O Congresso da República do Peru aprovou a destinação de mais US$ 346,9 milhões (cerca de R$ 1,8 bilhão) para que a Força Aérea do país dê continuidade ao processo de aquisição de um novo lote de 12 caças F-16 Block 70. O Peru pretende adquirir 24 unidades do F-16 Block, a versão mais recente e avançada do caça F-16 Fighting Falcon, produzida pela Lockheed Martin, em um acordo que muda completamente o patamar do país no cenário de Defesa na América do Sul.
O acordo firmado pelo Peru para as 24 unidades do caça tem valor total aproximado de US$ 3,5 bilhões (mais de R$ 18,7 bilhões, na cotação atual), e foi assinado em 2025, prevendo duas fases, com a aquisição de 20 unidades monopostos (F-16 C) e quatro bipostos (F-16 D) para a Força Aérea do Peru.
O contrato para o primeiro lote de 12 F-16 Block 70 foi assinado em 22 de abril, prevendo um valor de R$ 1,54 bilhão (R$ 5,40 bilhões), que inclui US$ 460 milhões para a aquisição de equipamentos de apoio em solo, peças de reposição e suporte logístico, capacitação e treinamento, documentação, manuais e publicações técnicas, além de um simulador de voo e um lote de armamentos.
Com a modernização bilionária de sua capacidade de defesa aérea, o Peru vai ingressar no rol sul-americano de operadores ativos do F-16, que atualmente conta com o Chile, maior operador do caça na região, e a Argentina, que recebeu recentemente um segundo lote dos Fighting Falcon adquiridos da Dinamarca.
A Venezuela, que foi pioneira no ingresso dos F-16 na América do Sul, com aeronaves adquiridas dos EUA nos anos 1980, chegou a ter mais de 20 caças do modelo, mas com o embargo norte-americano aplicado nos últimos anos e a deterioração das relações com Washington, a manutenção das aeronaves foi seriamente prejudicada, e não há dados oficiais sobre quantas unidades permaencem em operação.
Com o novo acordo para a dquirir o caça, o Peru terá uma vantagem estratégica frente aos concorrentes regionais: das 46 aeronaves chilenas, apenas 10 são F-16 Block, versão mais moderna, enquanto na Argentina, o investimento é para 24 unidades o F-16AM/BM MLU, versão anterior do caça e comprados de segunda mão da Dinamarca.
F-16 Block “Viper” voando além de 2060
O modelo F-16 Block, conhecido como “Viper”, é a versão mais atualizada do caça militar de asa fixa mais numeroso e difundido em atividade no mundo, operado por 29 países, com mais de 2,8 mil unidades ativas.
O Viper é apresentado pela Lockheed Martin como uma aeronave de quarta geração que foi atualizada para alcançar características de quinta geração.
Entre as capacidades do F-16 Block, estão:
- Radar Avançado: radar AESA, que permite rastreamento múltiplo de alvos e missões simultâneas ar-ar e ar-solo.
- Guerra Eletrônica: sistema digital Viper Shield, projetado para proteção e contramedidas em ambientes contestados.
- Aviônicos e Cabine: displays modernizados, computador de missão atualizado, visor frontal aprimorado e compatibilidade com o sistema de mira Sniper e sensores Legion-ES.
- Armamentos Modernos: Suporta mísseis AIM-120D, AIM-9X, bombas guiadas JDAM/SDB e mísseis de cruzeiro JASSM, além de planos para integrar armamentos hipersônicos como o míssil Blackbeard.
O Viper é projetado para suportar um ciclo de cerca de 12.000 horas de voo, estendendo sua operação para além de 2060, segundo dados da fabricante.
Em comparação, os F-16 mais antigos adquiridos pela Argentina não contam com o radar AESA, usando radares de varredura mecânica, pertencentes a uma geração anterior. O Viper tem ainda arquitetura digital mais recente, enquanto a versão MLU depende de atualizações realizadas, incluindo sistemas de guerra eletrônica.

Peru investe em estrutura de ponta para receber F-16
Os caças adquiridos pelo Peru são novos de fábrica, construídos pela Lockheed Martin, com uma vida útil estrutural muito maior do que plataformas que já estão em operação há anos, como no caso argentino. O país também está implantando toda a estrutura necessária para dar suporte à operação da aeronave e ampliar a cooperação tecnológica com os EUA.
O Peru não está simplesmente comprando 24 caças F-16: está estruturando uma capacidade operacional e logística completa em torno da aeronave, com treinamento de pilotos e técnicos, armamentos, simuladores, infraestrutura de manutenção, apoio logístico e até oportunidades para a indústria nacional.
