrão em uma biblioteca. O controle dos pixels permite distribuir áreas mais quentes e mais frias pela lateral, compondo a aparência desejada.

A documentação também apresenta a mudança de assinatura com o veículo parado ou em movimento. O propósito declarado é ocultar sua identidade durante a observação por sistemas térmicos, usando o revestimento como uma superfície cuja emissão pode ser modificada eletronicamente.

Os mesmos módulos podem exibir sinais para forças amigas

A capacidade de criar padrões também teve apresentação para identificação entre forças amigas. Em vez de reproduzir o terreno ou outro veículo, os painéis podem formar sinais que ajudem no reconhecimento à distância. A ficha técnica associa essa função à identificação de amigo ou inimigo, conhecida pela sigla IFF.

Em uma apresentação publicada em 14 de setembro de 2015, a BAE Systems descreveu ainda a possibilidade de exibir mensagens e padrões reconhecíveis nas laterais. A superfície controlada eletronicamente serviria, assim, tanto à dissimulação quanto à comunicação visual por imagem térmica.

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Desenvolvimento sueco considerou aplicações além dos blindados

O ADAPTIV foi desenvolvido e patenteado na Suécia, com participação da Administração Sueca de Material de Defesa, a FMV. Segundo o relato da empresa de 2015, uma equipe de sete profissionais trabalhou durante três anos na solução, com conhecimentos de sensores, eletrônica, software e projeto.

A fabricante também descreveu a possibilidade de alterar o tamanho dos pixels conforme a aplicação e a distância de observação pretendida. Estruturas maiores, como navios e edifícios, poderiam receber painéis maiores para produzir imagens de menor resolução. Essas aplicações foram apresentadas como possibilidades de desenvolvimento.

A proposta central do sistema do CV90 é controlar a temperatura de módulos externos para modificar a aparência do blindado diante de um sensor infravermelho. O 4×4 estava entre os disfarces relatados pela fabricante nos testes de 2011.

Na página de produto publicada em 2025, a empresa continuava apresentando o ADAPTIV como uma solução para reproduzir o ambiente, imitar objetos e reduzir a distância de detecção de veículos equipados com os painéis.

Para avaliar uma camuflagem como essa, qual teste seria mais decisivo: acompanhar o blindado em movimento ou observá-lo de diferentes ângulos e distâncias? Compartilhe sua análise nos comentários.

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