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A Base Aérea La Joya, em Arequipa, foi escolhida como uma das instalações centrais para receber os novos aviões. O Peru prevê investir aproximadamente US$ 10,4 milhões em melhorias, incluindo pistas, cabeceiras, hangares de manutenção, abrigos e outras estruturas necessárias à operação do F-16.
As entregas estão previstas para acontecer a partir de 2030. O contrato também inclui o fornecimento, sem custos adicionais, de um Boeing KC-135R Stratotanker usado, avaliado entre US$ 40 milhões e US$ 50 milhões, destinado ao reabastecimento em voo, que amplia a capacidade de alcance do F-16. O avião é o mesmo usado pela Força Aérea dos EUA (USAF) para operações de reabastecimento.
A atual frota de combate da Força Aérea Peruana hoje é compsota principalmente por caças Mirage 2000 e MiG-29, ambos enfrentando desafios de manutenção e capacidade nos últimos anos devido às décadas de operação.
Lockheed anunciou cooperação tecnológica com o país
A Lockheed Martin apresentou também um amplo pacote de colaboração industrial e social para o Peru, avaliado em US$ 1,8 bilhão em valor econômico, como parte de seu programa para fornecer os F-16 Block 70 ao país latino.
O objetivo é oferecer oportunidades de coprodução de equipamentos de defesa e sistemas avançados de aeronaves não tripuladas, treinamento especializado em engenharia e uma nova grade curricular para uma academia espacial.
As iniciativas foram concebidas para integrar empresas peruanas à cadeia global de fornecimento da Lockheed Martin, acelerando o crescimento econômico sustentável e, ao mesmo tempo, fortalecendo as bases industriais de defesa do Peru e dos Estados Unidos, conforme anunciou a fabricante em agosto de 2026.
Entre os projetos oferecidos pela Lockheed como parte da proposta do F-16 Block 70 estão a montagem nacional de uma aeronave não tripulada para o mercado latino-americano, a criação de centros conjuntos de pesquisa e de um Instituto Técnico de Sistemas de Aeronaves Não Tripuladas (UAS).
Intercâmbio com os argentinos
Como parte do programa de adaptação para receber os primeiros F-16 em poucos anos, uma delegação da Força Aérea do Peru realizou uma visita técnica ao Centro de Instrução da VI Brigada Aérea, localizado na cidade de Tandil, na Argentina. O objetivo foi obter informações técnicas especializadas sobre a operação, manutenção, sustentação logística e emprego dos caças F-16.
A Argentina já conta com 12 unidades do F-16AM/BM MLU, recebidos a partir de 2025. O primeiro lote dos F-16 foi entregue em 2025, de um total de 24 aeronaves previstas no acordo feito pelo presidente Javier Milei com a Dinamarca e orçado em cerca de US$ 300 milhões.
Os caças argentinos passaram pelo Brasil, fazendo escala na da Base Aérea de Natal (BANT), durante as duas operações do complexo translado realizado desde a Europa, com travessia do Atlântico.
Chile recebeu o F-16 Block há vinte anos
Na América do Sul, somente o Chile opera a versão mais moderna do F-16, mas as primeiras aeronaves chegaram ao país há duas décadas, em 2006. Os F-16 Block representaram, à época, uma mudança radical no modelo de operação da Força Aérea Chilena (FACh).
A operação de um caça que até então era de última geração exigiu uma profunda adaptação no treinamento de pilotos, na manutenção, no planejamento de missões e, sobretudo, no sistema de comando e controle.
Vinte anos depois, o Chile tem uma cadeia de defesa aérea consolidada como uma das mais modernas do mundo, o que coloca o país em destaque no cenário da América do Sul, com exercícios frequentes de interoperabilidade com a USAF e com outras forças aéreas — incluindo a do Brasil.
O Exercício Salitre é a principal cooperação militar aérea da América do Sul. Realizado no Chile e organizado pela Força Aérea Chilena, o treinamento reúne forças aéreas de diferentes países para praticar operações combinadas, compartilhar conhecimentos e desenvolver procedimentos que permitam atuar em conjunto em situações de crise ou conflito.
A quinta edição, realizada entre 29 de junho e 11 de julho de 2026, reuniu seis forças aéreas: Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Paraguai e Estados Unidos. Canadá, Equador e Uruguai participaram como observadores.
A edição de 2026 também marcou a estreia do F-39 Gripen da Força Aérea Brasileira (FAB) em um destacamento internacional, colocando a aeronave em combates simulados com os F-16 chilenos e outros meios aéreos em uma desmontração da maturidade operacional da plataforma que será a espinha dorsal da modernização da defesa área do país.